segunda-feira, 6 de abril de 2026
Embate eleitoral

Disputa por vice de Flávio Bolsonaro divide aliados e Centrão

Discussão opõe ala ligada ao Centrão e grupo mais ideológico na pré-campanha presidencial do senador do PL

Marina Moreirapor Marina Moreira em 6 de abril de 2026
Flávio
Flávio Bolsonaro (PL), senador e pré-candidato à presidência da República - Créditos: Jefferson Rudy - Agência Senado

Há uma disputa importante que ocorre nos bastidores da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) sobre a escolha do vice. Tal embate expõe uma divisão clara dentro da direita. Aliados mais próximos de Flávio Bolsonaro resistem ao nome da senadora Tereza Cristina, do PP, que é a preferida do Centrão e já foi sugerida mais de uma vez pelo presidente do PL, Valdemar Costa Neto. Esse “núcleo duro” e mais conservador do entorno do senador avalia que o vice precisa ser uma solução de lealdade direta ao projeto do primogênito de Jair Bolsonaro, sem estar vinculado a um grupo político forte.

Bolsonaro escolheu Hamilton Mourão em 2018, após negativas de outros nomes, e teve desentendimentos com o vice, com teorias de conspiração de que o general queria derrubá-lo. Em 2022, o ex-presidente escolheu Braga Netto, outro general, pois acreditava que o mesmo seria uma espécie de ”seguro-impeachment”, por não ter estrutura própria de poder nem fazer parte de grupos no Congresso.

Para esse “núcleo duro” e mais ideológico da pré-campanha de Flávio, é aí que entra o nome de Romeu Zema, do partido Novo, que deixou o governo de Minas Gerais para disputar a eleição. Zema é pré-candidato a presidente, mas aliados do senador do PL enxergam nele uma solução mais simples para a vice, justamente por não carregar um bloco político como o Centrão.

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Ex-governador de Minas Gerais e pré-candidato ao Planalto, Romeu Zema (Novo) – Créditos: Rovena Rosa/ABr

Acesse também: Flávio se diz “Bolsonaro 2.0” e pede que Trump interfira em territórios brasileiros

Quanto a Tereza Cristina, ex-ministra de Bolsonaro, a resistência se dá por dois motivos. Por ser vista como um nome muito ligado ao Centrão e também por um episódio recente que incomodou a ala mais radical: a participação de Tereza em uma comitiva que tratou de tarifas nos Estados Unidos.

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Ex-ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina – Créditos: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

Aliados dizem que Eduardo Bolsonaro ficou irritado com isso e atua contra o nome da ex-ministra. Por outro lado, a senadora continua forte entre empresários e setores do mercado financeiro, que veem em Tereza como um nome mais moderado e previsível.

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