quinta-feira, 22 de outubro de 2026
Impasse na saúde da capital

Sindicatos cobram a Prefeitura de Goiânia prioridade à saúde diante de repasse de R$ 6 mi a clubes de futebol

Simego e Sindsaúde questionam prioridades do município enquanto problemas em unidades de urgência e emergência se acentuam

Renata Ferrazpor em
Sindicatos cobram a Prefeitura de Goiânia prioridade à saúde diante de repasse de R$ 6 mi a clubes de futebol
Sindicatos reconhecem importância do esporte, mas questionam escolha enquanto rede municipal enfrenta falta de medicamentos, profissionais e equipamentos - Divulgacao/MPGO

A decisão da Prefeitura de Goiânia de destinar R$ 6 milhões para um projeto de patrocínio envolvendo Goiás, Vila Nova e Atlético-GO ocorre em um momento delicado para a rede municipal de Saúde. Enquanto o Executivo encontra espaço no orçamento para uma ação de divulgação da Capital por meio do futebol, unidades de urgência e emergência continuam enfrentando problemas que afetam diretamente o atendimento à população.

O valor destinado aos clubes não é o mesmo recurso que esteve no centro da recente discussão sobre o financiamento da Saúde. A Prefeitura e a Câmara Municipal dividirão os R$ 6 milhões, sendo R$ 3 milhões do Executivo e R$ 3 milhões provenientes de sobras orçamentárias do Legislativo. O repasse será feito à Federação Goiana de Futebol (FGF), responsável pela distribuição aos três clubes.

A Prefeitura justifica o investimento como uma estratégia de promoção institucional de Goiânia. Segundo a administração, a exposição durante os jogos pode divulgar a imagem e os atrativos turísticos da Capital, além de movimentar setores como hotelaria, gastronomia e comércio. O projeto também é apresentado como uma forma de fomentar o esporte e contribuir para a geração de emprego e renda.

Para as entidades médicas, entretanto, o momento exige outra discussão: a definição das prioridades do dinheiro público. O Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego) afirma que a aplicação dos recursos deve considerar, antes de tudo, as necessidades essenciais da população. A entidade reconhece a importância do esporte e do futebol para a cidade, mas questiona a escolha de direcionar recursos para essa finalidade diante das dificuldades enfrentadas atualmente pela Saúde municipal.

Na avaliação do Simego, a rede de Saúde enfrenta falta de medicamentos, insumos e equipamentos, déficit de profissionais e dificuldades na realização de exames. O sindicato também chama atenção para as condições de trabalho dos profissionais e afirma que uma eventual redução de aproximadamente R$ 6 milhões mensais na Saúde representaria R$ 72 milhões a menos por ano, ampliando a preocupação sobre a capacidade de atendimento da rede.

O Sindicato dos Trabalhadores do Sistema Único de Saúde no Estado de Goiás (Sindsaúde) adota posição semelhante. A entidade afirma reconhecer a importância do futebol e do incentivo ao esporte, mas questiona a destinação de recursos públicos aos clubes enquanto a rede municipal convive com falta de medicamentos, insumos e equipamentos, além de déficit de profissionais e dificuldades relacionadas às condições de trabalho.

Os problemas apontados pelos sindicatos não são apenas uma avaliação das entidades. Inspeções realizadas pelo Ministério Público de Goiás (MP-GO) em unidades de urgência e emergência identificaram falta de medicamentos, materiais e equipamentos, além de dificuldades na realização de exames e insuficiência de profissionais. Em uma nova vistoria, realizada em agosto, parte das irregularidades permanecia. Entre os problemas encontrados estava a ausência de hemogasometria, exame utilizado na avaliação de pacientes em estado grave.

Permanência por mais de 24 horas

O MP-GO também identificou pacientes que permaneciam por mais de 24 horas nas unidades, insuficiência de profissionais e dificuldades na oferta de exames. Diante da permanência dos problemas, o Ministério Público levou o caso à Justiça e pediu providências para garantir o abastecimento das unidades e a realização do exame.

