Alta procura na Semana Santa faz preço de peixes dispararem até 267% em Goiânia
Especialista vê elevação como esperada, causada pela alta demanda e pressão sobre custos da piscicultura
Às vésperas da Sexta-feira Santa, data em que tradicionalmente aumenta o consumo de peixes no Brasil, os preços dos pescados em Goiânia apresentam grande variação, o que acende o alerta para os consumidores. Levantamento realizado pelo Procon Goiás identificou diferenças que chegam a 267,37% entre estabelecimentos da Capital, reforçando a importância da pesquisa antes da compra.
A maior disparidade foi registrada no quilo do filé de tilápia, encontrado entre R$ 17,99 e R$ 66,09 em supermercados. Outro produto bastante procurado nesta época, a sardinha, também apresentou variação significativa. Nos supermercados, o quilo foi comercializado entre R$ 11,99 e R$ 34,79, enquanto nas peixarias os preços variaram de R$ 9,90 a R$ 25,90. Já o filé de salmão foi encontrado entre R$ 45,90 e R$ 116,90 o quilo, com diferença superior a 150%.
A pesquisa considerou 45 opções de peixes de água doce, salgados e frutos do mar, em 21 estabelecimentos de Goiânia, entre os dias 16 e 23 de março. O cenário reflete um período de alta demanda, impulsionado pela tradição da Sexta-feira Santa, quando muitas famílias substituem o consumo de carne vermelha por pescado.
Para a economista Greice Guerra, é esperado que os preços aumentem nessa época do ano, como em toda época comemorativa. “É normal a gente ver a elasticidade do preço desses produtos, como flores na época de finados. Então, datas geralmente provocam a elasticidade dos preços dos produtos dessa época”, explica.
“Em função da quaresma e da proximidade da Semana Santa e da Sexta-feira da Paixão, nós vemos uma elevação da demanda pelos pescados, e isso força a elevação do preço. É a lei de oferta e procura: quanto maior a demanda, maior será o preço do produto”, destaca a especialista.
Além disso, ela destaca que o preço dos pescados pode sofrer alteração por outros motivos, como o aumento dos custos. “O preço dos combustíveis, principalmente por conta da guerra, tem sofrido com elevações, encarecendo os transportes de carga”, afirma.
Outros pontos destacados pela economista são questões climáticas, que impactam na produção de peixes, custos de importação, principalmente para peixes não produzidos no Brasil, como bacalhau e salmão, e o aumento no preço dos insumos da piscicultura. “Então, de maneira geral, esse aumento é oriundo de vários fatores, como custo de transporte terrestre, importação e custo de produção. E também por conta da elevação do consumo nesse período”, ressalta.
Por conta disso, na visão de Guerra, uma elevação nos preços pode ser justificada, mas nada que caracterize como preço indevido. “Justifica-se essa elevação por causa desses fatores. E também, o produtor quando sofre elevação do preço dos seus custos de produção, ele tem que repassar para o produto final, porque senão ele vai trabalhar no prejuízo. Então, é normal, sim, a elevação dos preços pela época e pela elevação dos custos de produção”, complementa.
Cuidados e precauções
Diante desse contexto, a recomendação dos órgãos de defesa do consumidor é pesquisar preços que podem fazer grande diferença no orçamento. O Procon Goiás destaca que comparar valores em diferentes supermercados e peixarias é a principal estratégia para economizar, especialmente em períodos de maior procura.
Além do preço, a atenção à qualidade do produto é fundamental. Em supermercados, os peixes devem estar armazenados em balcões refrigerados adequados, sem superlotação, o que pode comprometer a conservação. A presença de água próxima ao freezer também pode indicar falhas no equipamento.
O consumidor deve observar ainda características do pescado, como cheiro suave, olhos brilhantes, escamas bem aderidas ao corpo e carne firme. As guelras devem apresentar coloração avermelhada ou rosada, sendo um indicativo de frescor. Caso o produto apresente odor forte ou aspecto duvidoso, a orientação é evitar a compra.
Uma opção apontada por Guerra são os peixes e pescados congelados, que normalmente se protegem mais dessas variações de preço em decorrência de elevações de custos.
Com variações expressivas nos preços e aumento da demanda, planejamento e atenção são essenciais para garantir economia e segurança na mesa durante a Semana Santa.
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