sexta-feira, 6 de novembro de 2026
NOVO CAMINHO

Sem CPI, Senado muda estratégia para avançar no caso Banco Master

Estratégia agora é usar comissão econômica para acessar dados, ouvir envolvidos e aprofundar análise técnica

Luma Silveirapor em
Banco master
Foto: Divulgação

Com o encerramento das comissões parlamentares de inquérito que tratavam do tema, senadores articulam uma nova frente para manter as apurações sobre o caso envolvendo o Banco Master. A saída encontrada foi transferir o foco para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), colegiado que pode dar continuidade às investigações sob um viés técnico.

A movimentação ocorre após o esvaziamento das CPIs que concentravam as apurações. Sem esses instrumentos, parlamentares passaram a buscar alternativas dentro da estrutura permanente do Senado para não interromper o acompanhamento do caso.

Um dos primeiros passos nesse novo cenário foi dado pela senadora Damares Alves, que solicitou o compartilhamento de documentos já reunidos durante as investigações anteriores. A ideia é aproveitar o material produzido — incluindo relatórios fiscais e registros de movimentações financeiras — para dar continuidade às análises dentro da CAE.

A comissão é presidida pelo senador Renan Calheiros, que já havia sinalizado interesse no tema anteriormente. Ainda no início do ano, houve tentativa de ouvir o banqueiro Daniel Vorcaro, mas o depoimento não chegou a ocorrer naquele momento.

Agora, com a nova estratégia, a expectativa é que a CAE possa retomar convocações, requisitar informações e aprofundar pontos considerados sensíveis, especialmente aqueles ligados a operações financeiras e movimentações atípicas.

Apesar de não ter os mesmos poderes de uma CPI, a comissão pode atuar solicitando dados, promovendo audiências e produzindo relatórios que subsidiem outros órgãos de controle.

Nos bastidores, a avaliação é que o compartilhamento de informações entre comissões será decisivo para manter o caso em análise no Senado e evitar que as investigações percam fôlego após o fim das CPIs.

Relembre

O caso Banco Master ganhou repercussão após investigações apontarem possíveis irregularidades em operações financeiras e circulação de recursos considerados atípicos. Relatórios fiscais analisados por parlamentares indicaram movimentações que levantaram suspeitas e ampliaram o interesse do Congresso sobre o tema.

Durante as apurações, também vieram à tona pagamentos ao escritório da advogada Viviane Barci, esposa do ministro do STF Alexandre de Moraes, o que aumentou a pressão por esclarecimentos. Os dados foram obtidos a partir de informações da Receita Federal compartilhadas com as comissões.

Apesar do avanço inicial, parte das investigações ficou concentrada nas CPIs, que agora foram encerradas. Com isso, o Senado tenta reorganizar a apuração por outros caminhos para manter o caso em análise.

Mesmo sem os poderes de uma CPI, a Comissão de Assuntos Econômicos pode solicitar informações, realizar audiências e produzir relatórios técnicos. A aposta dos senadores é que o compartilhamento de dados e a continuidade dos trabalhos evitem que o caso perca força dentro do Congresso.

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