terça-feira, 26 de maio de 2026
NEGOCIOS

Madeira descartada ganha novo valor nas mãos de artesão goiano

Na varanda da própria casa, em Heitoraí, município localizado a cerca de 130 quilômetros de Goiânia, pedaços de móveis antigos, portas quebradas e sobras de madeira ganham um novo destino. O que antes seguiria para o lixo ou seria queimado virou matéria-prima para o pequeno negócio criado por Tico, aposentado de 63 anos que encontrou […]

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 25 de maio de 2026
Convite de formatura com foto vermelho e branco 12
Otávio Augusto

Na varanda da própria casa, em Heitoraí, município localizado a cerca de 130 quilômetros de Goiânia, pedaços de móveis antigos, portas quebradas e sobras de madeira ganham um novo destino. O que antes seguiria para o lixo ou seria queimado virou matéria-prima para o pequeno negócio criado por Tico, aposentado de 63 anos que encontrou no artesanato sustentável uma forma de complementar a renda e continuar produzindo após deixar o trabalho no meio rural.

Sem funcionários, máquinas industriais ou loja física, ele trabalha sozinho transformando madeira reciclada em peças utilitárias e decorativas. Entre os produtos estão porta-celular, suportes para papel toalha, porta-copos, vasos de plantas, boleiras, bancos, cadeiras e estruturas para acomodar garrafas de café e xícaras. Recentemente, também criou um suporte artesanal para coar café, inspirado na tradição presente em muitas cozinhas goianas.

“Eu pego madeira de móveis velhos, madeira que o povo ia jogar fora. Primeiro faço toda a higienização, separo o que ainda serve e começo a criar. Cada pedaço acaba virando alguma coisa”, conta.

As peças carregam características do artesanato rústico, segmento que vem ganhando espaço no mercado brasileiro impulsionado pelo crescimento do consumo consciente e pela valorização de produtos feitos manualmente.

Convite de formatura com foto vermelho e branco 13
Otávio Augusto

Artesanato sustentável cresce com consumo consciente

O trabalho desenvolvido por Tico acompanha uma tendência observada em diferentes regiões do país. Segundo dados do Programa do Artesanato Brasileiro (PAB), ligado ao governo federal, o artesanato movimenta milhões de trabalhadores no Brasil e possui papel importante na geração de renda, inclusão produtiva e fortalecimento da economia criativa. O setor reúne desde pequenos produtores independentes até negócios familiares que encontram na produção manual uma alternativa econômica de baixo custo inicial.

Nos últimos anos, o avanço do consumo sustentável também ampliou a procura por itens feitos com materiais reaproveitados, especialmente peças de decoração e utensílios domésticos produzidos em pequena escala.

“O pessoal procura muito coisa rústica, diferente. Tem gente que compra porque gosta do artesanal, outros porque é sustentável. Cada peça fica única, tem pessoas que compram pra si mesmo, outras para presentear”, afirma o artesão.

No caso de Tico, toda a comercialização ocorre de forma simples, principalmente pelos status do WhatsApp e pelo contato com moradores de Heitoraí e cidades vizinhas.

Leia também: Mulheres goianas transformam renda extra em liberdade financeira

Datas comemorativas impulsionam as vendas

As peças produzidas por ele variam de R$ 15 a R$ 50 nos itens menores, enquanto bancos, cadeiras e estruturas maiores possuem preços mais elevados. O faturamento aumenta principalmente em datas comemorativas, quando cresce a procura por presentes artesanais e objetos de decoração.

Neste ano, apenas no período do Dia das Mães, o aposentado afirma ter faturado quase R$ 2 mil com as vendas.

“Pra mim isso já é muito importante. Sou aposentado e essa renda ajuda bastante dentro de casa. No Natal também vendo muito. Sempre aparece encomenda”, relata.

A busca por produtos personalizados e sustentáveis tem fortalecido pequenos empreendedores do setor artesanal em diferentes regiões brasileiras. Além do valor afetivo, consumidores passaram a enxergar o artesanato como alternativa aos produtos industrializados, principalmente em segmentos ligados à decoração, utilidades domésticas e presentes.

Especialistas em economia criativa apontam que o crescimento do setor também está ligado à valorização de histórias por trás dos produtos. Mais do que comprar um objeto, muitos consumidores buscam peças que carreguem identidade, exclusividade e produção local.

artesão
Foto: Divulgação

Sonho agora é transformar atividade em pequeno negócio

Mesmo trabalhando sozinho, Tico já pensa em ampliar a produção e estruturar melhor a atividade. O objetivo é fortalecer a divulgação, alcançar novos clientes e transformar o artesanato em um negócio ainda mais consolidado.

“Eu quero crescer mais, firmar isso mesmo. Às vezes penso em alguém pra divulgar os produtos, porque quando as pessoas conhecem acabam gostando”, diz.

Enquanto corta, lixa e reaproveita madeiras que seriam descartadas, o aposentado do interior goiano representa um movimento cada vez mais presente no Brasil: o de pequenos empreendedores que unem sustentabilidade, criatividade e trabalho manual para gerar renda dentro da própria casa.

Em meio ao avanço da economia criativa e à valorização do consumo consciente, histórias como a dele mostram que oportunidades de negócio também podem nascer da simplicidade — e daquilo que muita gente ainda insiste em chamar de lixo.

 

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