NEGÓCIOS

Perfumes deixam de ser luxo e ganham espaço na rotina dos brasileiros

Mercado de fragrâncias cresce impulsionado pelo autocuidado, pela personalização e pelo fortalecimento das vendas digitais

Otavio Augustopor em
Perfumes deixam de ser luxo e ganham espaço na rotina dos brasileiros
Foto: Divulgação

O mercado de perfumes vive um dos momentos mais aquecidos dos últimos anos no Brasil. Impulsionado pela valorização do autocuidado, pela retomada da vida social e por mudanças no comportamento do consumidor, o setor deixou de ser associado apenas ao luxo e passou a ocupar espaço fixo na rotina de milhões de brasileiros.

Dados da consultoria Kantar mostram que, nos 12 meses encerrados em julho de 2025, o mercado nacional de fragrâncias registrou crescimento de 17% nas unidades vendidas e movimentou cerca de R$ 18 bilhões, avanço de 15% no faturamento em relação ao período anterior. Atualmente, 65% dos lares brasileiros consomem perfumes regularmente.

O avanço acompanha uma transformação no modo como os consumidores enxergam as fragrâncias. Antes reservados para ocasiões especiais, os perfumes passaram a integrar o cotidiano, sendo utilizados no trabalho, em encontros sociais, atividades casuais e até momentos de descanso dentro de casa.

“O consumidor hoje entende perfume como parte da identidade pessoal. Não é mais apenas usar um cheiro agradável, mas escolher uma fragrância que combine com o momento, com o clima e até com o estado de espírito”, afirma Brunno Magnavita, sócio-fundador da Universo do Perfume.

Perfume
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Consumidor troca “perfume assinatura” por guarda-roupa olfativo

Uma das principais mudanças observadas pelo setor é a substituição do chamado “perfume assinatura” – aquela fragrância usada diariamente como marca pessoal — pelo conceito de “guarda-roupa olfativo”.

A lógica agora é semelhante à escolha de roupas: consumidores passaram a manter diferentes perfumes para diferentes ocasiões. Fragrâncias frescas e cítricas ganham espaço durante o dia e em ambientes profissionais, enquanto perfumes intensos, amadeirados, orientais e adocicados aparecem com mais frequência em eventos noturnos e ocasiões especiais.

Segundo Magnavita, o consumidor brasileiro ficou mais técnico e criterioso na hora da compra.

“Hoje muita gente pesquisa notas olfativas, fixação, projeção, concentração e performance antes de comprar. Existe uma preocupação maior em entender o produto e encontrar algo que tenha conexão com a personalidade”, afirma.

O movimento acompanha tendências internacionais da indústria da beleza, especialmente entre consumidores jovens, que buscam experiências mais personalizadas e maior variedade de fragrâncias no dia a dia.

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Mercado premium, nicho e perfumes árabes avançam no país

O crescimento do setor também impulsiona segmentos considerados mais sofisticados, como a perfumaria premium e a perfumaria de nicho.

Segundo levantamento da Deep Market Insights, o mercado brasileiro de perfumes de luxo já movimenta cerca de R$ 2,4 bilhões por ano, com expectativa de crescimento contínuo impulsionado pela chegada de novas marcas internacionais e pelo fortalecimento de empresas nacionais.

Outra tendência em alta é o avanço dos perfumes árabes, conhecidos pela alta fixação e fragrâncias marcantes. Grandes empresas do setor passaram a investir fortemente nesse segmento nos últimos anos.

Perfume
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Vendas digitais e redes sociais mudam comportamento de compra

O avanço do comércio eletrônico também transformou a forma de consumir perfumes no país. Segundo a Kantar, as vendas digitais cresceram 15% em faturamento, puxadas principalmente pelo WhatsApp, que registrou alta de 51% nas transações ligadas ao setor.

Além dos e-commerces tradicionais, redes sociais e influenciadores passaram a desempenhar papel decisivo na popularização de fragrâncias e tendências. Técnicas como layering — combinação de perfumes, hidratantes e body mists para criar assinaturas exclusivas — ganharam espaço principalmente entre consumidores jovens.

Comunidades digitais dedicadas à perfumaria também cresceram rapidamente nos últimos anos, ampliando debates sobre performance, famílias olfativas, fragrâncias de nicho e lançamentos internacionais.

A democratização do acesso ajudou o setor a alcançar diferentes faixas de renda. Dados da Kantar mostram que classes D e E concentram hoje 27% do consumo nacional de perfumes, enquanto a região Nordeste lidera o mercado brasileiro, respondendo por 45% do volume consumido no país.

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