Alta dos aluguéis exige mais atenção de quem vai alugar o primeiro imóvel
Com preços em alta no Brasil e em Goiânia, especialistas orientam sobre contrato, vistoria e direitos para evitar prejuízos
Alugar um imóvel pela primeira vez representa um dos principais marcos da vida adulta. Seja pela conquista da independência, pela mudança de cidade ou pelo início da vida profissional, a decisão exige planejamento financeiro e atenção a detalhes que podem evitar prejuízos ao longo da locação. Em um momento de valorização dos aluguéis em todo o país, especialistas recomendam que futuros inquilinos analisem cuidadosamente o contrato, a vistoria do imóvel e todas as obrigações previstas antes de receber as chaves.
O cenário favorece esse cuidado. Dados do Índice FipeZAP de Locação Residencial mostram que os preços dos novos contratos de aluguel acumulavam alta de 8,68% nos 12 meses encerrados em maio de 2026, avanço bem superior à inflação oficial do período. Em Goiânia, o movimento também permanece consistente: a capital registrou valorização de 6,44% em 12 meses e alta de 5,96% apenas nos cinco primeiros meses de 2026, reflexo da elevada demanda por imóveis residenciais.
Contrato vai muito além do valor do aluguel
Para a especialista em locação e fundadora da Asa Empreendimentos e Negócios Imobiliários, Agni Aguiar, o principal erro de quem aluga pela primeira vez é concentrar a atenção apenas no preço mensal.
Segundo ela, todas as cláusulas precisam ser compreendidas antes da assinatura, principalmente aquelas relacionadas ao prazo do contrato, índice de reajuste, responsabilidades pelo pagamento de IPTU e condomínio, modalidade de garantia locatícia e regras para rescisão antecipada.

A especialista destaca que a relação entre proprietário e inquilino tende a ser mais equilibrada quando ambas as partes conhecem seus direitos e deveres previstos na Lei do Inquilinato. Também recomenda que eventuais dúvidas sejam esclarecidas antes da assinatura, evitando interpretações diferentes durante a vigência da locação.
Outro ponto importante envolve o reajuste anual. Embora o índice de correção esteja previsto em contrato, a negociação entre locador e inquilino continua sendo uma alternativa quando o valor reajustado se distancia da realidade do mercado, especialmente em momentos de maior volatilidade dos preços.
Vistoria detalhada evita conflitos no fim da locação
A conferência das condições do imóvel antes da entrega das chaves é considerada uma das etapas mais importantes de todo o processo.
Agni Aguiar orienta que o futuro morador registre cada ambiente por meio de fotografias, vídeos e descrições detalhadas no laudo de vistoria. Paredes, pisos, portas, instalações elétricas, hidráulicas, pinturas, vidros, fechaduras e equipamentos devem ser conferidos cuidadosamente. Quanto mais completo for esse documento, menores serão as chances de divergências na devolução do imóvel.
A recomendação também vale para equipamentos como armários planejados, aparelhos de ar-condicionado, luminárias e eletrodomésticos eventualmente existentes no imóvel.
Conhecer as despesas evita surpresas
Além do aluguel, o locatário precisa identificar quais despesas ficarão sob sua responsabilidade durante o contrato. Em regra, cabe ao inquilino arcar com aluguel, contas de consumo, condomínio ordinário e IPTU quando houver previsão contratual. Já despesas estruturais, reformas destinadas à valorização do imóvel ou problemas decorrentes da falta de manutenção do proprietário não podem ser transferidos ao locatário.

Também é importante conhecer a modalidade de garantia exigida. Atualmente, o mercado trabalha com alternativas como fiador, caução, seguro-fiança e título de capitalização, cada uma com regras, custos e exigências diferentes. Para formalizar a locação, normalmente são solicitados documentos como RG, CPF, comprovantes de renda e residência, além da documentação relacionada à garantia contratada.
Mercado aquecido amplia a concorrência por imóveis
O crescimento do mercado de locação também exige maior organização dos candidatos. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), aproximadamente 24% dos domicílios brasileiros são ocupados por famílias que vivem em imóveis alugados, percentual que vem crescendo nos últimos anos.
Em Goiânia, onde a valorização dos aluguéis acompanha o aquecimento do mercado imobiliário, especialistas observam que imóveis bem localizados costumam ser alugados rapidamente, tornando a preparação documental um diferencial para quem busca fechar negócio.
Para Agni Aguiar, reunir previamente toda a documentação e conhecer as regras da locação torna o processo mais ágil e seguro.
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