Indústria de alimentos consolida Goiás como potência econômica e projeta expansão
Setor de alimentos movimentou R$ 110 bilhões em 2025, ocupa a quarta posição nacional e sustenta mais de 550 mil postos de trabalho entre empregos diretos e indiretos
A indústria de alimentos segue como uma das engrenagens mais robustas da economia goiana e deve ampliar sua relevância em 2026. A expectativa do setor é de crescimento de até 5% no próximo ano, segundo o balanço anual divulgado pela Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia), após encerrar 2025 com faturamento de R$ 110,1 bilhões e consolidar Goiás na quarta posição entre os maiores polos da indústria alimentícia do Brasil, atrás apenas de São Paulo, Paraná e Minas Gerais.
Os números reforçam uma característica estratégica da economia estadual: a capacidade de transformar a força do agronegócio em valor agregado dentro do próprio território. Hoje, 59,7% de toda a produção agropecuária goiana abastece a indústria de alimentos, índice que evidencia a integração entre o campo e o parque fabril e fortalece uma cadeia produtiva que vai além da produção rural, alcançando transporte, logística, embalagens, distribuição e exportação.
Na prática, esse modelo reduz a dependência da venda de commodities in natura e amplia a retenção de riqueza no Estado. Ao transformar matéria-prima em produtos industrializados, Goiás amplia margens de receita, fortalece a arrecadação tributária e gera empregos em diferentes níveis da cadeia econômica.
O peso do segmento também aparece na composição industrial do Estado. Dados da Pesquisa Industrial Anual (PIA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que a indústria de alimentos responde por 54,9% da receita líquida de todo o parque industrial goiano, índice que coloca o setor como principal força da transformação industrial local.
“Quando um setor responde por 54,9% da receita líquida industrial e é o maior gerador de valor de transformação de Goiás, a questão não é mais sobreviver, é evoluir dentro do segmento”, explica o economista Cláudio Henrique de Oliveira, membro do Conselho Regional de Economia de Goiás (Corecon GO).
O avanço do setor acompanha uma tendência nacional de expansão da indústria alimentícia. Em 2025, o segmento movimentou R$ 1,388 trilhão no Brasil, o equivalente a 10,8% do Produto Interno Bruto (PIB), com crescimento superior a 8%. Dentro desse cenário, Goiás ampliou sua participação e passou a responder por 7,9% de toda a produção nacional de alimentos.
A dimensão econômica do setor também se reflete no mercado de trabalho. Goiás reúne 1.959 empresas ligadas à cadeia alimentícia, responsáveis por 110,7 mil empregos diretos. Quando somados os postos indiretos, o número ultrapassa 550 mil vagas, consolidando a indústria de alimentos como uma das principais fontes de renda e ocupação no Estado.
Setor de alimentos goiano no comércio internacional
A expansão do setor também fortalece a presença goiana no comércio internacional. Em 2025, as exportações da indústria alimentícia no Estado alcançaram US$ 4,62 bilhões, ampliando a inserção de Goiás em mercados estratégicos e reforçando a competitividade da produção local. O desempenho acompanha o movimento nacional, que levou alimentos industrializados brasileiros a mais de 190 países.
A liderança regional também chama atenção. Goiás concentra parcela expressiva do faturamento da indústria de alimentos do Centro-Oeste, região que movimentou R$ 252,4 bilhões no último ano. A combinação entre escala de produção, disponibilidade de matéria-prima e estrutura industrial consolidada mantém o Estado em posição de destaque no cenário nacional.
Além do impacto sobre produção e emprego, o setor também exerceu influência importante no controle inflacionário em 2025. Mesmo com aumento de custos em insumos e energia, a indústria conseguiu manter a oferta e ampliar ganhos de eficiência, o que ajudou a limitar o repasse de preços ao consumidor. No período, enquanto o IPCA geral ficou em 4,26%, os alimentos registraram alta de 2,95%, abaixo da inflação média do País.
Para 2026, a perspectiva de expansão está ligada à continuidade da produção agrícola forte, ao aumento da demanda interna e externa e aos investimentos em modernização industrial.
Felipe Mabel, proprietário de uma indústria de sorvetes, estima um crescimento de atividades de seu negócio da ordem de 20% a 30% em 2026. “Estamos prevendo esse crescimento a partir de fatores como o final do período chuvoso em abril e o aumento do calor, sobretudo a partir de julho. Somado com outros fatores como a Copa do Mundo e a persistência de ondas de calor com as mudanças climáticas, nossa compreensão é de que temos espaço para expandir a nossa base de clientes, e é nisso que vamos investir”, finaliza.