Mais gente morando sozinha, mais negócios no mercado imobiliário goiano
Crescimento dos lares unipessoais impulsiona aluguel, valoriza imóveis compactos e muda estratégias em Goiânia
A queda no número médio de moradores por domicílio e o avanço dos lares unipessoais estão redesenhando o mercado imobiliário em Goiânia, em Goiás e no Brasil. Dados recentes da PNAD Contínua mostram que a capital goiana atingiu, em 2025, a menor média da série histórica: 2,5 pessoas por residência, abaixo das cerca de três registradas há menos de uma década. O movimento acompanha transformações demográficas, econômicas e comportamentais que já impactam diretamente o perfil dos imóveis, os preços e as estratégias do setor.
Menos moradores, mais domicílios no mercado imobiliário
A redução do tamanho das famílias não significa menor demanda por moradia — pelo contrário. Com menos pessoas por residência, o número de domicílios cresce em ritmo mais acelerado que a população. Esse fenômeno é observado em Goiás, onde a média caiu para 2,6 moradores por imóvel, e no Brasil, com cerca de 2,7.

Além disso, o país registrou forte avanço dos lares unipessoais. Em 12 anos, o número de pessoas morando sozinhas praticamente dobrou, passando de 7,5 milhões para 14,4 milhões. Em Goiás, 20,2% das residências já têm apenas um morador, colocando o estado entre os maiores índices do país.
Envelhecimento e mobilidade impulsionam tendência
O crescimento dos domicílios com apenas um morador está diretamente ligado ao envelhecimento da população e às mudanças nas dinâmicas familiares. O aumento da expectativa de vida amplia o número de idosos que vivem sozinhos, seja por viuvez ou pela saída dos filhos de casa.
Outro fator relevante é o mercado de trabalho. Em centros urbanos como Goiânia, é comum que profissionais migrem sozinhos em busca de oportunidades, ocupando inicialmente imóveis menores e mais acessíveis. Esse comportamento reforça a demanda por unidades compactas e bem localizadas.
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Aluguel em alta e crédito pressionado
O avanço dos domicílios menores ocorre em paralelo à expansão do mercado de aluguel. Em Goiás, 28,8% das moradias são alugadas, patamar significativamente superior aos 21% registrados em 2016. O estado tem a segunda maior proporção do país, atrás apenas do Distrito Federal.
Ao mesmo tempo, cresce a participação de imóveis próprios ainda em processo de pagamento, que já representam 11% do total — o maior índice nacional. Em contrapartida, a fatia de imóveis quitados caiu para 49,5%, evidenciando o impacto de juros elevados e maior dificuldade de acesso ao crédito imobiliário.
Novo perfil de imóveis ganha espaço no imobiliário
Esse conjunto de mudanças vem alterando o tipo de produto ofertado pelo mercado. Apartamentos compactos, studios e unidades de um dormitório ganham protagonismo, especialmente em regiões urbanas com infraestrutura consolidada, como áreas centrais de Goiânia.
Empreendimentos com serviços compartilhados, coworking, lavanderias e áreas de convivência também se tornam mais comuns, atendendo a um público que valoriza praticidade, mobilidade e menor custo de manutenção. O conceito de “morar sozinho, mas conectado” passa a orientar novos projetos.

Impactos nos preços e nas estratégias do setor imobiliário
Com a demanda crescente no mercado imobiliário por imóveis menores e bem localizados, há pressão sobre os preços nessas categorias, especialmente no mercado de aluguel. Ao mesmo tempo, construtoras e incorporadoras ajustam seus portfólios, apostando em maior giro de vendas e liquidez.
Para investidores, o cenário abre oportunidades em locação de curta e média duração, impulsionadas por profissionais solteiros, estudantes e idosos independentes. Já para o poder público, o desafio passa a ser garantir oferta habitacional compatível com esse novo perfil populacional.
O avanço dos lares unipessoais não é apenas uma mudança estatística, mas um sinal de transformação estrutural. Em Goiânia e em Goiás, o fenômeno já redefine prioridades do mercado imobiliário e deve seguir influenciando decisões de investimento, planejamento urbano e políticas habitacionais nos próximos anos.