Goiás lança HUB para desenvolver fertilizantes e fortalecer autonomia no agronegócio
Parceria entre Governo de Goiás, UFG, Embrapa Cerrados e Cefenp busca desenvolver tecnologias para reduzir a dependência brasileira de fertilizantes importados
No dia 6 de maio de 2026, o Estado de Goiás deu um passo importante na área de inovação voltada ao agronegócio e à indústria mineral com o lançamento oficial do HUB GO Agrominerais – Cefenp. A iniciativa, desenvolvida em parceria entre o Governo de Goiás, a Universidade Federal de Goiás (UFG), a Embrapa Cerrados e o Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas (Cefenp), surge em meio ao debate sobre a forte dependência brasileira de fertilizantes importados, que atualmente supera 80% do consumo nacional e impacta diretamente os custos de produção agrícola no País. O cenário também ganhou relevância após oscilações recentes no mercado internacional de insumos, que afetaram diretamente produtores rurais brasileiros.
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O HUB GO Agrominerais foi estruturado para atuar no desenvolvimento de insumos minerais voltados à agricultura, especialmente remineralizadores de solo e fertilizantes naturais produzidos a partir de rochas e coprodutos da mineração. A proposta busca alternativas para reduzir custos de produção no campo e ampliar práticas ligadas à sustentabilidade e à economia circular, em um contexto de crescente pressão internacional por cadeias produtivas mais sustentáveis. O projeto também pretende incentivar soluções voltadas à segurança alimentar e à maior autonomia produtiva do agronegócio brasileiro.
O projeto pretende aproximar pesquisa científica, setor produtivo e políticas públicas ligadas à mineração e ao agronegócio. A expectativa é que o HUB funcione como um espaço permanente de desenvolvimento tecnológico, reunindo pesquisadores, empresas, produtores rurais e órgãos públicos em torno da criação de soluções voltadas ao aproveitamento de recursos minerais existentes em Goiás. A iniciativa também busca ampliar a transferência de conhecimento científico para o setor produtivo, aproximando universidades e empresas ligadas à cadeia mineral e agrícola.
A iniciativa reúne pesquisadores de áreas como geologia, agronomia, química, engenharias e ciências ambientais. Segundo a reitora da UFG, Sandramara Matias Chaves, o objetivo é fortalecer a produção científica voltada à diminuição da dependência de insumos importados. Para isso, o governo estadual firmou um convênio de R$ 28 milhões destinado à criação do Centro de Ciências e Tecnologia Mineral, na Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT/UFG), no câmpus de Aparecida de Goiânia.
Os recursos devem ser aplicados na construção de laboratórios, compra de equipamentos e execução de projetos ligados ao programa Cluster Mineral. A proposta está relacionada às diretrizes do Plano Estadual de Recursos Minerais (PERM 2050) e do Programa Goiano de Remineralizadores (PROREM-GO). De acordo com Tiago dos Santos Almeida, diretor da FCT/UFG, o centro atuará em pesquisas de caracterização mineral, geoquímica de depósitos e implantação de plantas experimentais voltadas a minerais estratégicos e agrominerais. Parte das pesquisas também deverá envolver estudos laboratoriais e testes de aplicação em áreas agrícolas experimentais.
Entre as linhas de pesquisa previstas estão estudos relacionados ao reaproveitamento de resíduos minerais, desenvolvimento de novas rotas tecnológicas e avaliação do potencial geológico goiano para produção de fertilizantes alternativos. A estrutura também deverá atender pesquisas voltadas à recuperação de áreas impactadas pela mineração e à utilização de subprodutos minerais na agricultura. Pesquisadores apontam que o reaproveitamento de resíduos pode reduzir desperdícios e diminuir impactos ambientais associados à atividade mineral.

Terras raras colocam Estado no mapa da mineração estratégica global
Além da produção agrícola, Goiás também amplia sua participação no setor de minerais considerados estratégicos no cenário internacional. A mina Pela Ema, operada pela Mineradora Serra Verde, em Minaçu, produz terras raras pesadas, como disprósio e térbio, utilizadas em setores ligados à tecnologia, veículos elétricos e energias renováveis. Esses minerais são considerados essenciais para cadeias industriais de alta tecnologia e vêm ganhando relevância geopolítica nos últimos anos devido à concentração da produção mundial em poucos países. A demanda global por esses elementos tem crescido impulsionada pela expansão das indústrias de transição energética e inovação tecnológica.
A presença desses minerais em território goiano amplia o interesse econômico sobre o setor mineral do Estado e fortalece discussões sobre industrialização, exportação e desenvolvimento tecnológico. Especialistas apontam que a exploração de terras raras pode abrir novas frentes econômicas para Goiás, mas também levanta debates relacionados ao impacto ambiental da atividade mineral e à necessidade de fiscalização. O avanço da atividade mineral também reacende discussões sobre infraestrutura logística e qualificação de mão de obra especializada.
O governo estadual informou que pretende ampliar o mapeamento mineral e desenvolver pesquisas voltadas ao reaproveitamento de resíduos da mineração e recuperação de bens minerais. O tema passa a integrar os estudos do novo centro vinculado à UFG, com foco em alternativas consideradas mais eficientes para exploração mineral e redução de impactos ambientais. A proposta inclui ainda estudos relacionados à inovação industrial e à agregação de valor aos recursos minerais extraídos em Goiás.
O lançamento do HUB Agrominerais ocorre pouco mais de um mês após Daniel Vilela assumir o governo de Goiás, em 31 de março de 2026, após a saída de Ronaldo Caiado. A nova gestão tem apresentado propostas voltadas à digitalização de serviços públicos e integração tecnológica entre diferentes áreas da administração estadual.
Entre os projetos em elaboração está a criação da Goiás Tecnologia, empresa estatal que deverá surgir a partir da incorporação reversa da Goiás Telecom pela Planalto Solar Park. A proposta prevê integração de plataformas digitais das secretarias estaduais, além da gestão de infraestrutura de fibra óptica e geração de energia fotovoltaica. Segundo o governo, a empresa deverá centralizar serviços tecnológicos utilizados pela administração pública estadual e ampliar a integração de sistemas voltados à gestão pública e inovação tecnológica.