UE sinaliza retomada da compra de frango e abre caminho para mercado goiano
Antes da suspensão em setembro, receita do Estado com vendas de carne de frango para o bloco somou US$ 13,2 milhões em oito meses e bateu marca histórica
Suspensas desde o dia 3 de setembro, as exportações brasileiras de carne de frango para a União Europeia (UE) podem ser retomadas no curto prazo, abrindo caminho para que Goiás recupere o número de embarques para o bloco registrado até agosto deste ano. A sinalização positiva foi dada nesta quarta-feira (30) pelo comissário europeu de Comércio e Segurança Econômica, Maroš Šefčovič, durante reunião com os ministros Mauro Vieira, das Relações Exteriores, e Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, em Milwaukee, nos Estados Unidos.
O encontro ocorreu paralelamente à reunião de ministros de Comércio do G20. Segundo nota conjunta do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), o representante europeu destacou o resultado favorável de uma auditoria realizada recentemente no Brasil e afirmou que, após a conclusão dos trâmites burocráticos, os envios de carne de aves e mel aos países do bloco poderão ser restabelecidos.
A suspensão havia entrado em vigor porque a União Europeia retirou o Brasil da lista de países em conformidade com as regras do bloco sobre o uso de antimicrobianos na produção pecuária. A legislação europeia permite essas substâncias para tratar infecções, mas proíbe sua aplicação para estimular o crescimento dos animais. O bloqueio atingiu carnes bovina, suína e de frango, além de mel, pescados e ovos.
Na avaliação divulgada nesta semana, a Comissão Europeia considerou satisfatório o sistema brasileiro nas cadeias de aves e mel, concluindo que o País tem condições de cumprir as exigências sanitárias e impedir o uso de antimicrobianos para ganho de rendimento. A decisão final sobre a reabertura será analisada pelo Comitê Permanente de Plantas, Animais, Alimentos e Rações da Comissão Europeia, em reunião técnica prevista para os dias 20 e 21 de outubro, na qual o Ministério da Agricultura pediu a inclusão do relatório da auditoria.
O governo brasileiro também tenta acelerar a retomada das vendas de carne bovina, mas o processo exige comprovação sanitária de todo o ciclo de vida do animal, do nascimento ao abate, uma rastreabilidade que pode levar até dois anos.
Recorde e estratégia em Goiás
Para o agronegócio goiano, a reabertura europeia significa a retomada de uma rota comercial que apresentava bons resultados antes dos embargos. De acordo com a gerente de Inteligência de Mercado Agropecuário da Secretaria de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa), Christiane de Amorim Brandão, entre janeiro e agosto de 2026 o Estado exportou 5,5 mil toneladas de carne de frango para a União Europeia, gerando US$ 13,2 milhões e posicionando Goiás como o sétimo maior exportador da proteína para o bloco.
“O valor registrado nos oito primeiros meses do ano já supera a receita obtida em todos os anos anteriores da série histórica, mesmo com 2026 ainda em curso, o que demonstra a expansão dos embarques destinados ao mercado europeu”, afirma Christiane. Nesse período, as vendas ao bloco se concentraram em pedaços e miudezas, embora o Estado já tenha embarcado outros cortes em anos anteriores.
Segundo a gerente da Seapa, o bloco ainda não figura entre os maiores compradores do Estado, mas possui peso na desconcentração das vendas. “A União Europeia trata-se de um mercado estratégico. A eventual retomada das exportações para o bloco seria positiva para Goiás, por ampliar ainda mais as possibilidades de comercialização e reduzir a concentração em determinados mercados”, explica.
Expansão na Ásia e no Oriente Médio
Enquanto aguarda a definição europeia, a avicultura goiana sustenta forte expansão apoiada na demanda asiática e árabe. Dados do Painel de Comércio Exterior da Plataforma Aroeira, da Seapa, mostram que Goiás exportou 156 mil toneladas de carne de frango no primeiro semestre de 2026, uma alta de 19% em comparação com as 131,1 mil toneladas do mesmo período de 2025. A receita subiu 22,2%, saltando de US$ 258,5 milhões para US$ 315,8 milhões. Junho registrou o maior volume mensal do semestre, com 29,3 mil toneladas e avanço de 55,4% na comparação anual.
As vendas externas do Estado no semestre foram lideradas por asas e peitos (37,1% do valor), seguidos por coxas com sobrecoxas (28,2%), galos e galinhas inteiros congelados (17,6%) e pedaços e miudezas congelados (13,1%). A China foi o principal destino, respondendo por 16,7% da receita, seguida por Japão (13,9%), Emirados Árabes Unidos (12,5%), Arábia Saudita (8,0%) e Coreia do Sul (4,8%).
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