NEGÓCIOS

Empresas iniciam adaptação às novas regras da reforma tributária

Perfil econômico de Goiás deve tornar adaptação intensa em setores que concentram grande volume de emissão de documentos fiscais

Lalice Fernandespor Lalice Fernandes em 1 de agosto de 2026 às 10:52
reforma tributária
Agronegócio, indústria, comércio e transporte de cargas estão entre os segmentos goianos que devem sentir primeiro os efeitos (Foto: Towfiqu Barbhuiya/Unsplash)

Empresas tributadas pelo lucro real e pelo lucro presumido terão de cumprir uma nova obrigação da reforma tributária a partir da próxima segunda-feira (3). Mesmo sem pagar os novos tributos neste ano, os negócios passarão a informar nas notas fiscais eletrônicas os valores do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). A mudança marca o início da fase prática de implantação da reforma e exigirá adaptações nos sistemas, na emissão de documentos fiscais e na rotina de diversos setores da economia.

A nova exigência faz parte do cronograma divulgado, nesta sexta-feira (31/7), pela Receita Federal e pelo Comitê Gestor do IBS para testar o funcionamento do modelo que substituirá gradualmente os tributos atuais sobre o consumo. Em 2026, os valores informados terão caráter apenas informativo e servirão para validar o novo sistema. A cobrança efetiva dos tributos ainda não começará, mas o preenchimento correto das notas já será obrigatório para as empresas enquadradas nessa primeira etapa. 

A mudança alcança documentos amplamente utilizados pelas empresas, como a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e), a Nota Fiscal de Consumidor Eletrônica (NFC-e), o Conhecimento de Transporte Eletrônico (CT-e), o Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e a Nota Fiscal de Energia Elétrica (NF3-e). Ao longo dos próximos meses, outros documentos serão incorporados ao cronograma.

Impacto em Goiás

Segundo especialistas, em Goiás a adaptação deve ser mais intensa nos segmentos que mais movimentam a economia estadual. Agronegócio, agroindústria, indústria, comércio e transporte de cargas concentram grande volume de emissão de documentos fiscais eletrônicos e, por isso, serão os primeiros a sentir os efeitos dessa etapa da reforma. De acordo com o advogado tributarista, Sidney Torres, esses setores “tendem a enfrentar maior complexidade tributária”. 

Segundo o economista Leonardo Ferraz e o advogado tributarista Tiago Freitas de Oliveira, a obrigatoriedade vai muito além da inclusão de novos campos nas notas fiscais. As empresas precisarão revisar cadastros, atualizar sistemas e verificar se cada operação está corretamente classificada para evitar problemas quando a cobrança dos novos tributos começar.

Os especialistas destacam que o perfil econômico goiano torna essa preparação ainda mais relevante. O Estado reúne desde pequenos produtores rurais até grandes agroindústrias e empresas que cresceram sob regras tributárias diferentes das que passarão a valer nos próximos anos. Segundo Ferraz, isso exigirá “revisão de custos, planejamento tributário e maior controle sobre créditos fiscais, principalmente nas operações interestaduais e de exportação”.

Grandes empresas já iniciaram preparação

Além das mudanças na emissão das notas fiscais, a nova etapa exige uma revisão detalhada das informações cadastradas pelas empresas. Será necessário atualizar produtos, serviços, clientes e fornecedores, além de configurar corretamente os sistemas para identificar o Código de Situação Tributária (CST-IBS/CBS) e o Código de Classificação Tributária (cClassTrib) de cada operação.

“Não se trata apenas de incluir duas alíquotas na nota fiscal. A empresa precisa analisar a natureza de cada operação, definir corretamente o CST e o cClassTrib e observar se aquele produto ou serviço possui redução de base de cálculo, tratamento diferenciado ou outra regra específica”, afirma o conselheiro do Conselho Regional de Contabilidade de Goiás (CRC-GO), Fernando Witicovski.

Em Goiás, Fernando avalia que as empresas de grande porte iniciaram essa preparação com maior antecedência, principalmente por contarem com equipes tributárias, assessorias especializadas e estruturas tecnológicas mais robustas. Parte das empresas de médio porte também já avançou na atualização dos sistemas. 

O maior desafio, segundo o conselheiro, permanece entre pequenos negócios e prestadores de serviços que não fazem parte do Simples Nacional, mas são tributados pelo lucro presumido e possuem estruturas administrativas reduzidas.

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