quinta-feira, 30 de julho de 2026
Saúde Estadual

Pacientes denunciam demora e falta de medicamentos de alto custo no Juarez Barbosa em Goiânia

Usuários relatam demora de horas no atendimento e desabastecimento de remédios essenciais para câncer, epilepsia, esclerose múltipla e outras doenças

Renata Ferrazpor Renata Ferraz em 30 de julho de 2026 às 00:32
Pacientes denunciam demora e falta de medicamentos de alto custo no Juarez Barbosa em Goiânia
Secretaria de Saúde afirma que parte dos casos depende do Ministério da Saúde e de fornecedores - Divulgação/SES-GO

Chegar ainda de madrugada, enfrentar horas de espera e, ao final do atendimento, descobrir que o medicamento não está disponível. Essa tem sido a rotina relatada por pacientes que dependem do Centro Estadual de Medicação de Alto Custo (Cemac) Juarez Barbosa, em Goiânia. Além da demora no atendimento, usuários também denunciam dificuldades recorrentes para retirar medicamentos essenciais ao tratamento de doenças graves e crônicas.

As queixas, no entanto, não se limitam à falta de medicamentos. Pacientes afirmam que o atendimento é marcado por longas filas e demora excessiva. Um deles relata que precisa se ausentar do trabalho sempre que vai à unidade.

“Tenho que matar serviço para conseguir pegar o remédio. Chego cedo e só saio de lá à tarde. Já quase perdi o emprego por causa disso”, contou. Outra paciente afirma que, mesmo com o sistema de agendamento, a espera continua longa e desorganizada.

“Eles marcam a data para retirar justamente para não ter muita gente, mas não estão cumprindo esse compromisso. E, se a gente não vai no dia marcado, não consegue retirar a medicação”, relatou.

Além disso, usuários apontam problemas estruturais na unidade, como falta de cadeiras, número reduzido de atendentes e ausência de triagem para agilizar o fluxo.

“O local para sentar é insuficiente, o prédio está sucateado, faltam colaboradores e o atendimento demora muito. Isso quando o remédio não está em falta”, disse outra paciente.

Nas redes sociais, as críticas se repetem. “Está um absurdo. Quando você finalmente chega ao atendimento, descobre que o remédio acabou”, escreveu uma usuária. Outra paciente relatou dificuldades para conseguir o Metotrexato, usado no tratamento da artrite reumatoide.

Remédios essenciais estão indisponíveis

A consulta ao sistema de estoque do próprio Cemac mostra que diversos medicamentos utilizados no tratamento de doenças graves aparecem como indisponíveis. Entre eles estão a Ciclofosfamida, indicada para alguns tipos de câncer e doenças autoimunes; o Fumarato de Dimetila, usado por pacientes com esclerose múltipla; o Topiramato, destinado ao controle da epilepsia; a Hidroxiureia, utilizada no tratamento de leucemia e anemia falciforme; além de Tafamidis, Teriparatida, Dupilumabe e Ziprasidona.

Para muitos pacientes, esses medicamentos têm alto custo e só são acessíveis por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). A interrupção do tratamento pode comprometer o controle da doença e agravar o quadro clínico.

No início do ano de 2026, o Cemac passou a exigir o cumprimento rigoroso da data agendada para retirada dos medicamentos. Segundo o Governo de Goiás, a medida foi adotada após o aumento da demanda e o comparecimento de pacientes fora do dia marcado, o que vinha provocando filas e sobrecarga no atendimento.

Pelas novas regras, os medicamentos são entregues apenas na data agendada. Caso o paciente não possa comparecer, a retirada pode ser feita por um representante previamente cadastrado no sistema. Apesar da mudança, usuários afirmam que os problemas persistem e relatam longos períodos de espera mesmo quando comparecem no dia marcado.

SES atribui falta a fornecedores e ao Ministério da Saúde

Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) informou que os medicamentos enfrentam diferentes causas de desabastecimento. No caso da Ciclofosfamida, a pasta afirma que há desabastecimento nacional após a paralisação da produção pelo único laboratório fabricante no País.

Já o Fumarato de Dimetila, Tafamidis e Ziprasidona dependem exclusivamente do envio do Ministério da Saúde, que ainda conclui processos de aquisição. O Dupilumabe aguarda finalização de compra pelo Estado, enquanto o Topiramato e a Teriparatida já tiveram aquisição concluída e aguardam entrega pelos fornecedores.

 A previsão é que o Topiramato seja disponibilizado novamente na primeira quinzena de agosto. No caso da Hidroxiureia, o medicamento já chegou ao Cemac, mas ainda depende da conclusão de trâmites administrativos para liberação aos pacientes.

A SES-GO destacou ainda que o Cemac oferece 276 apresentações diferentes de medicamentos e que, atualmente, oito itens estão temporariamente indisponíveis, o equivalente a cerca de 2% do estoque. A secretaria afirmou que mantém monitoramento constante junto ao Ministério da Saúde e aos fornecedores para regularizar o abastecimento e reduzir os impactos aos pacientes.

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