Após dois meses na Amazônia, Giovanna Antonelli revela bastidores de “Rio de Sangue”, thriller nacional que estreia nos cinemas
Rio de Sangue aposta em tensão, drama familiar e crítica social, com Giovanna Antonelli e Alice Wegmann à frente de uma história marcada por intensidade física e emocional. Elenco detalha ainda desafios físicos, imersão na floresta e força do protagonismo feminino
O cinema brasileiro ganha, a partir desta quinta-feira (16), um novo representante no gênero thriller com a chegada de “Rio de Sangue” às salas de todo o país. Ambientado na Amazônia, o longa dirigido por Gustavo Bonafé mistura ação e drama familiar para contar a história de uma mãe em busca da filha desaparecida em meio a uma rede de crimes ligados ao garimpo ilegal.
Na trama, Giovanna Antonelli interpreta Patrícia Trindade, uma policial afastada após uma operação fracassada que vê sua vida virar novamente de cabeça para baixo quando a filha Luiza, vivida por Alice Wegmann, é sequestrada durante uma missão humanitária no interior do Pará. A partir daí, o filme se transforma em uma corrida contra o tempo, marcada por perseguições, confrontos e decisões limite.
A construção dessa protagonista, no entanto, foge de clichês. “Ela não é uma heroína construída. É uma mulher levada ao limite. E quando entra o instinto, ele não pede licença”, afirma Antonelli, em entrevista ao O Hoje. Segundo a atriz, o principal desafio foi retratar uma mãe fragilizada sem romantizar suas dores.
Esse realismo também é resultado direto das condições de filmagem. Gravado na região amazônica, o longa incorpora a floresta como elemento central da narrativa. “A Amazônia não foi só uma locação, ela é uma personagem na história”, diz Antonelli. A experiência é compartilhada por Wegmann, que destaca a imersão durante os dois meses de gravação: “Não dava pra ser filmado em outro lugar. Essa experiência mudou minha vida”.
A intensidade do ambiente impactou diretamente o desempenho do elenco. Felipe Simas, que interpreta um dos personagens ligados ao garimpo, resume: “Ela dialoga diretamente com as cenas e conseguimos quase que ouvir sua respiração. Foi de extrema importância a gente sair das nossas casas e se “hospedar” na floresta por cerca de 50 dias para contar essa história”. Já Sérgio Menezes destaca o efeito sensorial da locação: “Uma floresta que mais parece uma entidade, tudo isso é naturalmente impactante e fez toda diferença pro resultado do filme”.
As cenas de ação, aliás, exigiram preparo físico e resistência. Sequências como a imersão na lama e a perseguição final estão entre os momentos mais desafiadores do filme. Wegmann relembra: “Foi divertido, mas passamos um perrengue, filmamos durante horas naquela poça de argila”.
Apesar da carga de adrenalina, “Rio de Sangue” se diferencia por ir além do entretenimento. O filme aborda temas como exploração ambiental, garimpo ilegal e violência em territórios indígenas. “Tira os filmes de ação do eixo Rio-São Paulo e coloca 2 mulheres protagonizando, no meio da floresta amazônica, um thriller de tirar o fôlego. Ele mostra um Brasil que nem todo mundo tem acesso. É um filme diferente de tudo o que eu já vi por aqui”, afirma Wegmann.
Para Simas, a força da narrativa está justamente na complexidade dos personagens. “Apesar de ser um filme com muita ação, o fio condutor é o amor de uma mãe e a busca incessante dela por sua filha desaparecida”, diz. Já Menezes reforça o diferencial do longa no cenário nacional: “Heroínas em filme de ação é raro no Brasil”.

Em um momento em que o cinema brasileiro busca ampliar sua conexão com o público, “Rio de Sangue” surge como uma aposta relevante. Com produção de grande escala, estética marcada pela crueza e uma história que dialoga com questões contemporâneas, o filme se posiciona como um dos lançamentos mais ambiciosos do gênero nos últimos anos e um passo importante para diversificar as narrativas de ação no país.
Assista o trailer de “Rio de Sangue”