terça-feira, 7 de abril de 2026
Mercado a todo vapor

Surto de febre aftosa na China pode impulsionar exportações de carne de Goiás

Estado participa com cerca de 13% a 15% das vendas ao mercado chinês, um dos principais destino da carne brasileira

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 7 de abril de 2026
Carne
Foto: Mapa/Istock

A confirmação de focos de febre aftosa na China, envolvendo mais de seis mil bovinos, reacendeu o debate sobre os impactos no mercado internacional de carne bovina e as possíveis oportunidades para o Brasil. 

O país asiático, principal destino da carne brasileira, enfrenta um cenário sanitário que pode alterar sua dinâmica interna de produção e consumo. Diante disso, especialistas apontam que a situação pode, ainda que de forma pontual, abrir espaço para ampliação das exportações brasileiras, incluindo as de Goiás.

Os casos foram registrados em duas províncias chinesas e confirmados após exames laboratoriais oficiais. As autoridades locais adotaram medidas emergenciais, como abate de animais, desinfecção e monitoramento. No entanto, o impacto na cadeia produtiva pode ir além das regiões afetadas, já que a China opera com um equilíbrio sensível entre produção interna e necessidade de importação.

Exportações sob pressão e possível reequilíbrio

O novo cenário surge em um momento delicado nas relações comerciais entre Brasil e China. Em 2026, o governo chinês endureceu regras para importação de carne bovina, estabelecendo cotas mais restritivas e uma tarifa de 55% sobre volumes excedentes. Além disso, passou a considerar apenas o desembarque físico das cargas no país, o que trouxe insegurança para os exportadores.

Essas medidas já indicavam uma possível retração de até 35% na demanda chinesa pela carne brasileira ao longo do ano. No entanto, com a ocorrência da febre aftosa, o equilíbrio interno do país pode sofrer alterações. Segundo o analista de mercado Marcelo Penha, do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária de Goiás (Ifag), qualquer oscilação na produção chinesa tende a gerar impacto relevante.

“Existe um equilíbrio muito sensível entre o que a China produz e o que ela precisa importar. Qualquer alteração nesse cenário pode gerar um desequilíbrio importante. E essa região afetada representa cerca de 13% da produção deles, então pode sim haver impacto”, explica.

Leia mais: Goiás cria mais de 14,5 mil empregos em fevereiro e mantém crescimento

Goiás pode ganhar espaço no mercado chinês

Dentro desse contexto, Goiás aparece como um dos Estados que podem se beneficiar de uma eventual ampliação da demanda externa. O Estado responde por uma parcela significativa das exportações brasileiras de carne bovina e ocupa posição de destaque no ranking nacional.

De acordo com Marcelo, a participação goiana nas vendas para a China gira entre 13% e 15%, o que reforça o potencial de crescimento. “Goiás tem uma presença relevante nesse mercado. Então, qualquer aumento na demanda pode refletir diretamente no desempenho do Estado”, afirma.

Apesar das possibilidades, o especialista pondera que o cenário ainda depende de decisões comerciais do governo chinês. “O principal ponto é entender até que ponto a China está disposta a flexibilizar essas cotas. Além disso, estamos vivendo um momento de alta no preço da carne, com a arroba chegando a cerca de R$ 340. Isso também influencia a capacidade de compra”, destaca.

Mesmo com as incertezas, o mercado brasileiro vive um momento positivo. As exportações seguem em alta, impulsionadas também pela redução da produção em países como Estados Unidos e nações europeias. Esse movimento amplia o espaço do Brasil no mercado global e fortalece Estados produtores como Goiás.

Outro fator relevante é o status sanitário brasileiro, considerado um dos mais seguros do mundo. O País é reconhecido como livre de febre aftosa sem vacinação, o que amplia as possibilidades de acesso a mercados exigentes, como Japão e Coreia do Sul. “Se esses países avançarem nas compras, o Brasil pode se consolidar ainda mais e agregar valor à carne exportada”, conclui Marcelo.

Diante desse cenário, a tendência é de atenção redobrada do setor produtivo e das autoridades sanitárias, ao mesmo tempo em que o mercado acompanha os desdobramentos na China. A evolução do caso pode definir os rumos das exportações brasileiras ao longo de 2026.

Além disso, Marcelo destaca que o cenário internacional abre uma oportunidade estratégica para o Brasil avançar não apenas em volume, mas também na qualidade das exportações. 

“O Brasil vive um momento muito favorável na pecuária. A gente não precisa pensar só em exportar mais, mas em exportar melhor. Existe espaço para trabalhar uma carne de maior valor agregado, com melhor padrão e genética, o que pode elevar significativamente o preço por tonelada no mercado internacional”, afirma. 

Segundo ele, essa mudança de posicionamento pode fortalecer ainda mais Estados como Goiás, que já têm papel relevante nas exportações e podem se beneficiar tanto do aumento da demanda quanto da valorização do produto brasileiro.

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