Brasil envelhece rapidamente e aposentadoria fica mais distante para trabalhadores
Queda no número de nascimentos, aumento da população idosa e informalidade no mercado de trabalho pressionam sistema previdenciário
O Brasil vive uma transformação demográfica acelerada que já impacta diretamente o sistema previdenciário e o futuro da aposentadoria dos trabalhadores. Pela primeira vez na história registrada, o número de brasileiros com mais de 60 anos superou o total de jovens no país, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ao mesmo tempo em que a população envelhece, os brasileiros estão tendo menos filhos. A taxa de fecundidade caiu para 1,57 filho por mulher, índice abaixo do necessário para manter a população estável nas próximas décadas. Especialistas apontam que fatores como urbanização, participação crescente das mulheres no mercado de trabalho, planejamento familiar tardio e o alto custo para criar filhos ajudam a explicar essa mudança.
Enquanto nascem menos crianças, a expectativa de vida continua aumentando. O número de brasileiros com 65 anos ou mais passou de 14 milhões para mais de 22 milhões no último Censo, crescimento de 57,4% em pouco mais de uma década. Estimativas recentes indicam que o país já soma cerca de 34 milhões de idosos, reflexo dos avanços na saúde pública, vacinação e saneamento básico.
Brasil envelhece rapidamente
O envelhecimento, porém, ocorre de forma desigual entre as regiões brasileiras. O Sudeste lidera proporcionalmente, com 12,2% da população formada por idosos, seguido pelo Sul, com 12,1%. Entre os estados, Santa Catarina aparece com a maior proporção de idosos do país, alcançando 14,3%, enquanto o Rio Grande do Sul registra 13,7%. Já a região Norte mantém a população mais jovem, com apenas 8,5% de idosos. Os menores índices estão em Roraima, com 6,3%, e no Acre, com 6,5%.
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Além da mudança etária, outro desafio preocupa o sistema previdenciário: a informalidade no mercado de trabalho. Atualmente, cerca de 39 milhões de brasileiros trabalham sem carteira assinada ou sem contribuição regular ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Esse cenário reduz a arrecadação da previdência pública e amplia o déficit financeiro do sistema, que já ultrapassa os 320 bilhões de reais.
Com as regras mais rígidas aprovadas na reforma da previdência de 2019, muitos trabalhadores encontram mais dificuldade para se aposentar. Hoje, a idade mínima é de 62 anos para mulheres e 65 anos para homens. Diante desse cenário, cresce também o número de idosos que permanecem economicamente ativos. A taxa de pessoas da terceira idade que continuam trabalhando chegou a 24,4%, o maior índice já registrado no país.
Grande parte desses idosos segue no mercado por necessidade financeira e para complementar a renda familiar. Sem oportunidades formais, muitos acabam atuando como autônomos, em aplicativos de transporte, entregas e outras atividades informais.
As projeções demográficas indicam que os desafios devem aumentar nas próximas décadas. Estudos apontam que, por volta de 2042, a população brasileira começará a diminuir pela primeira vez. Ao mesmo tempo, os idosos devem representar mais de um terço da população até 2070, cenário que amplia a pressão sobre o sistema previdenciário e mantém o tema entre as principais preocupações econômicas do país.