terça-feira, 6 de outubro de 2026
Queda

Queda na cesta de Páscoa não alivia bolso dos goianos, com aumento no chocolate e pescado

Mesmo com recuo de 5,73% no preço médio nacional, itens mais consumidos na data seguem caros e apresentam variações expressivas em Goiânia

João César Almeidapor em
páscoa
Levantamentos mostram diferenças de até 267% no preço de pescados e mais de 150% em ovos de chocolate, reforçando a necessidade de pesquisa para economizar na Páscoa - Foto: Marcelo Camargo/ABr

 

A Páscoa de 2026 chega com um cenário aparentemente mais favorável para o bolso do consumidor brasileiro, mas a realidade em Goiás mostra que a sensação de alívio ainda é limitada. Levantamento do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta que a cesta de produtos típicos da data ficou 5,73% mais barata em relação ao ano passado, consolidando o segundo ano consecutivo de queda nos preços. Ainda assim, itens tradicionais seguem pressionando o orçamento das famílias, especialmente chocolates e pescados, que concentram a maior demanda no período.


Embora a redução média represente uma desaceleração em relação aos aumentos registrados em anos anteriores, a composição dessa cesta ajuda a explicar por que o consumidor ainda sente os impactos. Produtos como bombons e chocolates acumulam alta de 16,71% no período recente, enquanto o bacalhau subiu 9,9%. Outros itens bastante consumidos na Semana Santa, como sardinha em conserva e atum, também apresentaram elevação de preços, reforçando que justamente os produtos mais procurados continuam mais caros.


Por outro lado, a queda foi puxada por alimentos que não necessariamente protagonizam a ceia de Páscoa. Itens como arroz, ovos e azeite tiveram recuos significativos, o que contribuiu para o resultado geral negativo da cesta, mas com impacto menor na percepção direta do consumidor durante a data comemorativa. Na prática, isso significa que, embora a cesta como um todo esteja mais barata, os produtos mais simbólicos da celebração continuam pesando no orçamento.


Em Goiás, o cenário acompanha a tendência nacional, mas com particularidades que tornam a data ainda mais sensível para o bolso. Levantamento do Procon Goiás mostra que os preços de produtos típicos apresentam variações expressivas entre estabelecimentos, o que amplia a dificuldade de consumo.


No caso dos ovos de chocolate, por exemplo, a diferença pode chegar a 159,85%, como no ovo Lacta Barbie (166g), encontrado entre R$ 49,99 e R$ 129,90 em Goiânia. Outros produtos, como ovos de marcas populares e caixas de bombom, também registraram oscilações superiores a 100%, evidenciando um mercado bastante desigual.


Além dos chocolates, os pescados, que ganham protagonismo durante a Semana Santa, também pesam no orçamento das famílias goianas. Pesquisa do órgão identificou variação de até 267,37% no quilo do filé de tilápia, vendido entre R$ 17,99 e R$ 66,09. A sardinha e o salmão seguem a mesma tendência, com diferenças significativas de preços entre supermercados e peixarias, o que reforça a necessidade de pesquisa antes da compra.


Esse comportamento está diretamente ligado ao aumento da demanda neste período. Segundo especialistas, datas comemorativas costumam provocar uma “elasticidade” nos preços, impulsionada pela procura concentrada em determinados produtos. Além disso, fatores como custos de transporte, influenciados pelo preço dos combustíveis, e despesas com produção e importação também impactam o valor final, especialmente em produtos como bacalhau e salmão.


Diante desse cenário, o comportamento do consumidor tem se adaptado. A busca por alternativas mais acessíveis, como barras de chocolate, caixas de bombom e pescados congelados, tem sido uma estratégia comum para driblar os preços mais elevados dos itens tradicionais. Em muitos casos, as famílias também optam por reduzir a quantidade comprada ou substituir produtos mais caros por opções similares, mantendo a tradição de forma mais econômica.


A recomendação dos órgãos de defesa do consumidor é pesquisar e comparar preços entre diferentes estabelecimentos. Outro ponto de atenção está na qualidade dos produtos. No caso dos pescados, é fundamental observar condições de armazenamento, aparência e odor. Já para chocolates, verificar validade, composição e procedência é essencial, especialmente em produtos artesanais ou em promoção.

 

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