quinta-feira, 10 de setembro de 2026
Crime

Morte de jornalista em Goiânia teria sido motivada por apartamento emprestado

Renata de Almeida teria emprestado imóvel para Delson Carlos morar e discussão sobre desocupação teria levado às agressões, aponta a investigação

João César Almeidapor em
jornalista
Cachorro da vítima também teria sido assassinado na noite do crime - Foto: Reprodução/Instagram

Na manhã desta terça-feira (28), o corpo do jornalista Delson Carlos Henrique de Lima Barros foi velado no espaço Paz Universal, localizado no Setor Coimbra, e sepultado no Cemitério Vale da Paz. Na ocasião, familiares, amigos e colegas de profissão se reuniram para a despedida. Na última sexta-feira (24), durante uma confraternização entre amigos, o jornalista foi morto após ser atingido por um golpe de faca dentro do apartamento onde morava com o companheiro, Warley Oliveira, no Setor Bueno, em Goiânia, aponta a investigação da Polícia Civil. Renata de Almeida Pedreira e Sousa, amiga da vítima a cerca de dez anos, foi detida como suspeita de ser a autora do homicídio.

 

Segundo as informações reunidas pela Polícia Civil de Goiás, Delson, o companheiro, Renata e a namorada dela, Márcia Maria Carolli, conversavam e consumiam bebidas alcoólicas no imóvel. Em entrevista à TV Anhanguera, o delegado Vinícius Teles informou que o desentendimento teria começado porque Renata, proprietária do apartamento, queria que o jornalista deixasse o local, que havia sido emprestado à vítima.

 

“Segundo as duas testemunhas, houve um desentendimento porque a suposta autora, que era proprietária do apartamento, desejava a sua restituição, uma vez que havia emprestado o imóvel para que a vítima permanecesse ali por um determinado período”, afirmou o delegado.

 

Ainda de acordo com os depoimentos prestados à polícia, Delson e Renata teriam inicialmente chegado a um acordo sobre a desocupação do imóvel. A discussão, no entanto, teria começado após o grupo consumir bebidas alcoólicas. Durante a agressão, Márcia teria tentado intervir e segurado a mão da suspeita no momento em que a suspeita teria desferido o golpe na região do tórax do jornalista, diz a Polícia Civil. A testemunha sofreu lesões no ombro e no antebraço.

Perseguição e morte

 

Após conseguir se soltar, Delson e Márcia teriam corrido pelo corredor do prédio. Segundo o relato apresentado pelo delegado, Renata teria chegado a persegui-los pelo andar, mas teria retornado ao apartamento e se trancado no imóvel, afirma a  Polícia Civil. O jornalista e a testemunha teriam descido juntos até o quinto andar, onde Delson faleceu. A morte foi confirmada ainda no local.

A família de Delson ainda relatou outro episódio relacionado ao caso. Segundo Claudimar Oliveira, irmã do companheiro do jornalista, Renata teria matado Hércules, cachorro da vítima, após o ataque. Para O HOJE, a Polícia Científica disse que não recebeu o corpo do animal.

 

Depois da morte do jornalista, uma equipe tática do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) iniciou negociações com Renata, que estava trancada no apartamento. Como as tratativas não tiveram sucesso, os policiais intervieram e entraram no imóvel. A dentista recebeu atendimento médico e foi encaminhada, sob custódia, a um hospital.

 

Segundo o delegado Eduardo Carrara, responsável pelo flagrante, Renata foi autuada pela suspeita do crime de homicídio consumado. Durante o interrogatório, a suposta autora do assassinato teria permanecido em silêncio e informado que falaria apenas na presença da defesa. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva durante a audiência de custódia, no último sábado (25). Em depoimento, a investigada afirmou que não faz uso de drogas, não possui problemas psicológicos e não utiliza medicamentos. 

 

Em nota, a Polícia Civil de Goiás disse que o caso é investigado pela Delegacia Estadual de Investigação de Homicídios (DIH) e que as investigações permanecem em andamento. Ainda de acordo com a Polícia Civil, diversas testemunhas já foram ouvidas e outras serão intimadas a depor. Dentre as testemunhas ouvidas está Márcia, companheira da suspeita, que ficou ferida ao supostamente tentar interromper a agressão.

A Defensoria Pública do Estado de Goiás (DPE-GO) informou que representou a investigada durante a audiência de custódia, ao cumprir seu dever legal, mas não comentará o caso. A Defensoria também destacou que, após a audiência de custódia, deverá ser iniciado o processo criminal e será oportunizado prazo para a acusada constituir sua defesa que poderá ser realizada pela Defensoria Pública ou por um profissional particular.

 

Quem era Delson?


Delson Carlos era colunista do Diário de Aparecida, fundador da Revista Class News e também teve passagens pelos jornais A Hora, Jornal da Imprensa e Diário do Estado de Goiás. Formado em Marketing e pós-graduado em Negócios em Marketing Digital, era conhecido pela cobertura de eventos sociais, turismo, gastronomia e entretenimento em Goiás.

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