sexta-feira, 8 de maio de 2026
Negócios

Goiás registra alta na abertura de empresas, mas inadimplência preocupa empreendedores

Estado abriu mais de 15 mil novos CNPJs em abril de 2026, impulsionado pelos MEIs; ao mesmo tempo, Brasil encerrou 2025 com recorde de 8,9 milhões de empresas inadimplentes

João Césarpor João César em 7 de maio de 2026
Goiás
Especialistas apontam falta de planejamento financeiro e juros elevados como principais fatores para o aumento da inadimplência entre micro e pequenas empresas - Foto: Cristiano Borges

Nos últimos anos, em todo o Brasil há um aumento no número de novos CNPJs registrados nas Juntas Comerciais. Em Goiás, cerca de 15.671 novos CNPJs foram registrados em abril de 2026. O número representa crescimento de 13,6% em comparação com o mesmo período de 2025, impulsionado principalmente pelo avanço dos microempreendedores individuais (MEIs). Os dados são da Junta Comercial do Estado de Goiás.

Os registros de MEIs passaram de 10.243 para 11.731 no período, alta de 14,5%. Já as micro, pequenas, médias e grandes empresas saltaram de 3.493 para 3.940 novos negócios, crescimento de 12,8%. O Estado já contabiliza 74.973 novos negócios abertos em 2026. Desse total, quase 58 mil são MEIs.

Esse cenário mostra que há uma grande procura por soluções empreendedoras no Brasil, principalmente em um cenário de maior instabilidade. Porém, ainda é muito comum que pessoas sem experiência encontrem dificuldades ao gerir os seus negócios. Nesse sentido, dados do Serasa Experian mostram que o ano de 2025 terminou com 8,9 milhões de empresas inadimplentes no Brasil, mantendo o maior patamar da série histórica do Indicador de Inadimplência das Empresas da Serasa Experian.

As dívidas negativadas das empresas brasileiras somaram R$ 213 bilhões em dezembro de 2025. O resultado reflete um cenário econômico ainda desafiador ao longo do ano. Segundo o levantamento, cada empresa inadimplente acumulava, em média, sete contas negativadas. A dívida média por CNPJ chegou a R$ 23.818,30, enquanto o valor médio por débito ficou em R$ 3.380,90.

Em dezembro de 2025, o setor de Serviços liderou o número de empresas inadimplentes (55,2%), seguido por Comércio (32,7%) e Indústria (8,1%). A origem das dívidas também teve maior volume em Serviços (31,5%), seguido por Bancos e Cartões (19,3%).

Do total de empresas inadimplentes no período, 8,5 milhões eram micro e pequenas empresas, responsáveis por R$ 185,4 bilhões em dívidas acumuladas. Esse grupo apresentou média de 6,7 contas em atraso por empresa. Os fatores que influenciaram para isso foi o crédito mais restritivo e custos financeiros elevados, reduzindo a capacidade de muitas empresas de renegociar dívidas e recompor capital de giro.

Motivos para o endividamento

De acordo com o contador Cassiano Rodrigues, o principal fator de endividamento para MEIs é a falta de conhecimento administrativo e financeiro para gerir um negócio. “Apesar de ser uma microempresa individual, ela ainda gera obrigações tributárias, que também causa endividamento e a inclusão no Serasa”, explica.

Além disso, o especialista pontua que o capital de giro de MEIs é menor e a sua renda também, aumentando o risco de contrair dívidas. Já para empresas maiores, o maior problema está na alta taxa de juros, que também atinge micro e pequenas empresas.

A alta taxa de juros pode ser medida pela Selic, que atualmente está em 14,5%, e é parâmetro para muitos programas de incentivos, como o Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe).

Recentemente a Selic está em queda, saindo de 15% e chegando a 14,5%. Para o especialista, essa situação pode ajudar a mitigar os danos do endividamento. “Por ser um programa capitalizado pela Selic, que saiu nos últimos dois anos de 8% para mais de 15%, esse empréstimo subiu muito os juros dele. Então, esse também é um dos fatores para que micro e pequenas empresas tenham aumentado o índice de inadimplência”, complementa.

Impacto do endividamento das empresas

A economista Greice Guerra explica que um cenário de alta inadimplência das empresas pode impactar a expansão do setor produtivo. “Isso inibe a expansão e causa estagnação, muitas vezes provocando falência das empresas. Uma vez o setor produtivo estagnado, isso afeta a economia, ou seja, acarreta retração econômica”, acrescenta.

Além disso, Guerra também vê essa situação de endividamento chegando a grandes empresas, inclusive aquelas que atuam na bolsa de valores. “Observamos que empresas listadas na Bolsa de Valores, no contexto brasileiro (B3), como o Grupo Pão de Açúcar, que recentemente solicitou recuperação judicial devido a grandes dificuldades em honrar seus compromissos financeiros, e também o Grupo Raizen, enfrentam sérios desafios. Apesar de serem grupos robustos, essas dificuldades são atribuídas ao cenário de taxa Selic elevada e à alta carga tributária imposta às empresas”, finaliza.

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