segunda-feira, 6 de abril de 2026
Segmento forte

Ao mudar 19 cargos da gestão, Daniel sinaliza proximidade com o agro

Anúncio feito pelo governador de um novo nome para a Secretaria Estadual de Agricultura é visto como tentativa de aproximação com o setor produtivo

Marina Moreirapor Marina Moreira em 6 de abril de 2026
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“A ausência de aproximação com esse setor é uma deficiência de partidos de centro e centro-direita, como o MDB”, analisa especialista - Créditos: Divulgação/Secom Goiás

Apesar de o governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), não contar com a presença permanente do ex-chefe do Executivo Ronaldo Caiado (PSD) ao seu lado, o atual comandante do Palácio das Esmeraldas tem mostrado um pouco do seu modo de Governo nos primeiros cinco dias à frente da gestão. 

O emedebista fez mudanças em 19 órgãos e busca estabelecer bons vínculos com o agronegócio, setor em que o emedebista possui dificuldades de ser bem aceito em comparação com lideranças pertencentes à extrema direita. 

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Créditos: Jota Eurípedes

De acordo com analistas políticos, o eleitorado representado pelo agro tem uma forte admiração por políticos que defendem valores do espectro da direita. Em Goiás, esse grupo é caracterizado por ser altamente organizado e unido, o que faz com que partidos de centro e centro-direita tenham dificuldades em serem bem aceitos neste meio. 

“A direita tem um público muito cativo que é o pessoal do agro. Em Goiás, esse segmento é muito forte, unido e organizado. A ausência de aproximação com esse setor é uma deficiência não só de partidos de centro, como o MDB e outras siglas com o mesmo posicionamento, mas também tem a ver com as taxas cobradas a membros do agro durante a gestão de Caiado. Como Daniel é o candidato do ex-governador de Goiás, o mesmo pode ter dificuldades para chegar nesse grupo”, avalia o cientista político Lehninger Mota em entrevista ao O HOJE. 

Mota discorre sobre as tentativas de Daniel ao tentar ampliar os vínculos com o público ligado ao agronegócio. “Daniel já tentou se aproximar desse grupo, já fez com que José Mário Schreiner [presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg)] pudesse ser seu vice para tentar se aproximar desse espaço”, destaca.

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Vice-governador Daniel Vilela (MDB) e presidente da Faeg, José Mário – Créditos: André Costa

O que pode potencializar a situação de ausência de ligações fortes entre o agro e o governo é a extinta cobrança de taxas a determinados produtores para compor o Fundo Estadual de Infraestrutura (Fundeinfra), conhecido como “Taxa do Agro”, responsável por formar um montante destinado à recuperação de rodovias utilizadas no escoamento da produção do setor. 

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Resultados do fundo

Em contrapartida, Daniel não deixa de se posicionar a favor das ações de sua gestão ao lado de Caiado em relação à cobrança das taxas, o que resultou na criação do fundo que colaborou para o andamento de obras importantes. 

O emedebista diz garantir a continuidade das obras de infraestrutura do Fundeinfra. “Todas as obras seguem o cronograma normal”, assegurou, ao comentar que não existe nenhuma obra do fundo parada. “Acreditamos que até julho de 2026 todas as obras já estarão licitadas. O Estado garante a conclusão dessas obras, com o aporte de R$ 1,5 bilhão nos próximos anos”, completou. 

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Créditos: Benedito Braga

Um dos membros próximos da gestão de Daniel e que saiu do governo há poucos dias para participar das eleições de outubro é o ex-presidente da Agência Goiana de Infraestrutura e Transportes (Goinfra), Pedro Sales (PSD), que se descompatibilizou do cargo para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados. 

Estado independente 

Ao falar sobre o fim do Fundeinfra, Sales ressalta o potencial do Estado em dar conta dos gastos sem depender do fundo, bem como a independência dos aportes de fontes externas de crédito. “A proporção dos investimentos do Tesouro e do Fundeinfra é de três para um, considerando obras ativas, concluídas, programadas e o custeio com manutenção rodoviária. É um extrato sólido de que temos plena capacidade de manter os investimentos no setor com verbas próprias, e de que o fim da contribuição do setor produtivo não vai impactar essa disponibilidade de recursos.” 

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Ex-presidente da Goinfra, Pedro Sales (PSD) – Créditos: Reprodução

Continua Sales: “Delineamos um planejamento para que o Estado assuma as aplicações à medida que a verba do fundo vá se esgotando, para que todos os compromissos assumidos com a população sejam devidamente executados e finalizados”. 

Ao sinalizar mais uma aproximação com o agronegócio, na última quinta-feira (2), Daniel deu os últimos retoques na equipe de primeiro escalão ao anunciar o nome de Ademar Pereira Leal Filho para a Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). O movimento é visto como uma tentativa do emedebista, que é pré-candidato à reeleição ao Governo de Goiás, em estabelecer uma relação mais próxima com o setor produtivo. (Especial para O HOJE)

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