domingo, 25 de outubro de 2026
NEGÓCIOS

Brasileiro compra menos celulares, mas investe mais em modelos premium

Receita global de smartphones cresce 7% mesmo com queda nas vendas, puxada pelos modelos premium e pelo aumento dos preços

Otavio Augustopor em
Brasileiro compra menos celulares, mas investe mais em modelos premium

O mercado global de smartphones vive uma transformação que altera a lógica da indústria. Se antes o sucesso era medido pelo número de aparelhos vendidos, agora o foco está cada vez mais no valor gerado por cada unidade comercializada. Mesmo com a queda no volume de remessas, o setor registrou crescimento da receita, impulsionado pela valorização dos modelos premium, pela elevação dos preços médios e por um consumidor disposto a trocar de celular com menos frequência, mas investindo mais quando decide comprar.

Levantamento da Counterpoint Research mostra que o mercado mundial de smartphones movimentou US$ 109 bilhões no segundo trimestre de 2026, alta de 7% na comparação anual e o maior faturamento já registrado para um segundo trimestre. O resultado foi alcançado mesmo com retração nas entregas globais de aparelhos, reflexo do aumento dos preços e da maior participação dos dispositivos de alto padrão.

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A mudança ocorre em um momento de pressão sobre toda a cadeia produtiva. A escassez global de chips de memória DRAM e NAND elevou significativamente os custos de fabricação, enquanto conflitos geopolíticos, aumento do frete internacional e inflação também pressionaram o setor. Em vez de disputar mercado apenas pelo volume, as fabricantes passaram a concentrar esforços em produtos com maior margem de lucro, reduzindo a oferta de aparelhos de entrada.

Apple amplia liderança em faturamento

A principal beneficiada por esse movimento foi a Apple. Segundo a Counterpoint, a fabricante respondeu por 49% de toda a receita mundial do mercado de smartphones entre abril e junho, sua maior participação histórica em um segundo trimestre.

O desempenho foi sustentado pelo crescimento de 22% na receita, aumento de 13% nas remessas e valorização de aproximadamente 8% no preço médio dos aparelhos vendidos. A estratégia da empresa de manter preços relativamente estáveis durante boa parte do trimestre, enquanto concorrentes elevaram valores, fortaleceu sua competitividade no segmento premium.

Embora a Apple represente cerca de um quinto das unidades comercializadas globalmente, ela concentra praticamente metade do faturamento da indústria, evidenciando a força dos aparelhos de maior valor agregado.

A Samsung permaneceu na segunda colocação em receita, respondendo por cerca de 16% do faturamento mundial. A fabricante sul-coreana também registrou crescimento impulsionado pela linha Galaxy S26 e pelo bom desempenho em mercados como Oriente Médio, África e Índia.

Preço médio sobe e muda o comportamento do consumidor

Outro indicador que demonstra a transformação do setor é o preço médio global dos smartphones.

No segundo trimestre de 2026, o valor médio chegou a US$ 400, crescimento de aproximadamente 17% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto aparelhos da Apple permaneceram acima de US$ 900 em média.

A alta é resultado de diversos fatores. Além do aumento dos custos industriais, fabricantes reduziram a produção de modelos básicos e ampliaram o investimento em aparelhos premium equipados com inteligência artificial embarcada, câmeras mais sofisticadas, telas de maior resolução, baterias mais eficientes e maior capacidade de armazenamento.

Outro aspecto importante é o aumento da vida útil dos smartphones. Atualizações prolongadas de software, maior durabilidade dos componentes e avanços tecnológicos fizeram com que muitos consumidores permanecessem quatro, cinco ou até seis anos com o mesmo aparelho antes da troca.

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Como consequência, quando decidem comprar um novo dispositivo, muitos consumidores preferem investir em modelos mais completos.

Fabricantes chinesas enfrentam maior pressão

Enquanto Apple e Samsung conseguiram ampliar participação em receita, fabricantes mais dependentes dos segmentos de entrada e intermediário enfrentaram um cenário mais difícil.

Segundo a Counterpoint, Xiaomi, OPPO e vivo registraram quedas de dois dígitos nas remessas durante o trimestre, pressionadas principalmente pela alta dos custos de memória e pela redução da demanda entre consumidores mais sensíveis ao preço.

O problema afeta principalmente aparelhos abaixo da faixa premium, justamente onde a concorrência é mais intensa e as margens de lucro são menores.

Analistas avaliam que a crise no fornecimento de memórias deverá continuar pressionando esse segmento ao longo dos próximos meses, tornando menos rentável a fabricação de celulares básicos.

 

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