quinta-feira, 7 de maio de 2026
Segurança pública

Operação Destroyer desarticula braço de facção criminosa do RJ em nova fase

140 policiais civis foram mobilizados para cumprir mandados de busca e prisão em cinco cidades goianas

João Césarpor João César em 7 de maio de 2026
Operação
Desde a primeira etapa da Operação Destroyer, mais de R$ 235 milhões em bens já foram bloqueados - Foto: Divulgação/PC-GO

A Polícia Civil de Goiás (PC-GO) deflagrou, nesta quarta-feira (6), a quinta fase da Operação Destroyer – Overwatch, ampliando o combate às facções criminosas que atuam na Região Metropolitana de Goiânia e em cidades do interior do Estado. A ação mobilizou mais de 140 policiais civis no cumprimento de dezenas de mandados de busca e prisão relacionados a crimes como organização criminosa armada, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.

 

A ofensiva ocorre de forma simultânea em municípios estratégicos, como Goiânia, Aparecida de Goiânia, Bonfinópolis, Jataí e Porangatu, com foco na desarticulação de núcleos criminosos que vinham sendo monitorados há meses pelas equipes de investigação. Segundo a corporação, a operação é resultado de um trabalho contínuo de inteligência e vigilância, voltado a impedir a expansão de grupos organizados no território goiano.

 

As investigações identificaram a atuação de um braço de facção criminosa com origem no Rio de Janeiro, que tentava se consolidar principalmente em Aparecida de Goiânia. O grupo era estruturado com divisão de funções e possuía um líder regional responsável por coordenar as atividades ilícitas. Entre suas atribuições estavam a distribuição de drogas para traficantes locais, a articulação de esquemas de lavagem de dinheiro e o repasse de ordens vindas de lideranças fora do Estado.

 

De acordo com a Polícia Civil, esse líder também utilizava familiares para movimentar valores ilícitos, prática comum em organizações criminosas para dificultar o rastreamento financeiro. Além disso, havia indícios de envolvimento do grupo em crimes mais violentos, como sequestros e punições impostas dentro do chamado “tribunal do crime”, mecanismo utilizado por facções para controlar territórios e impor regras internas.

 

Durante a apuração, os investigadores também identificaram elementos que evidenciam a tentativa de construção de poder simbólico por parte do grupo. Um dos exemplos foi a descoberta de uma música produzida em homenagem ao líder regional, exaltando sua atuação criminosa. Em um vídeo obtido pela polícia, o investigado aparece ostentando uma arma de fogo enquanto a música é reproduzida, reforçando a estratégia de intimidação e afirmação de influência na região.

 

Ao todo, além do líder, outras dez pessoas foram presas nesta fase da operação, suspeitas de integrar a organização criminosa. Os investigados estariam envolvidos diretamente na execução das ordens, no tráfico de drogas, no comércio ilegal de armas e em práticas de lavagem de dinheiro. A maioria deles já possuía antecedentes criminais, o que reforça a reincidência e a complexidade da atuação dessas redes.

 

A Operação Destroyer faz parte de uma estratégia mais ampla de enfrentamento ao crime organizado em Goiás e está inserida na Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas, que articula ações em diferentes Estados do País. A iniciativa busca promover uma resposta integrada e coordenada contra facções que atuam de forma interestadual.

 

Desde o início das ações, ainda em 2023, a operação tem acumulado resultados expressivos. Dados do Governo de Goiás indicam que, ao longo das diferentes fases, já foram cumpridos 129 mandados de prisão apenas em 2026, além do bloqueio de mais de R$ 235 milhões em bens ligados às organizações criminosas. Também foram apreendidos veículos, imóveis e até aeronaves utilizadas pelos grupos.

 

A ofensiva surgiu a partir de investigações relacionadas ao aumento de homicídios em algumas regiões do Estado, especialmente ligados à disputa entre facções pelo controle do tráfico de drogas. Segundo apurações, integrantes dessas organizações invadiam residências de traficantes independentes e os obrigavam, mediante violência, a comercializar drogas fornecidas pelo grupo, ampliando sua rede de atuação.

 

Com a quinta fase da operação, a Polícia Civil reforça a estratégia de atuação contínua, com foco não apenas na repressão, mas também na desestruturação financeira e logística das facções. A expectativa é de que novas etapas sejam realizadas, ampliando o alcance das investigações e consolidando o enfrentamento ao crime organizado em Goiás.

 

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