quarta-feira, 29 de julho de 2026
NEGÓCIOS

Jovens trocam a CLT pelo próprio negócio em nova onda empreendedora

Com avanço de 25% em 12 anos, empreendedorismo entre pessoas de 18 a 29 anos ganha força

Otavio Augustopor Otavio Augusto em 29 de julho de 2026 às 10:00
Jovens trocam a CLT pelo próprio negócio em nova onda empreendedora

A ideia de construir uma carreira exclusivamente por meio do emprego com carteira assinada já não é consenso entre os brasileiros mais jovens. Cada vez mais profissionais entre 18 e 29 anos escolhem abrir o próprio negócio como alternativa para gerar renda, conquistar autonomia e transformar habilidades em oportunidades de mercado. O movimento vem ganhando força nos últimos anos e altera o perfil do mercado de trabalho brasileiro.

Levantamento do Sebrae, elaborado com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua/IBGE), mostra que o Brasil encerrou 2024 com aproximadamente 4,9 milhões de jovens donos de negócios, número 25% superior ao registrado em 2012, quando eram cerca de 3,9 milhões. O crescimento confirma que o empreendedorismo deixou de ser apenas uma alternativa diante do desemprego e passou a integrar o planejamento profissional de uma nova geração.

negócio

Tecnologia reduz barreiras para abrir um negócio

Grande parte dessa transformação está ligada ao avanço da tecnologia. Plataformas de comércio eletrônico, redes sociais, aplicativos de pagamento, marketplaces e ferramentas digitais reduziram significativamente o investimento inicial necessário para empreender.

Hoje, muitos jovens conseguem iniciar um negócio utilizando apenas um celular, internet e conhecimento sobre vendas digitais. Serviços como marketing digital, produção de conteúdo, design, programação, consultoria, aulas on-line, além do comércio eletrônico de roupas, cosméticos, alimentos e produtos artesanais, figuram entre as principais portas de entrada para novos empreendedores.

O exemplo de Pedro Toledo, que começou a empreender ainda no ensino médio e hoje atende mais de 100 clientes trabalhando de casa, ilustra uma tendência cada vez mais comum entre jovens brasileiros: transformar pequenos projetos em empresas sustentáveis utilizando ferramentas digitais.

Escolaridade e renda também evoluem

O crescimento não acontece apenas em quantidade. O perfil do jovem empreendedor também mudou. Segundo o Sebrae, houve aumento expressivo da escolaridade desse público nos últimos anos.

A parcela de jovens empreendedores com ensino médio completo passou de 33% para 47,5% entre 2012 e 2024. Além disso, aproximadamente 17% já concluíram o ensino superior, enquanto cerca de 9% cursam graduação.

A renda também apresentou evolução. Em 2024, o rendimento médio dos jovens donos de negócios alcançou R$ 2.567, o maior valor desde o início da série histórica. Nos últimos três anos, esse rendimento cresceu 25,4%, desempenho superior ao crescimento médio observado entre todos os donos de negócios do país. Apesar do avanço, a renda ainda permanece abaixo da média nacional dos empreendedores, estimada em R$ 3.477.

Goiás acompanha expansão dos pequenos negócios

Em Goiás, o ambiente também favorece quem deseja empreender. Dados da Junta Comercial do Estado de Goiás (Juceg) mostram que o estado bateu recorde de abertura de empresas em 2024, alcançando 38.306 novos registros. Atualmente, Goiás possui mais de 537 mil empresas ativas, número que ultrapassa 1,18 milhão de CNPJs quando considerados os Microempreendedores Individuais (MEIs). Goiânia concentra cerca de 30,5% dessas empresas.

O Sebrae Goiás também intensificou programas voltados à formação de novos empreendedores, como o GO! Jovem, iniciativa direcionada ao público de 18 a 29 anos. Em 2026, o programa passou a focar ainda mais na digitalização de pequenos negócios, aproximando os participantes de ferramentas como inteligência artificial, comércio eletrônico, marketing digital e gestão empresarial.

 

 

Além disso, os pequenos negócios continuam sendo protagonistas da economia goiana. Eles representam cerca de 94% das empresas ativas do estado e respondem por aproximadamente 67% dos empregos formais, reforçando a importância do empreendedorismo para o desenvolvimento econômico regional.

Planejamento continua sendo decisivo

Apesar do crescimento acelerado, especialistas alertam que empreender exige muito mais do que uma boa ideia. Planejamento financeiro, conhecimento de mercado, organização administrativa e capacitação continuam sendo fatores determinantes para a sobrevivência dos negócios.

O avanço do empreendedorismo jovem revela uma mudança estrutural no mercado de trabalho brasileiro. Para uma parcela crescente da população entre 18 e 29 anos, construir uma empresa própria passou a representar não apenas uma fonte de renda, mas também uma oportunidade de autonomia, flexibilidade e realização profissional.

 

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