sexta-feira, 10 de abril de 2026
OPINIÃO

Caiado começa a incomodar Lula. Imagine quando chegar a 15%

Renan Santos, do Missão, bate muito mais no governo e na oposição e ambos não o respondem, ao contrário do goiano, que está cuidando de sua campanha e dia sim, outro também, é alvejado por críticas da esquerda (e também de setores da direita)

Nilson Gomespor Nilson Gomes em 10 de abril de 2026
caiado
Em 1989, num debate, o homem de barba disse ao do agro que só o responderia quando ele chegasse a 1% nas pesquisas. Pois é, o pecuarista do cavalo branco chegou lá. O páreo ainda nem começou, Caiado ultrapassou os 5% e os vermelhinhos refutam até suas opiniões sobre mineração - Foto: Divulgação/Secom Goiás

Quando Ronaldo Caiado e Lula se enfrentaram para presidente da República pela 1ª vez, em 1989, estavam nos mesmos partidos que agora, PSD e PT. Mas as coincidências param por aí. Hoje, são duas pessoas 100% diferentes: o petista não havia tido sequer uma acusação de cometer crimes e o pessedista era propagado pela esquerda como a encarnação do demônio, ou seja, representante do regime recém-terminado. Foi nesse contexto que, num debate, o homem de barba disse ao do agro que só o responderia quando ele chegasse a 1% nas pesquisas. Pois é, o pecuarista do cavalo branco chegou lá. O páreo ainda nem começou, Caiado ultrapassou os 5% e os vermelhinhos refutam até suas opiniões sobre mineração.

O incômodo com o goiano é novidade. Em vez de partir para cima de Flávio Bolsonaro, que é seu antípoda com melhores índices, Lula com as propostas de Caiado gasta tempo e a energia que esbanja em vídeos feitos pela companheira nas madrugadas. Foi assim em outubro de 2025, quando a Polícia do Rio de Janeiro matou 117 bandidos nos complexos cariocas das favelas da Penha e do Alemão. Caiado articulou um consórcio de governadores da direita para dar apoio ao endurecimento contra as facções.

Caiado manda bandido para uma cela indevassável

A repercussão foi imediata e rompeu a bolha da polarização. Por isso, a esquerda virou-se contra ele, até porque bombaram suas explicações embasadas sobre a eficácia de encarar criminosos como devem ser tratados. Em Goiás, a estratégia de jogar pesado funcionou a contento de qualquer ângulo que se analise, menos sob as teses sociológicas furadas de encarar malfeitores como vítimas da sociedade, não o contrário. A cela de fato eficiente é a menor, a do tamanho de um cartucho.

Por esse tipo de medidas tomadas com acerto no Estado, às quais se somam êxitos em outras áreas vitais, Caiado está subindo gradualmente e não há na conjuntura teto para quem ainda não foi testado no âmbito federal. O 1% que Lula exigiu para o reconhecer, como se isso fosse impedimento para tentar o Palácio do Planalto, Caiado aumentou 500% na empreitada de agora. Observando-se: Lula está em campanha para presidente da República desde 1982, Caiado deu os primeiros passos em 2025 e, para valer de verdade, sequer começou. Metade do Brasil ainda não sabe quem é Caiado e é provável que 90% desconheçam sua administração.

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O tesouro que a esquerda combate é outro

Conclui-se que a birra do PT com o goiano está longe de ser sobre as terras raras cujas tratativas chegaram à Casa Branca, nos Estados Unidos, mas a outro tesouro, o que um ourives pode fazer dos resultados conseguidos na Educação (1º lugar no Ideb), no empreendedorismo (maior nº de empresas abertas), na transparência (pioneirismo em conformidade no serviço público) e na tranquilidade das ruas (a sensação de segurança, ápice de qualquer política de combate ao crime, supera qualquer estatística).

Sobre as terras raras, ressalte-se que quando Caiado assumiu o Governo de Goiás, em 1º de janeiro de 2019, a empresa que desejava explorá-las em Minaçu, no Norte do Estado, aguardava liberação havia 10 anos. Durante essa década perdida, perambulou por repartições nas quais seus representantes ouviram todo tipo de obscenidades, inclusive pedido de propinas. Como é uma multinacional e, óbvio, tem sistema de compliance e o segue, preferiu aguardar.

Liberaram em 1 dia a solução esperada havia uma década

Wilder Morais terminou seu mandato de senador em 31 de janeiro daquele ano e foi para a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços, que Caiado havia acabado de criar e nomeou o então aliado. Uma de suas superintendências é responsável pelo setor de mineração no Estado. A multinacional procurou a pasta e Wilder inquiriu acerca do entrave. Foi informado de que o processo estava parado na Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, a Semad, que Andrea Vulcanis comandava nas últimas quatro semanas. Em apenas um dia, Wilder, Caiado e Andrea liberaram a lavra que tanta manchete (e riquezas) gera atualmente.

Essa visão gera temor nos concorrentes. Renan Santos (Missão), um pré-candidato que está à frente de Caiado nos levantamentos, percorre o Brasil apontando falhas dos governantes e propondo soluções inovadoras. Tem sido um sucesso nas redes sociais. O PT o ignora solenemente. Em tese, pelo critério seguido por Lula desde 1989, Santos merece a reprimenda da sigla da estrela vermelha. No entanto, está passando ileso. A preocupação da esquerda com o pessedista obedece a estratégia diversa: ele é de direita, com o detalhe de o eleitor de centro ou isento achar que ainda não é a hora do missionário e, sim, o goiano consegue tirar o Brasil do atoleiro, pois já foi testado e aprovado.

Inteligência Artificial a serviço dos escritórios do ódio

A chuva ácida de memes produzidos por escritórios do ódio ainda não caiu na horta de Santos, nem de nuvens da direita nem da esquerda. E desaba sobre aorta de Caiado. São desenhos e mil e uma artes, musiquinhas e tudo o que a inteligência artificial pode soltar, e ela pode soltar tudo. Entre vários contrastes, o decisivo é que Lula domina completamente seu espectro ideológico. É a única opção na urna: quem quiser a esquerda e não gosta do Lula, vai ter de anular, votar em branco ou nem aparecer na cabine.

Caiado divide o nicho antipetista com Renan Santos, Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Romeu Zema (Novo). Outro senão é o domínio partidário. Lula manda no PT com tal amplitude que acaba de tirar o candidato do partido a governador do Rio Grande do Sul, impôs a Fernando Haddad e Simone Tebet que deixassem o ministério e se sacrificassem em São Paulo, além de diversas intervenções por todo o País. Caiado não chefia nem o PSD de Goiás, que é uma várzea estadual como o União Brasil é um pântano nacional.

Gustavo Kassab, o capo pessedista, disse nas entrelinhas que seu sarrafo supera bastante o de Lula. Quer que Caiado alcance 15% logo na largada. Só não explica por que aceita seus filiados saltitarem alegremente no primeiro escalão federal (tem 3 ministérios), a fatia nordestina se submeter a partilhar a atenção de Lula com inimigos locais e negar espaço para o presidenciável da sigla e no Sudeste estar com Flávio (em São Paulo) e Lula (no Rio de Janeiro). No Sul, o ex-governador Eduardo Leite (RS), preterido em 2022 no PSDB e agora no PSD, soltou os pets sobre a agremiação quando Kassab veio a Goiás anunciar Caiado. Punição aos infiéis? Zero. Isso não acontece no PT, o que pode significar muito numa campanha, bem mais que os percentuais em pesquisas. (Especial para O HOJE)

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