segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Condição análoga à escravidão

Goiás é o 6º estado com mais novos nomes na “lista suja” do trabalho escravo em 2026

O cadastro federal inclui dez empregadores goianos e reforça alerta sobre condições degradantes de trabalho. Câmara de Goiânia avança em projeto para barrar benefícios a empresas envolvidas

Letícia Leitepor em
Goiás é o 6º estado com mais novos nomes na “lista suja” do trabalho escravo em 2026
Cantor Amado Batista aparece entre os casos investigados. Foto: Divulgação/Ministério do Trabalho

Goiás aparece na sexta posição entre os estados com maior número de novos empregadores incluídos na chamada “lista suja” do trabalho escravo, conforme atualização divulgada nesta semana pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). Ao todo, dez nomes ligados ao Estado passaram a integrar o cadastro federal em 2026, que reúne pessoas físicas e jurídicas responsabilizadas, após processo administrativo definitivo, por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão.

O levantamento coloca Goiás atrás de Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Paraíba e Pernambuco, em um cenário nacional que contabiliza ocorrências em 22 unidades da federação. A inclusão dos novos registros está relacionada a fiscalizações realizadas nos últimos anos e resultou no resgate de 2.247 trabalhadores em todo o País.

A lista, considerada um dos principais instrumentos de enfrentamento ao trabalho escravo contemporâneo no Brasil, também passou por revisão e retirou 225 empregadores que cumpriram o período de dois anos no cadastro. Ainda assim, o número total chegou a 613 nomes ativos, o que evidencia a persistência desse tipo de violação.

Entre os setores com maior incidência de casos estão os serviços domésticos (23), a pecuária de corte (18), o cultivo de café (12) e a construção civil (10). As irregularidades mais comuns envolvem jornadas exaustivas, condições degradantes de alojamento, falta de registro formal e restrição de direitos básicos.

Um dos nomes que chamam atenção na atualização é o do cantor Amado Batista, incluído após fiscalizações realizadas em 2024 em duas propriedades rurais localizadas em Goianápolis. De acordo com os autos, 14 trabalhadores foram encontrados em condições consideradas irregulares.

Em nota ao Mais Goiás, a defesa do artista contesta a caracterização de trabalho análogo à escravidão e afirma que não houve resgate de trabalhadores. Segundo o posicionamento, as irregularidades envolveram a contratação de quatro funcionários por uma empresa terceirizada, situação que teria sido regularizada por meio de um Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público do Trabalho.

No cenário nacional, a atualização também incluiu empresas de grande porte, como a montadora chinesa BYD, citada em investigação sobre condições de trabalho em obras na Bahia. O caso envolve trabalhadores estrangeiros submetidos a jornadas extensas e alojamentos precários, segundo as apurações.

Goiânia avança em proposta para barrar empresas ligadas ao trabalho escravo

A presença de Goiás entre os estados com maior número de inclusões reacende o debate sobre fiscalização e responsabilização no âmbito local. Em resposta a esse contexto, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara Municipal de Goiânia aprovou, nesta quarta-feira (8), o projeto de lei 299/2025, de autoria do vereador Heyler Leão (PP).

A proposta proíbe o poder público municipal de firmar contratos ou conceder benefícios fiscais, subsídios e incentivos a empresas que estejam envolvidas, direta ou indiretamente, com trabalho escravo. O texto utiliza como base a própria “lista suja” federal, que passa a servir como critério para análise de contratações e concessões.

Segundo a justificativa do projeto, a medida busca garantir uma atuação mais rigorosa do município no combate a práticas que violam direitos humanos e trabalhistas. Caso avance nas próximas etapas, a regra deve obrigar órgãos da Prefeitura a consultar o cadastro antes de autorizar qualquer tipo de vínculo com empresas.

A nova atualização da lista reforça o papel da transparência e da fiscalização como ferramentas centrais no enfrentamento ao problema. Ao mesmo tempo, evidencia que, apesar dos avanços institucionais, o trabalho análogo à escravidão ainda se mantém como uma realidade em diferentes regiões do País, incluindo Goiás.

A divulgação periódica do cadastro também exerce pressão econômica sobre os empregadores, já que instituições financeiras e grandes empresas costumam restringir relações comerciais com quem integra a lista. O mecanismo amplia o alcance das punições e fortalece a responsabilização fora do âmbito judicial.

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:

Veja também

árvore

ACIDENTE

Mulher fica com perna presa após árvore cair durante corte em MG

Mulher de 36 anos ficou ferida após ser atingida por uma árvore durante um corte na zona rural de ...
Mãe e filho

DESAPARECIMENTO

Mãe e filho de 1 ano desaparecem em Goiânia

Karla Borges Magalhães, de 31 anos, saiu de casa com Pedro Henrique, no Setor Morada do Sol, e não...
Participantes de caminhada do Setembro Amarelo carregam cartazes com mensagens de conscientização sobre a prevenção do suicídio. (Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil)

SETEMBRO AMARELO

Goiás registrou 711 suicídios em 2023, acima da média nacional

Dados da Secretaria de Saúde mostram que isolamento na zona rural, falta de acesso à tratamento e ...
INMET emite alerta amarelo para Goiânia com chuvas intensas e ventos de até 60 km/h

previsão do tempo

INMET emite alerta amarelo para Goiânia com chuvas intensas e ventos de até 60 km/h

Aviso prevê chuva intensa e ventos de até 60 km/h neste domingo, 7 de setembro, com risco de alaga...
Arquitetura greco-goiana

arquitetura goiana

Entre o Art Déco e o greco-goiano, Goiânia vive contrastes arquitetônicos

Enquanto a arquitetura greco-goiana se espalha por condomínios e residências de alto padrão, o Ar...
Casos de SRAG aumentam em Goiás e colocam crianças no centro da preocupação

Alerta na saúde

Casos de SRAG aumentam em Goiás e colocam crianças no centro da preocupação

Fiocruz aponta crescimento da SRAG em Goiás, com maior concentração entre crianças de até 4 ano...
marília mendonça

ATENÇÃO, MOTORISTA

Gravações do filme de Marília Mendonça mudam trânsito em Goiânia

Produção ocupa bairros da capital para registrar cenas do longa que contará a história da cantor...
Entregador por aplicativo do Ifood

PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO

Trabalhadores por aplicativo somam 2 milhões no Brasil e enfrentam alta informalidade, aponta IBGE

Dados do IBGE revelam que sete em cada dez trabalhadores de aplicativo estão na informalidade, sem ...