quinta-feira, 7 de maio de 2026
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Por palanque, interesses de Lula sobressai os de seu partido nos Estados

“Ainda que a Adriana Accorsi opte por continuar e pleitear a reeleição, os pré-candidatos já postos tem condição de fazer um palanque forte para o presidente Lula ao concorrerem para o governo de Goiás”, diz Valério Luis, cotado para o governo de Goiás pelo PT

Marina Moreirapor Marina Moreira em 7 de maio de 2026
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Lula convidou Adriana Accorsi para uma conversa em Brasília e demonstrou apoio pelo nome da deputada como alternativa para disputar o Executivo estadual goiano - Créditos: Divulgação/Ascom Adriana Accorsi

O eleitorado goiano chama atenção do presidente da República e pré-candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que busca ir contra aos interesses de seu partido em Goiás ao demonstrar preferência pelo nome da deputada federal Adriana Accorsi (PT) como alternativa para concorrer ao comando do Executivo estadual.

A questão é que a decisão vai contra até com os ideais da parlamentar que pretende tentar reeleição para a Câmara dos Deputados. O chefe do Planalto fez algo parecido em Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande Sul ao influenciar nas decisões do senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) para disputar o Executivo estadual mineiro, de Fernando Haddad (PT-SP) para o governo paulista e da neta de Leonel Brizola, Juliana Brizola (PDT), para a gestão estadual gaúcha.

Pacheco tem condicionado sua candidatura ao governo de Minas Gerais, em 2026, ao envolvimento direto do presidente na construção do projeto. Aliados do ex-presidente do Senado avaliam que o mesmo só entrará na disputa se houver garantia de entrosamento do Palácio do Planalto e participação ativa de Lula na campanha.

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Lula não vê Pacheco como um dos cotados para o STF, mas sim, para a disputa do governo de Minas Gerias nas eleições de 2026 – Créditos: Ricardo Stuckert/Secom/PR

Em São Paulo, o líder petista aposta na pré-candidatura do ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para governador. Da mesma forma que ocorreu em Goiás, o chefe do Planalto atropelou os interesses dos petistas locais sulistas ao mostrar apoio à Juliana Brizola.

Cenário desfavorável

Em Goiás, a situação para o chefe de Estado não anda positiva, pois de acordo uma pesquisa Genial/Quaest divulgada na última quarta-feira (6), Lula enfrenta um cenário desfavorável nos principais cenários de segundo turno testados.

O levantamento indica que o petista aparece atrás de todos os adversários avaliados no Estado, com maior desvantagem contra o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD). Em Goiás 37% dos entrevistados aprovam o presidente contra 61% que desaprovam; 2% não sabem ou não responderam.

Isso posiciona Goiás como o quinto Estado onde o presidente é mais desaprovado. A pesquisa ouviu 11.646 eleitores em dez Estados entre os dias 21 e 28 de abril. A margem de erro é de três pontos percentuais para Goiás.

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Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) – Créditos: Marcelo Camargo/ABr

Palanque para Lula em Goiás

Um dos nomes mais cotados do PT goiano para disputar o Executivo estadual é o do advogado e mestre em Filosofia Valério Luis que afirmou em entrevista ao O HOJE que as alternativas existentes atualmente para concorrerem ao comando do Palácio das Esmeraldas são capazes de colaborar para o aumento de apoio ao presidente no Estado.

“Tanto eu quanto o Luis César temos plena condição de fazer uma defesa do Governo Federal, de trazer os quase 40% de votos que o Lula teve nas últimas eleições para a nossa chapa majoritária. Contamos com o apoio de todos os parlamentares nossos que têm uma ampla penetração social. Eu acredito que o caminho é esse”.

Apesar do nome de Adriana figurar como uma das principais alternativas para o partido, Valério reitera que os nomes já postos para a disputa são eficazes na função de aumentar o palanque para Lula, além de dar destaque para a possibilidade de Adriana competir o Executivo estadual goiano.

“Ainda não sabemos se a Adriana será ou não candidata a governadora e se for, com certeza será uma excelente candidata. Ainda que a deputada opte por continuar e pleitear a reeleição, os pré-candidatos já postos tem sim condição de mobilizar o partido e fazer um palanque forte para o presidente Lula”, comenta Valério. Em retorno à reportagem, fontes próximas à parlamentar disseram ao jornal que a deputada ainda não se pronuncia sobre assuntos inerentes à definição do partido de um nome para o governo de Goiás.

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Presidente estadual do PT, Adriana Accorsi, juntamente com os pré-candidatos a governador de Goiás pela legenda: o ex-deputado Luis César Bueno, o advogado Valério Luis e o jornalista Cláudio Curado – Foto: divulgação

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O sociólogo e analista político Jones Matos destaca os desafios que o chefe do Planalto pode enfrentar no Estado, assim como ocorreu nas eleições presidenciais de 2022. “Essa questão do palanque do Lula em Goiás é realmente um problema. O presidente não teve um palanque robusto em 2022 e continua com problemas em 2026. Adriana Accorsi transita bem, dialoga com muitas forças políticas e com muitas correntes de pensamento da sociedade, mas eu não sei até que ponto a deputada entrará nessa disputa porque o cenário eleitoral em Goiás está bem complexo”, pontua Matos em entrevista ao O HOJE.

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