domingo, 20 de setembro de 2026
evasão

Acesso ao pré-natal cresce, mas permanência trava entre mais pobres

Quase 20% das gestantes não concluem o ciclo mínimo; desigualdades sociais, raciais e regionais explicam evasão

Luana Avelarpor em
pré-natal
Foto: freepik

O Brasil alcançou quase a universalização da primeira consulta de pré-natal, mas não consegue garantir a permanência das gestantes ao longo do acompanhamento. Dados de 2023 do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos mostram que 99% das mulheres iniciam o cuidado, porém apenas 79% chegam à última consulta do ciclo mínimo recomendado.

A diferença expõe um padrão de desigualdade. O acesso inicial é amplo, mas a continuidade se fragiliza entre grupos mais vulneráveis. A escolaridade aparece como um dos principais fatores. Entre mulheres com ao menos 12 anos de estudo, 86,5% completam o pré-natal. Entre aquelas sem escolaridade, o índice cai para 44%.

O recorte racial reforça o quadro. Gestantes indígenas apresentam o pior desempenho, com 51% de conclusão. Entre brancas, o percentual é de 84%, enquanto pretas e pardas registram 76% e 75%, respectivamente. A queda entre a primeira e a última consulta é mais acentuada entre indígenas, indicando dificuldade em manter o vínculo com o sistema de saúde.

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As diferenças regionais seguem a mesma lógica. O Sul concentra a maior cobertura, com 85%, enquanto o Norte tem 63%. Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste ficam entre 76% e 81%. A idade também interfere: 68% das gestantes com menos de 20 anos concluem o ciclo, contra 83% das maiores de 35.

A ampliação para sete consultas, adotada em 2024, busca intensificar o monitoramento da gestação. Especialistas apontam que o acompanhamento contínuo permite identificar precocemente riscos como hipertensão e diabetes gestacional. Sem esse seguimento, reduz-se a capacidade de intervenção.

Os dados indicam que ampliar o acesso não basta. A permanência depende de fatores como distância, renda e organização dos serviços. A busca ativa de gestantes e a adaptação das políticas às realidades locais aparecem como caminhos para reduzir a evasão.

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