Demora em lançar nome ao governo faz parte de estratégia do PT em Goiás
Partido delonga anúncio de um pré-candidato ao Executivo estadual goiano como parte de um plano que busca priorizar formação de palanque para Lula
Lentidão na divulgação de um nome para disputar o Governo de Goiás pelo Partido dos Trabalhadores (PT) não é por acaso. Membros da sigla no Estado reiteram que o intuito da legenda é “começar de baixo para cima”, ou seja, focar primeiramente na construção de nominatas para deputados estaduais, federais, para o Senado e, por último, tornar público o nome escolhido para concorrer ao comando do Palácio das Esmeraldas.
Parlamentares do PT em Goiás aguardam avaliação do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de seu vice Geraldo Alckmin (PSB) em relação aos nomes disponíveis para o Executivo estadual goiano e afirmam que a sigla possui alternativas para disputar as eleições para governador.

“Nomes nós temos. O que estamos fazendo agora é organizando e buscando saber como é que o vice-presidente Alckmin e o presidente Lula esperam de nós dentro do PT como do PSB em relação às possibilidade de fazermos um trabalho bem bacana em Goiás de tal forma que a gente possa, não só participar do cenário com competitividade, mas acima de tudo conseguir votações importantes para o parlamento estadual e nacional”, ressalta a deputada estadual Bia de Lima (PT) em entrevista ao O HOJE.
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Chance de articulações
A fala da deputada dá pistas sobre a possibilidade de uma maior aproximação do PT com o PSB, algo já cogitado há tempos por meio de informações de bastidores que sinalizavam a probabilidade de a vereadora de Goiânia Aava Santiago (PSB) ser o nome apoiado pelo partido de Lula para concorrer ao Executivo estadual.
No entanto, a vereadora afirma que não há novas articulações entre as duas legendas e que nenhum membro do PT entrou em contato com o PSB para discutir a viabilidade de união entre os partidos a fim de definir um nome para disputar o cargo de governador.

Aava destacou que a relação entre as legendas é positiva tanto no campo institucional quanto entre lideranças e que mantém diálogo próximo com integrantes do partido presidido em Goiás pela deputada federal Adriana Accorsi (PT). Ademais, esclarece que nunca foi procurada formalmente pela sigla para tratar de uma eventual composição.
Depende do êxito de Marconi
Analistas políticos avaliam que a decisão do PT goiano de aguardar para lançar um nome ao governo estadual tem a ver com a situação em que a pré-candidatura do ex-governador Marconi Perillo (PSDB) se encontra.
Petistas observam o andamento da pré-campanha de Perillo. Caso o tucano não obtenha o êxito esperado até 15 de agosto, que é o tempo que os partidos têm para registrar os nomes escolhidos na Justiça Eleitoral, o PT pode optar por promover articulações com o PSB com o intuito de apoiar o lançamento do nome de Aava como pré-candidata ao governo com o apoio de Marconi.
Objetivo principal do PT
Tal ideia passa a expectativa do PT em formar um bom palanque para o presidente Lula, que é pré-candidato à reeleição ao Planalto e possui dificuldades em obter apoio dos goianos. Mesmo assim, parte do partido no Estado não considera tão negativa a situação eleitoral do chefe do Executivo nacional pelo fato de Lula ter recebido 41,29% dos votos válidos nas eleições presidenciais de 2022 em Goiás.

Ao considerar tais pontos, percebe-se que a estratégia do PT em ainda não anunciar um nome para o Governo de Goiás perpassa toda uma lógica de busca por apoio a Lula no Estado para cumprir com o objetivo prioritário do partido.
“A preferência e a prioridade do PT é reeleger o presidente Lula. Nós teremos, sim, uma chapa. Até junho vamos definir um nome para governador, tendo em vista que a campanha só começa em agosto. Porém, quanto mais cedo definirmos um nome, melhor será para fazermos uma boa campanha, assim como os outros partidos estão fazendo”, afirma o deputado estadual Antônio Gomide em entrevista ao O HOJE. (Especial para O HOJE)