terça-feira, 26 de maio de 2026
Agronegócio

Seca ameaça safra de milho em Goiás e aumenta preocupação no campo

Redução das chuvas desde abril afeta lavouras em fase decisiva de desenvolvimento; produção goiana deve cair 16,7% na safra 2025/26

João Césarpor João César em 26 de maio de 2026
Safra
Com menos chuvas e baixa umidade do solo, produtores goianos acompanham com preocupação o desenvolvimento do milho segunda safra nas principais regiões agrícolas do estado - Foto: Wenderson Araujo/CNA

Atualmente a segunda safra do ano está em curso, mas com a redução das chuvas a produtividade está ameaçada. Desde abril, em Goiás, o volume chuvoso tem diminuído e passou a preocupar produtores rurais diante dos impactos sobre o desenvolvimento do milho plantado.

A fase em que a safra se encontra no momento é considerada decisiva para a formação dos grãos, com a queda na umidade parte das lavouras podem ser impactadas. Os dados fazem parte da edição de maio do boletim Agro em Dados, divulgado pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás (Seapa). O levantamento aponta que uma parcela significativa das áreas cultivadas no País está justamente em etapas mais sensíveis à falta de água.

 

Na primeira semana de maio de 2026, aproximadamente 33% das lavouras brasileiras de milho estavam na fase de floração, enquanto 54,2% já se encontravam em enchimento de grãos, período que exige maior disponibilidade hídrica para garantir produtividade adequada.

Dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) mostram que a produção total de milho está estimada em 11,8 milhões de toneladas, o que representa uma redução de 16,7% em relação à safra anterior, uma queda de aproximadamente 2,3 milhões de toneladas. Segundo o assessor técnico da Faeg, Lucas Lopes, essa queda na produção é reflexo de uma postura mais cuidadosa por parte do produtor rural.

“O resultado reflete uma postura mais conservadora do produtor rural diante das oscilações climáticas, dos elevados custos de produção, das condições de mercado observadas ao longo da temporada e do alto nível de endividamento do setor”, explica.

 

Incertezas no campo

 

Em Goiás, a irregularidade das chuvas elevou a preocupação com o desempenho da safrinha, principalmente devido à permanência do clima seco nas principais regiões produtoras do estado.

 

Atualmente, o milho segunda safra representa a maior parte da produção nacional do cereal e exerce papel importante no abastecimento interno e nas exportações brasileiras. Por isso, eventuais perdas provocadas pelo clima podem gerar reflexos diretos sobre preços e oferta no mercado.

No estado, as regiões mais afetadas, segundo o assessor da Faeg, são o sudoeste goiano e o extremo sul de Goiás. “Essas áreas concentram a maior parcela da produção de milho 2ª safra do estado, impulsionadas pela presença de importantes agroindústrias e o sistema modal logístico. Nessas regiões, o déficit hídrico tem sido mais severo, comprometendo o desenvolvimento das lavouras, principalmente aquelas implantadas fora da janela ideal”, complementa.

 

Além dos impactos da chuva, a produção do grão também é impactada por um cenário internacional de maior disponibilidade, um fator que vem pressionando para baixo as cotações nas últimas semanas. Segundo o levantamento da pasta estadual de agricultura, os preços do milho caíram 4,2% em abril na comparação com março, influenciados tanto pelo mercado externo quanto pelo cenário doméstico.


Etanol 

 

A produção de etanol pode ser responsável pelo consumo do milho produzido no território nacional. A produção de etanol de milho saltou de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19 para 782,5,6 milhões de litros projetados para 2025/26, segundo a CONAB, crescimento superior a quatro vezes no período.

“Mesmo diante da queda recente nos preços do milho, o avanço da produção de etanol de milho tende a contribuir para a sustentação do mercado goiano.[…]Esse movimento ajuda a reduzir a dependência exclusiva das exportações e do mercado tradicional, além de agregar valor à cadeia produtiva, fortalecendo a industrialização do milho no estado”, ressalta Lucas Lopes

O crescimento expressivo reforça a importância da agroindústria na absorção da produção estadual e ajuda a sustentar a demanda interna pelo cereal. Além da produção de combustível, o setor também impulsiona a fabricação de coprodutos destinados à nutrição animal, ampliando a integração entre agricultura, energia e pecuária

Outro ponto importante para os produtores de milho é o avanço das exportações de produtos derivados do milho. O avanço das exportações em Goiás, com destaque para a cadeia produtiva do milho, revela uma mudança significativa no perfil da agropecuária goiana, impulsionada pelo crescimento da agroindustrialização e pela ampliação da capacidade de processamento no estado. 

 

Mesmo com a queda nas exportações de milho in natura no primeiro trimestre de 2026, os embarques de produtos industrializados,  como amido, farinha, óleo e milho doce preparado, atingiram o maior valor da série histórica para o período. O desempenho é resultado da expansão das indústrias de processamento em Goiás, da diversificação dos destinos comerciais e do fortalecimento das relações com o mercado externo.

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