Outro ponto de tensão envolve justamente os médicos credenciados. Em setembro, o Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) proibiu a Prefeitura de reduzir plantões, escalas, horários de atendimento, unidades ou serviços essenciais da rede municipal. A discussão surgiu após a definição de um limite de R$ 4 milhões para pagamentos de profissionais credenciados com recursos do Tesouro Municipal, enquanto a média anterior era de aproximadamente R$ 10 milhões.

O Simego afirma que a redução poderia atingir até 160 mil atendimentos mensais na rede de urgência e emergência e relata que já havia identificado redução de plantões e escalas desfalcadas. Segundo o sindicato, a situação é ainda mais preocupante porque ocorre em uma rede que já enfrenta problemas de abastecimento e falta de profissionais.

Questionamentos

É nesse cenário que a aplicação dos R$ 6 milhões ao futebol passa a ser questionada pelas entidades. Não se trata, segundo os próprios dados, de afirmar que o dinheiro destinado aos clubes foi retirado diretamente da Saúde. 

O Simego defende que a Prefeitura mantenha transparência, planejamento e responsabilidade na aplicação dos recursos municipais e que as necessidades essenciais da população sejam consideradas na definição das prioridades. O Sindsaúde também cobra que os serviços essenciais tenham preferência diante das dificuldades enfrentadas pela rede.

Leia mais aqui: 

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
saúde da capital sindicatos

Veja também

Adolescente é apreendido suspeito de matar filho de 3 meses em Caiapônia

Crime

Adolescente é apreendido suspeito de matar filho de 3 meses em Caiapônia

Segundo a Polícia Militar, jovem relatou ter apertado o pescoço do bebê enquanto ele chorava; mor...
México suspende importações de frango brasileiro e Goiás reforça vigilância sanitária

Exportações

México suspende importações de frango brasileiro e Goiás reforça vigilância sanitária

Suspensão ocorreu após foco da doença de Newcastle em uma granja de Santa Catarina; Goiás não r...
Carteira assinada cancela o Bolsa Família? Entenda como o auxílio funciona

DÚVIDA SOBRE BENEFÍCIOS

Carteira assinada cancela o Bolsa Família? Entenda como o auxílio funciona

Emprego formal não provoca corte automático; permanência depende da renda por pessoa, da data de ...
Bombeiros resgatam arara encontrada em residência e a devolvem ao ninho em Caiapônia

MEIO AMBIENTE

Bombeiros resgatam arara encontrada em residência e a devolvem ao ninho em Caiapônia

Sem ferimentos aparentes, ave foi recolocada no ninho após suspeita de que ainda estivesse aprenden...
Goiânia autoriza regularização de 481 imóveis no Condomínio Rio Branco

Direito à moradia

Goiânia autoriza regularização de 481 imóveis no Condomínio Rio Branco

Escrituras serão entregues gratuitamente em até 120 dias; moradores aguardam há décadas pela doc...
Goiás tem alerta para tempestades com ventos de até 60 km/h e granizo para esta quinta-feira (23)

PREVISÃO DO TEMPO

Goiás tem alerta para tempestades com ventos de até 60 km/h e granizo para esta quinta-feira (22)

Aviso amarelo do Inmet vale até as 23h59 desta quinta-feira (22); previsão inclui chuva de até 50...
mercado central

memória goiana

Sete mercados municipais preservam história e tradição de Goiânia

Criados a partir da expansão de Goiânia, os espaços reúnem comércio, gastronomia, artesanato, m...
UEG abre seleção para intérprete de Libras com remuneração de R$ 2,9 mil

Concurso Público

UEG abre seleção para intérprete de Libras com remuneração de R$ 2,9 mil

Inscrições gratuitas vão de 20 de outubro a 19 de novembro