Museu Itamar Assumpção abre ciclo gratuito sobre memória negra com Leda Maria Martins e Dalton Paula
“Penso, Logo Sinto” reúne cinco aulas virtuais sobre acervos, oralidade, mercado cultural e espaços expositivos; programação vai até 2 de setembro com 150 vagas por turma e acessibilidade em Libras
Quem guarda uma memória também participa da construção da história que será conhecida no futuro. É a partir dessa relação entre preservação, autoria e direito à narrativa que o Museu Itamar Assumpção abre, nesta quarta-feira (5), o ciclo formativo gratuito “Penso, Logo Sinto”. Realizada até 2 de setembro, a programação terá cinco aulas virtuais sobre memória negra, processos criativos, oralidade, mercado cultural e espaços expositivos não hegemônicos.
Inspirada na trajetória de Itamar Assumpção, a formação reúne Leda Maria Martins, Dalton Paula, Gabriela de Matos, Stephanie Alvarado e Priscila Melo. As atividades serão realizadas às quartas-feiras, das 19h às 21h, com 150 vagas por turma. A participação é gratuita.
O programa parte de uma questão que atravessa tanto a história da população negra quanto a atuação do museu: quem tem o direito de guardar, interpretar e contar essas memórias. Ao aproximar diferentes áreas, o ciclo trata o acervo não apenas como registro do passado, mas como instrumento de criação, autonomia e disputa de sentidos no presente.
“Durante muito tempo, as histórias e as formas de produzir conhecimento da população negra foram fragmentadas ou preservadas a partir do olhar de outras pessoas. Quando o Museu propõe uma formação sobre acervos, oralidade, criação, mercado e espaços expositivos, estamos falando também sobre quem tem o direito de guardar, interpretar e contar essas memórias. O legado de Itamar nos ensina que a autonomia não é apenas uma escolha artística, mas sim uma forma de existir, construir uma linguagem própria e abrir caminhos para quem vem depois”, afirma Anelis Assumpção, cantora, filha do artista e diretora-geral do MU.ITA.
A primeira aula será conduzida por Stephanie Alvarado. Em “Organização, preservação e manutenção da memória negra”, ela discute os arquivos como meios de transmissão de histórias e enfrentamento aos apagamentos que atravessam experiências negras.
Em 12 de agosto, Dalton Paula apresenta “Acervos e processos criativos”, encontro que aproxima memória, território e produção artística. No dia 19, Leda Maria Martins conduz “Afrografias da memória”, dedicado ao corpo, à oralidade e à performance como formas de registrar e produzir conhecimento.
A dimensão profissional entra na programação em 26 de agosto, com Priscila Melo. A aula “Mercados: profissionalização e autonomia” aborda caminhos para ampliar a presença, a independência e a permanência de artistas negros no setor cultural. O encerramento será em 2 de setembro, com Gabriela de Matos. Em “Expografias não hegemônicas”, a arquiteta discute outras formas de ocupar espaços e conceber exposições a partir de perspectivas afro-brasileiras.
O formato virtual permite a participação de pessoas de diferentes regiões do país. Todas as aulas terão Libras ao vivo, autodescrição, legendas nos materiais publicados no YouTube e guia em PDF.
O título “Penso, Logo Sinto” recupera uma canção de Itamar Assumpção e transforma seu pensamento em eixo para debates atuais. Reconhecido pela experimentação e pela independência artística, o músico construiu uma obra marcada pelas vivências negras e periféricas e pela busca de uma linguagem própria.
Fundado em 2020, o MU.ITA é o primeiro museu virtual dedicado a um artista negro no Brasil. Seu acervo reúne milhares de itens digitalizados, entre letras, canções, figurinos, objetos, fotografias, entrevistas e documentos.
As inscrições podem ser feitas gratuitamente no site do Museu Itamar Assumpção.
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