terça-feira, 7 de abril de 2026
saúde

Cirurgias inéditas salvam pacientes em estado grave na Santa Casa de Goiânia

Cirurgias cardíacas de alta complexidade foram realizados em caráter emergencial com válvulas doadas

Nívia Menegatpor Nívia Menegat em 7 de abril de 2026
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Cirurgias inéditas salvam pacientes em estado grave na Santa Casa de Goiânia. Foto: Divulgação

Dois pacientes em estado grave tiveram a vida salva após passarem por procedimentos cardíacos inéditos na Santa Casa de Misericórdia de Goiânia. As cirurgias ocorreram na última quinta-feira (2) e utilizaram válvulas cardíacas avaliadas em mais de R$ 80 mil cada, viabilizadas por meio de doações de empresas parceiras.

Os pacientes chegaram à unidade por meio da regulação estadual, ambos com quadro de insuficiência cardíaca avançada e risco iminente de morte. Diante da gravidade, a equipe médica optou pela realização do implante de válvula aórtica por cateter (TAVI), técnica minimamente invasiva indicada para casos de alto risco cirúrgico.

Segundo o cardiologista intervencionista Walter Beneduzzi Fiorotto, responsável pelos procedimentos, a decisão foi imediata. “Eram pacientes que não suportariam uma cirurgia convencional. O TAVI foi essencial para garantir a sobrevida”, destacou.

Sem oferta regular desse tipo de intervenção pelo SUS em Goiás, as cirurgias foram realizadas em caráter excepcional. O uso de próteses previamente doadas foi determinante para que os procedimentos ocorressem a tempo.

A superintendente-geral da unidade, Irani Ribeiro, ressaltou o impacto da iniciativa. “Trata-se de um procedimento de alta complexidade e custo elevado, ainda não disponível de forma contínua na rede pública do estado. Conseguir realizá-lo em tempo oportuno demonstra o compromisso com a vida”, afirmou.

Atualmente, o acesso ao TAVI no estado ainda é restrito, principalmente devido ao custo das próteses e à falta de centros habilitados. A Santa Casa aguarda há mais de dois anos a autorização para oferecer o procedimento de forma contínua pelo SUS. A ausência dessa estrutura pode levar à demora no atendimento ou à necessidade de transferência de pacientes para outras regiões.

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Cirurgias inéditas salvam pacientes em estado grave na Santa Casa de Goiânia. Foto: Divulgação

Cirurgias inéditas salvam pacientes: O que é o TAVI?

O TAVI é um procedimento minimamente invasivo utilizado no tratamento da estenose aórtica grave, condição caracterizada pelo estreitamento da válvula que controla a saída de sangue do coração. A técnica consiste na introdução de um cateter, geralmente pela artéria femoral, que conduz a prótese até o local afetado, sem necessidade de abrir o tórax.

Entre as vantagens estão a recuperação mais rápida, menor tempo de internação e alta hospitalar em até 48 horas em muitos casos. O método é indicado principalmente para idosos ou pacientes com outras doenças associadas.

Cenário no Brasil

Embora o TAVI tenha sido incorporado ao SUS em 2021, com atualização das diretrizes em 2024, o acesso ainda é limitado. Em 2025, cerca de 5 mil procedimentos foram realizados no país, número considerado baixo quando comparado a regiões como Europa e Estados Unidos. Entre os principais entraves estão o alto custo da tecnologia e a necessidade de ampliar o número de unidades habilitadas.

Em Goiás, ainda não há centros credenciados para a realização regular do procedimento pelo SUS.

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