quarta-feira, 8 de abril de 2026
Banco Master

Receita Federal aponta repasses milionários do Master a Temer, Rueda, Mantega, Lewandowski e ACM Neto

Políticos afirmam que receberam valores por serviços prestados em contratos assinados com banco de Vorcaro

Marina Moreirapor Marina Moreira em 8 de abril de 2026
Master
Foto: Rovena Rosa/ABr

Documentos enviados pela Receita Federal à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado apontam repasses milionários do Banco Master, de Daniel Vorcaro, a escritórios de advocacia e empresas ligadas a Michel Temer (MDB), Antônio Rueda (União Brasil), ACM Neto (União Brasil) e os ex-ministros Guido Mantega, Fabio Wajngarten, Henrique Meirelles e Ricardo Lewandowski.

Os dados obtidos pela Folha de S. Paulo indicam que, de 2024 a 2025, o Master pagou R$ 18,5 milhões a Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central nos primeiros mandatos de Lula (PT) e ex-titular da Fazenda de Temer, e R$ 14 milhões à Pollaris Consultoria, empresa de Guido Mantega, ex-ministro na pasta econômica em gestões petistas.

O banco também informou pagamento de R$ 10 milhões ao escritório de advocacia de Temer em 2025 e R$ 6,4 milhões, desde 2023, a dois escritórios de Rueda, presidente nacional do União Brasil. Duas empresas do Grupo Massa, da família do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), também aparecem nos dados. A Massa Intermediação, do pai do governador, o apresentador Ratinho, recebeu R$ 21 milhões de 2022 até 2025. O apresentador era um dos garotos propaganda do cartão de consignado do banco, o CredCesta. Já a Gralha Azul Empreendimentos e Participações, que pertence ao Grupo Massa, recebeu R$ 3 milhões em 2022, segundo o Master.

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Já Meirelles afirmou que prestou consultoria ao Master e encerrou seu contrato em julho de 2025. Temer afirmou ter recebido uma quantia menor por serviços prestados. A Folha tentou contato com Mantega no final da manhã desta quarta-feira (8) e também tentou falar por ligação, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

Rueda disse que não confirma “informações baseadas em dados fiscais supostamente vazados de forma ilícita” e que o serviço prestado teve caráter estritamente técnico. “Todos os serviços prestados pelos escritórios são legais, contratados regularmente e com plena conformidade tributária”, declarou em nota.

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