quinta-feira, 9 de abril de 2026
REMÉDIO POPULAR NO BRASIL

Dipirona é suspensa em todo o país após alerta da Anvisa

Decisão atinge medicamento amplamente usado em hospitais e orienta interrupção imediata do uso em todo o país; entenda o que aconteceu

Thais Munizpor Thais Muniz em 9 de abril de 2026
dipirona

Quem utiliza medicamentos injetáveis em hospitais e clínicas precisa redobrar a atenção. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a suspensão imediata da comercialização, distribuição e uso de um lote de dipirona monoidratada 500 mg/mL após a identificação de um desvio de qualidade considerado relevante.

A decisão foi publicada no Diário Oficial da União por meio da Resolução RE 1.380/2026 e atinge o lote 24112378, fabricado pela Hypofarma, composto por caixas com 100 ampolas de 2 mL.

De acordo com a agência, análises laboratoriais confirmaram a presença de material particulado na solução injetável. Esse tipo de alteração indica a existência de partículas não dissolvidas e estranhas à formulação, o que compromete a segurança do medicamento.

A orientação é direta: pacientes, hospitais, clínicas e serviços de saúde devem suspender imediatamente o uso do lote afetado e entrar em contato com o fabricante para receber orientações sobre substituição.

Dipirona
A Dipirona é um remédio bastante popular no Brasil

O que foi encontrado no lote da Dipirona

Segundo a Anvisa, a presença de partículas em medicamentos injetáveis representa risco potencial de contaminação. As normas sanitárias exigem controle rigoroso nesse tipo de produto, principalmente no que diz respeito à pureza e à integridade da solução aplicada diretamente na corrente sanguínea.

A irregularidade observada viola esses critérios técnicos, motivo pelo qual a suspensão foi aplicada em caráter imediato em todo o território nacional.

A dipirona está entre os medicamentos mais utilizados no Brasil, indicada para alívio de dores, redução da febre e controle de quadros dolorosos mais intensos, especialmente em ambiente hospitalar quando administrada por via injetável.

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Outras suspensões atingem medicamentos manipulados

A mesma resolução publicada pela Anvisa também determinou a interrupção de todos os lotes de medicamentos manipulados pela empresa Mali Produtos para Saúde LTDA.

Entre os produtos suspensos estão ésteres de testosterona, nandrolona, tirzepatida e semaglutida.

De acordo com a agência, inspeções identificaram falhas críticas no processo produtivo, ausência de testes essenciais, irregularidades no armazenamento e dúvidas sobre a procedência das matérias-primas utilizadas. Diante dessas constatações, a segurança dos produtos não pôde ser garantida.

O que diz a fabricante

Em nota, a Hypofarma informou que o problema está restrito a um único lote do medicamento.

“A empresa reforça que todos os seus produtos são fabricados em conformidade com rigorosos padrões técnicos e regulatórios estabelecidos pelas autoridades sanitárias competentes, mantendo compromisso permanente com a qualidade, a segurança dos pacientes e a conformidade regulatória.

A Hypofarma segue investindo continuamente na modernização de seus processos produtivos e na incorporação de novas tecnologias industriais, com foco na excelência operacional e no aprimoramento constante de seus controles de qualidade.

A companhia permanece à disposição, sempre trabalhando em parceria com os órgãos competentes.”

Medicamentos falsificados e subpadronizados preocupam autoridades

Embora a suspensão da dipirona esteja ligada a um desvio de qualidade específico, o episódio ocorre em um cenário mais amplo que envolve a circulação de medicamentos falsificados ou fora dos padrões exigidos.

Dados recentes da Organização Mundial da Saúde indicam que, em países de baixa e média renda, cerca de 1 em cada 10 produtos médicos em circulação é falsificado ou apresenta qualidade inferior.

Na prática, o consumo de medicamentos falsificados pode resultar na ausência de efeito terapêutico, intoxicações, reações inesperadas e agravamento do quadro clínico do paciente. Produtos originais que são roubados da cadeia oficial também podem perder a eficácia quando armazenados fora das condições adequadas.

Entre os itens mais visados pelo mercado ilegal no Brasil estão medicamentos de alto custo e grande procura.

De acordo com o Conselho Federal de Farmácia, alguns dos produtos mais frequentemente identificados como falsificados incluem:

  • Botox (toxina botulínica)
  • Dysport
  • Mounjaro
  • Keytruda
  • Opdivo
  • Durateston
  • Oppy (analgésico opiáceo)
  • Cloridrato de fluoxetina (antidepressivo)

Além da falsificação, parte desses produtos entra no país de forma irregular ou é desviada por meio de roubos de carga.

A Anvisa orienta que a compra de medicamentos ocorra apenas em estabelecimentos autorizados, que possuam endereço físico regularizado, mesmo quando a venda é feita pela internet. A agência também recomenda a verificação do número de registro do produto, composto por 13 dígitos, presente na embalagem e disponível para consulta pública.

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