Calil e Vanderlan sabem que Gayer será o 2º voto apoiado pela base
Grupos ligados aos senatoriáveis de MDB e PSD reagem, mesmo na surdina, à opção de parte dos aliados do governo pelo deputado do PL, que assim teria palanque com 10 ministros de Lula, pois está rompido com Wilder, o candidato de seu partido a governador
O deputado federal Gustavo Gayer tanto tentou que conseguiu: será o 2º candidato a senador pelos governistas em Goiás. A vaga nº 1 na chapa será da primeira-dama Gracinha Caiado. Outros três integrantes de partidos da base estão em pré-campanha para o Senado, o deputado federal Zacharias Calil, que se filiou ao MDB para esse propósito; o ex-ministro Alexandre Baldy, presidente estadual do PP; e Vanderlan Cardoso, que tenta a reeleição pelo PSD, nova sigla do governador Ronaldo Caiado, que tem outro de olho pela mesma vaga, Gustavo Mendanha, ex-prefeito de Aparecida de Goiânia.
A incursão de Gayer pelo Palácio das Esmeraldas e o velho Centro Administrativo, hoje Palácio Pedro Ludovico, é acompanhada com olhos bem abertos, os dos cabos eleitorais de Baldy, Calil e Vanderlan. Esse trio é visto com pouco entusiasmo pelo governo, ao contrário de Gayer. São muitos os motivos e o maior deles é a perspectiva de vitória, pois divide com Gracinha a liderança nas pesquisas. A maioria dos palácios vê os três com certo desdém, “porque eles perdem para o Oséias Varão, veja só, até para o Oséias Varão”, disse um dirigente do União Brasil a O HOJE no início da noite desta segunda-feira (30), referindo-se ao vereador do PL em Goiânia, Oséias Mendes Pereira, e pastor da Igreja Assembleia de Deus campo de Campinas, onde também congrega Vanderlan.
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Redes sociais são o grande trunfo do novo aliado
Entre os que defendem a chapa majoritária com Daniel Vilela (MDB) governador, Gracinha (União Brasil) e Gayer senadores, há diversas versões para pretender o deputado do PL em detrimento do trio, que consideram dispensável. A maior delas é que Gayer lidera as redes sociais, que seria imenso trunfo para Ronaldo Caiado entrar em determinadas faixas do bolsonarismo pelo Brasil.
Outro ponto favorável em Gayer, com menos valia para seus novos companheiros, é sua amizade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem seria o predileto em Goiás, ao menos nos comentários dos gayeristas. O parlamentar liberal teria funções mais intrincadas, para as quais ainda não foi testado, talvez pelo pouco tempo de política. Em caso de Caiado não deslanchar nos levantamentos dos institutos e chegar aos 12% nas possibilidades em 1º turno, Gayer convenceria o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a colocar o goiano de vice em sua chapa presidencial. Outra ação delegada, esta já sendo tentada desde 2025, é dividir o PL e enfraquecer a candidatura de Wilder a tal ponto que o presidente nacional do partido, Valdemar da Costa Neto, volte atrás e deixe de lançar candidato ao Palácio das Esmeraldas.
Quem será o presidenciável do senatoriável?
Essas conversas, todas reais, nenhuma com autor identificável, são tidas como iniciativas de Gayer. Evidentemente, qualquer grupo aceitaria o 2º colocado nas pesquisas para o Senado, ainda mais com a suposta possibilidade de conseguir o apoio de Jair Bolsonaro e do PL. Existe um senão do qual os gayeristas se afastam quando o repórter questiona: Gayer vai fazer campanha presidencial para Caiado ou Flávio?
Há vários tipos de resposta. Que não adianta eleger o presidente da República sem ter maioria no Senado, que é o local onde se espera votar o impeachment de integrantes do Supremo Tribunal Federal. Que no 2º turno todos se unirão contra Lula. Que o PT já desistiu de Lula e vai lançar outro candidato, mais novo, talvez o governador do Pará, Helder Barbalho, que é do mesmo MDB de Daniel Vilela.
Mais um tema que abominam é a reunião de partidos com quem Gayer está se aliando ter 10 ministros de Lula, três do MDB, três do União Brasil, um do PP, três do PSD. A solução, para evitar perda de votos dos bolsonaristas, seria Gayer fazer campanha unicamente para si. Sua meta, além da própria vitória, seria eleger Fred Rodrigues, que ficou em 2º lugar para prefeito de Goiânia em 2024, para a Câmara dos Deputados. Sandro Mabel, que o venceu, é entusiasta da estratégia de lançar vários candidatos ao Senado, eram 4 (Gracinha, Vanderlan, Calil e Baldy), com Gayer são 5 e ainda falta admitir que Gustavo está no páreo, no caminho mabelista.
Palacianos acham que Daniel vence no 1º turno
Os interlocutores palacianos consideram que o rompimento com Gayer eliminou Wilder, dizem que Marconi vai ficar em 2º e que Daniel será reeleito governador no 1º turno. Porém, alguns danielistas não parecem tão otimistas com a aliança. Temem a debandada de companheiros de primeira hora, como Calil, que tem no presidenciável Caiado um ídolo desde os tempos em que ambos eram apenas médicos. Vanderlan troca de grupo com a rapidez de um flash, então, ninguém vai chorar se ele partir para outra turma. Gustavo Mendanha (43) e Alexandre Baldy (45) estão muito jovens para se aposentar da política e a dúvida é se vão mudar de turma caso os novatos no grupo os aposentem.
Mais um efeito da parceria com Gayer é herdar sua rejeição. Quem gosta dele, ama; quem não gosta, odeia. Daniel, um político objetivo, sem radicalismos, sem grandes reprovações, é bem visto pelas diversas fatias da sociedade, tudo de que não precisa é ser contaminado por negativas alheias. A boa notícia para os danielistas incentivadores da parceria com Gayer é que em 2022 a maioria dos 260 mil eleitores que lhe deram o 1º lugar para deputado federal votou em Caiado para governador, não em seu companheiro de PL, Major Vitor Hugo, atualmente vereador em Goiânia. (Especial para O HOJE)