quarta-feira, 29 de julho de 2026
Economia brasileira

Inflação perde força em julho com queda nos preços dos alimentos, mostra IPCA-15

Prévia da inflação acumula 4,52% em 12 meses. Resultado reforça expectativa de redução da Selic na próxima reunião do Copom

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 29 de julho de 2026 às 09:00
Inflação perde força em julho com queda nos preços dos alimentos, mostra IPCA-15

A prévia da inflação oficial do Brasil desacelerou em julho e registrou o menor resultado para o mês em dois anos. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta terça-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou em 0,06%, após avançar 0,41% em junho. O resultado também veio abaixo da expectativa do mercado, que projetava alta de 0,22%.

No acumulado do ano, o indicador registra alta de 3,51%. Já nos últimos 12 meses, a inflação ficou em 4,52%, abaixo dos 4,80% registrados na divulgação anterior e mais próxima do teto da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

O que fez a inflação perder força?

A desaceleração da inflação foi impulsionada, principalmente, pela queda nos preços dos alimentos consumidos em casa. O grupo de alimentação no domicílio recuou 1,14% no mês.

Entre os produtos que ficaram mais baratos estão o tomate, com queda de 19,95%, a batata-inglesa (-10,03%), o café moído (-3,13%) e as carnes (-0,34%). Por outro lado, alguns itens apresentaram alta, como a cebola (7,10%) e o pão francês (0,65%).

Inflação

Segundo analistas, o desempenho dos alimentos foi decisivo para que o índice ficasse abaixo das projeções do mercado.

Quais itens impediram uma inflação ainda menor?

Apesar da retração nos alimentos, alguns grupos impediram que o índice registrasse deflação em julho.

O principal impacto veio da energia elétrica residencial, que subiu 3,03%. O aumento ocorreu em razão da bandeira tarifária amarela e de reajustes aplicados em cidades como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Belo Horizonte.

Além disso, o grupo de saúde e cuidados pessoais avançou 0,28%, impulsionado pelos reajustes dos planos de saúde e pela alta dos produtos de higiene pessoal. O perfume, por exemplo, registrou aumento de 1,74%.

No grupo dos transportes, as passagens aéreas subiram 11,70%. Em contrapartida, os combustíveis apresentaram queda de 0,90%, com redução nos preços da gasolina, etanol, óleo diesel e gás veicular.

O que muda para a economia?

O resultado reforçou a percepção de desaceleração da inflação observada nas últimas semanas. O Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, reduziu pela quarta semana consecutiva a projeção para o IPCA de 2026, agora estimado em 5,12%.

Economistas avaliam que a queda dos alimentos e dos combustíveis abre espaço para uma inflação mais moderada nos próximos meses. Além disso, parte do mercado passou a considerar mais provável uma redução da taxa básica de juros na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).

Ainda assim, especialistas apontam fatores que podem pressionar os preços no restante do ano. Entre eles estão os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre a produção agrícola e os impactos da cotação internacional do petróleo, que influencia os custos de energia, combustíveis e transporte.

Mesmo diante dessas incertezas, a expectativa predominante é de que a inflação siga desacelerando no curto prazo, desde que não ocorram novos choques externos ou climáticos.

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