Empreendedorismo feminino avança em Goiás, mas desafios travam expansão dos negócios
No Estado, mulheres lideram 44% dos pequenos negócios e consolidam protagonismo na geração de renda, apesar dos desafios para crescer e se manter no mercado
O Brasil atingiu, em 2025, um recorde histórico no empreendedorismo feminino, com mais de 2 milhões de empresas abertas por mulheres, segundo dados do Sebrae com base na Receita Federal. O número representa cerca de 42% dos novos negócios no País e confirma uma mudança consistente no perfil do empreendedor brasileiro. Dentro desse cenário, Goiás se destaca como um dos Estados que mais contribuem para esse avanço, tanto pelo volume quanto pelo impacto econômico gerado pelas empreendedoras.
No Estado, as mulheres já lideram cerca de 44% dos pequenos negócios, somando aproximadamente 374 mil empreendedoras. Esse crescimento não apenas acompanha a tendência nacional, como também reforça o papel das mulheres na geração de renda e na formalização da economia goiana. Em muitos casos, os negócios liderados por mulheres representam a principal fonte de sustento familiar, ampliando o alcance social desse movimento.
A presença feminina é especialmente forte entre as microempreendedoras individuais (MEI), que representam quase metade das empresas ativas lideradas por mulheres em Goiás. Esse modelo facilita a entrada no mercado formal e permite que muitas mulheres transformem atividades informais em negócios estruturados, fortalecendo a economia local.
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Desafios além da abertura de empresas
Apesar dos avanços, o crescimento também evidencia desafios importantes. Grande parte desses negócios ainda está em fase inicial, o que revela dificuldades para manter a estabilidade e alcançar expansão. Problemas como acesso ao crédito, gestão financeira e planejamento estratégico seguem como barreiras recorrentes.
Essa realidade é vivida na prática por empreendedoras como Leila Florentina. Ela já foi dona de uma confecção que chegou a empregar mais de seis funcionários, mas decidiu mudar de área e investir em um novo sonho: abrir a própria lanchonete.
Apesar da experiência anterior, Leila relata que recomeçar em outro segmento trouxe inseguranças e desafios ainda maiores. Mesmo sendo casada, ela afirma que a responsabilidade pelo negócio acaba sendo solitária, o que aumenta a pressão no dia a dia, tendo que se desdobrar em empresária, mãe, esposa e dona de casa. Diante das dificuldades, a empreendedora admite que, em alguns momentos, sente vontade de desistir, refletindo uma realidade comum a muitas mulheres que tentam se manter no mercado.
A especialista em gestão estratégica e financeira, Elisa Rocha, explica que essa sobrecarga impacta diretamente o crescimento dos negócios. “Na prática, muitas empreendedoras acabam concentrando todas as funções da gestão às vendas enquanto ainda carregam responsabilidades domésticas. Isso reduz a capacidade de pensar estrategicamente e limita a expansão”, afirma.
Segundo Elisa, outro problema recorrente é a falta de estrutura organizacional. “Quando o crescimento acontece sem planejamento, o negócio passa a consumir a própria empreendedora. Ela vira o gargalo da operação e isso impede avanços consistentes”, destaca.
Além disso, questões estruturais também influenciam esse cenário. O acesso restrito ao crédito, a dificuldade na organização financeira e os desafios na digitalização ainda limitam o potencial de crescimento. Mesmo com o uso de redes sociais, muitas empreendedoras não conseguem explorar totalmente as ferramentas disponíveis para expandir seus negócios.
Impacto econômico e social
Apesar dos desafios, o impacto do empreendedorismo feminino em Goiás é significativo. Além de movimentar a economia, esses negócios contribuem diretamente para a geração de emprego, aumento da renda e redução da informalidade.
Outro ponto relevante é o avanço da formalização. Negócios liderados por mulheres têm ampliado sua presença no mercado formal, o que garante maior estabilidade e melhores condições de crescimento. Esse movimento também fortalece a economia regional e amplia a arrecadação.
Além disso, o empreendedorismo feminino representa uma transformação social importante. Em Goiás, muitas mulheres empreendedoras são chefes de família, o que faz com que seus negócios tenham impacto direto na qualidade de vida de outras pessoas.
Dessa forma, o recorde nacional vai além dos números. Em Goiás, ele se traduz em protagonismo, geração de oportunidades e mudança de realidade. O desafio, agora, é garantir que esse crescimento venha acompanhado de estrutura e apoio, para que essas empresas não apenas surjam, mas consigam se manter e evoluir de forma sustentável.