quarta-feira, 1 de abril de 2026
mais um impasse na saúde

Médicos ameaçam parar atendimento na Maternidade Célia Câmara em Goiânia

Impasses entre empresas médicas e a gestão podem afetar serviços essenciais como obstetrícia e pediatria; reunião de emergência foi marcada para esta quarta (1º)

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 1 de abril de 2026
Médicos
Foto: Divulgação

O atendimento no Hospital Municipal e Maternidade Célia Câmara (HMMCC), em Goiânia, pode começar a ser afetado, conforme previsão anunciada pelos médicos da instituição, que ameaçaram interromper os serviços por falta de pagamento. A situação envolve um impasse entre empresas responsáveis pela contratação do corpo clínico e a gestão da unidade, administrada pela Sociedade Beneficente São José (SBSJ).

De acordo com profissionais da unidade, atrasos salariais e incertezas sobre o novo modelo de contratação levaram a categoria a decidir pela possível paralisação. Entre os serviços que podem ser impactados estão pediatria, obstetrícia, ginecologia e ultrassonografia, áreas consideradas essenciais para o funcionamento da maternidade.

O conflito teve início com o encerramento do contrato da empresa Unisen Serviços Médicos, responsável pela intermediação dos profissionais, e a transição para a empresa Prime Med, que passa a assumir a gestão do corpo clínico por meio de contrato com a SBSJ.

Em documento assinado no último domingo (29/3), o corpo clínico informou que decidiu, de forma unânime, não continuar prestando serviços a partir das 7h de terça-feira. Além disso, os médicos afirmaram que não têm interesse em integrar a nova empresa responsável pela contratação.

Prefeitura tenta evitar colapso

Diante da crise, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que notificou formalmente a SBSJ e determinou o restabelecimento dos serviços médicos até as 15h desta terça-feira. Além disso, a pasta convocou uma reunião emergencial para quarta-feira (1º), com o objetivo de apresentar um plano de ação que resolva definitivamente os problemas recorrentes na unidade.

Segundo a secretaria, todas as medidas administrativas já foram adotadas para minimizar os impactos à população. Entre as ações, estão visitas técnicas, reorganização de fluxos internos e transferência de pacientes para outras unidades da rede municipal.

A SMS também destacou que mantém os repasses financeiros à organização social rigorosamente em dia e que não possui pendências com a SBSJ. Com isso, a gestão municipal reforçou o compromisso com a continuidade dos atendimentos e a qualidade da assistência prestada.

A direção do Hospital Municipal e Maternidade Célia Câmara informou, em nota, que a unidade passa por um processo interno de transição na prestação de serviços médicos, conduzido de forma organizada e com acompanhamento técnico. Segundo o comunicado, apesar das mudanças, os pacientes internados seguem recebendo assistência integral, sem interrupções no atendimento.

Além disso, a maternidade destacou que a regulação foi ajustada temporariamente para organizar o fluxo de atendimentos e reforçou o compromisso com a segurança, a qualidade e a continuidade dos serviços prestados à população.

Já a SBSJ afirmou que a situação envolve contratos entre empresas prestadoras de serviço e que ajustes fazem parte da dinâmica administrativa. A entidade ressaltou que acompanha o processo para assegurar a continuidade do atendimento à população.

O Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) declarou que aguarda reunião para se manifestar, mas destaca estar acompanhando o processo. 

No entanto, o cenário atual não é inédito. Desde 2024, a Maternidade Célia Câmara enfrenta uma série de crises envolvendo a Prefeitura de Goiânia e a gestão da unidade, que na época era conduzida pela Fundação de Apoio ao Hospital das Clínicas (Fundahc), com registros frequentes de atrasos de pagamento, redução de repasses e conflitos trabalhistas.

Naquele período, cortes orçamentários impactaram diretamente o funcionamento do hospital, levando à suspensão do atendimento de “portas abertas” e à limitação dos serviços apenas por regulação. Além disso, profissionais relataram falta de insumos, redução de leitos e atrasos salariais, o que gerou ameaças de paralisação em diferentes momentos.

Também houve episódios de instabilidade na gestão por organizações sociais, dificuldades na fiscalização e até situações extremas, como tensão entre equipes e forças de segurança dentro da unidade. Em outros momentos, serviços essenciais, como pediatria, chegaram a ser interrompidos temporariamente pelos mesmos motivos.

Em março de 2026, médicos da unidade realizaram uma paralisação de 48 horas para cobrar o pagamento de honorários atrasados e melhorias nas condições de trabalho. A decisão foi tomada em assembleia da categoria. Durante o período, apenas atendimentos de urgência e emergência foram mantidos, enquanto consultas e procedimentos eletivos ficaram suspensos.

Diante desse histórico, o impasse atual segue sem solução definitiva. Caso a paralisação se confirme, a maternidade, referência em atendimentos materno-infantis na Capital, pode enfrentar um novo cenário de instabilidade, afetando diretamente gestantes, recém-nascidos e pacientes que dependem dos serviços oferecidos pela unidade.

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