terça-feira, 26 de maio de 2026
ATENÇÃO

Conta de luz pode ficar até 20% mais cara; saiba o motivo

Estudo da Fieg aponta que leilão bilionário do governo federal pode elevar tarifas de energia para consumidores e indústrias em todo o país

Micael Mourapor Micael Moura em 26 de maio de 2026
Conta
Conta de luz pode subir até 20% após leilão bilionário de energia promovido pelo governo federal Foto: Reprodução

A Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg) divulgou um estudo técnico alertando para o risco de aumento nas tarifas de energia elétrica após o Leilão de Reserva de Capacidade (LRCAP 2026), promovido pelo governo federal. Segundo a entidade, a conta de luz pode subir pelo menos 10% para consumidores residenciais e começar em 20% para o setor industrial.

O levantamento, publicado pela Gerência de Desenvolvimento Industrial da Fieg, aponta que o governo contratou 19,5 gigawatts (GW) de energia de reserva — volume mais de seis vezes superior à demanda atual estimada em até 3 GW.

De acordo com o estudo, o custo inicial do contrato é estimado em R$ 517 bilhões, podendo chegar a R$ 1 trilhão em cenários de crise hídrica. O valor seria repassado aos consumidores por meio das tarifas de energia.

Fieg critica uso de fontes fósseis e contratos de longo prazo

A entidade afirma que o leilão favorece fontes de energia como diesel e gás natural, aumentando a dependência de combustíveis fósseis e deixando o país vulnerável a oscilações geopolíticas e de preços internacionais.

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O presidente do Conselho Temático de Infraestrutura da Fieg, Célio Eustáquio de Moura, criticou o modelo adotado pelo governo federal.

“Uma conta que pode chegar a R$ 1 trilhão em nome de uma reserva que excede em muito a necessidade real”, afirmou.

Segundo o dirigente, Goiás possui alternativas mais baratas, rápidas e sustentáveis para ampliar a matriz energética, especialmente com fontes limpas.

Estudo aponta possíveis irregularidades

O documento da Fieg também questiona a legalidade e a condução do certame. Entre os pontos levantados estão:

  • Ausência de Análise de Impacto Regulatório (AIR);
  • Falta de justificativa técnica proporcional;
  • Contratos de 15 anos considerados excessivos;
  • Baixa concorrência no leilão;
  • Incentivo a fontes de alto carbono.

A entidade argumenta ainda que o modelo contraria diretrizes da Política Nacional sobre Mudança do Clima e da Nova Indústria Brasil (NIB), política industrial criada pelo governo federal.

Impactos para Goiás e indústria nacional

Segundo a Fieg, o aumento das tarifas pode elevar o chamado “Custo Brasil”, tornando a produção industrial mais cara e reduzindo a competitividade de empresas brasileiras no mercado nacional e internacional.

O estudo alerta ainda para possíveis impactos na economia goiana, especialmente nos setores agroindustrial e mineral, que dependem de energia estável e com custo reduzido.

“Se a tarifa sobe 20%, o custo de produção explode. Isso desestimula novos investimentos, encarece o produto goiano no exterior e gera inflação para o consumidor local”, afirmou Célio Eustáquio.

Apesar de recomendação do Ministério Público Federal para suspensão da homologação do leilão, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) manteve a validação dos resultados do certame.

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