Guerra no Irã desencadeia “grave” crise de energia
Comissão Europeia afirma que crise energética causada pelo conflito no Irã “não será de curta duração”
O conflito no Oriente Médio desencadeou uma crise energética que passou a preocupar autoridades internacionais. O bloqueio do Estreito de Ormuz interrompeu uma das principais rotas de transporte de energia do mundo e colocou em risco o abastecimento de petróleo, gás e outros insumos essenciais para a economia global.
O diretor-executivo da Agência Internacional de Energia (AIE), Fatih Birol, afirmou que a dimensão da crise supera episódios históricos que marcaram o setor nas últimas décadas.
Segundo o diretor, em entrevista ao jornal francês Le Figaro, publicada na terça-feira (7), a crise de energia desencadeada pelo bloqueio é “mais grave do que as de 1973, 1979 e 2022 juntas”. “O mundo nunca experimentou uma interrupção no fornecimento de energia de tal magnitude”, declarou.
Birol já havia alertado no mês passado, em discurso no National Press Club da Austrália, sobre os efeitos da crise, afirmando que não se limitam ao petróleo e ao gás. Segundo ele, o bloqueio também interrompeu fluxos “das artérias vitais da economia global, como petroquímica, fertilizantes, enxofre e hélio” e ressaltou que haveria “sérias consequências para a economia mundial”.
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Crise de energia “não será de curta duração”
O impacto da interrupção da rota energética também preocupa governos europeus. A porta-voz da Comissão Europeia, Anna-Kaisa Itkonen, afirmou na quarta-feira (8) que o bloqueio do Estreito de Ormuz atingiu diretamente rotas essenciais de abastecimento do bloco.
Segundo ela, cerca de 8,5% do gás natural liquefeito da União Europeia, 7% do petróleo e aproximadamente 40% do combustível de aviação e do diesel consumidos pelo bloco passam pelo estreito. “O que já podemos prever é que essa crise não será de curta duração”, disse. “É um ponto de estrangulamento muito importante, obviamente”, acrescentou.
Diante dos efeitos econômicos da crise, líderes da AIE, do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial planejam discutir o tema em reunião marcada para a próxima segunda-feira (13). A iniciativa busca coordenar respostas internacionais para lidar com uma das maiores crises de energia global.