ELEIÇÕES 2026

Até onde vai uma discussão política? Especialista diz que escutar não significa concordar

Na véspera das eleições, especialista aponta a diferença entre discordar com firmeza e agredir, e quando preservar o vínculo exige colocar um limite

Luana Avelarpor em
Eleições
Foto: magnific

Uma conversa sobre eleição pode começar na escolha de um candidato e terminar muito longe das urnas. Uma ironia no grupo da família, uma provocação durante o almoço ou uma discussão entre amigos pode atingir valores, ressentimentos e relações construídas ao longo de anos. Na véspera do primeiro turno das Eleições 2026, conviver com a diferença volta a ser também um exercício fora da cabine de votação.

Para o psicanalista Lucas Lujan, isso acontece porque posições políticas não são feitas apenas de argumentos. Elas também envolvem pertencimento, expectativas, histórias pessoais e valores. Quanto mais uma opinião passa a representar quem alguém acredita ser, maior a chance de a discordância ser percebida como algo dirigido à própria pessoa. “Já não discordamos apenas sobre um candidato ou um projeto de sociedade, passamos a sentir que alguma coisa de nós mesmos está sendo atacada”, afirma.

O problema aparece quando essa diferença passa a ser organizada pela lógica de “nós ou eles”, como se a existência de um lado exigisse a eliminação simbólica do outro. Dentro de casa, o assunto pode carregar conflitos muito anteriores à campanha. Às vezes, duas pessoas parecem discutir política, mas também estão disputando quem pode discordar, quem precisa obedecer e quem costuma ser ouvido naquela família.

Quando a conversa tem limite

Discordar com firmeza não é o mesmo que agredir. Para Lujan, uma discussão continua possível enquanto as pessoas reconhecem a dignidade de quem está do outro lado. A fronteira muda quando entram ridicularização, constrangimento, ameaça ou tentativa de desumanizar o interlocutor. “O conflito, por si só, não é o problema”, afirma.

Também não há obrigação de convencer alguém ou permanecer indefinidamente em uma conversa que deixou de produzir escuta. “Nem todo diálogo precisa terminar em convencimento. Duas pessoas podem dizer claramente o que pensam, apresentar suas razões e reconhecer que continuam divergindo”, diz.

Em alguns casos, estabelecer que determinado comentário não será aceito basta para preservar a relação. Em outros, quando humilhações persistem, o limite pode incluir o afastamento. Lujan ressalta que preservar vínculos não deve se transformar em dever moral de permanecer exposto ao desrespeito.

“Escutar não significa concordar”, resume o psicanalista. A diferença está em sustentar o conflito sem transformar quem pensa de outra forma em alguém que precisa ser silenciado ou descartado para que a própria posição continue de pé.

LEIA MAIS:

Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.

Tags:
Discussão eleições 2026 Política

Veja também

receitas

APROVEITAMENTO DE ALIMENTOS

Veja três receitas fáceis para evitar o desperdício de leite

Bolo de caneca, mini pudim e molho cremoso são opções práticas para usar aquele restinho de leit...
dentista

SAÚDE E BEM-ESTAR

Saiba o que o dentista pode descobrir sobre a sua saúde geral

Especialista explica que uma consulta vai muito além de verificar como estão os dentes e a gengiva...
câncer de mama

saúde

Mulheres jovens também precisam se atentar ao câncer de mama

Neste Outubro Rosa mastologista esclarece cuidados que elas precisam ter desde mais novas
Em Goiânia, comédia popular aborda saúde da mulher em quatro sessões durante o Outubro Rosa

TEATRO E SAÚDE

Em Goiânia, comédia popular aborda saúde da mulher em quatro sessões durante o Outubro Rosa

"Armazém do Humor" usa comédia e crítica social para abordar empoderamento feminino em sessões �...
“Cobre do meu pai” será apresentado no CCUFG, em Goiânia, e em Luziânia

TEATRO

“Cobre do meu pai” será apresentado no CCUFG, em Goiânia, e em Luziânia

Espetáculo interpretado por Hélio Fróes, sob a direção de Fernanda Pimenta, conquistou os prêm...
geriatra

Outubro Prata

Você sabe qual o papel do geriatra? Especialista esclarece dúvidas sobre essa especialidade

Censo de 2022 aponta que população com mais de 60 anos cresceu 56% desde 2010; médico goiano expl...
Outubro Prata: cinco direitos que todo aposentado precisa conhecer além da aposentadoria

DIREITOS E PREVIDÊNCIA

Outubro Prata: cinco direitos que todo aposentado precisa conhecer além da aposentadoria

Advogado previdenciarista esclarece dúvidas sobre acúmulo de benefícios, BPC, FGTS aos 70 anos e ...
Horóscopo do dia (03/10): veja as previsões para o seu signo

ASTROS

Horóscopo do dia (03/10): veja as previsões para o seu signo

O dia favorece novos contatos, conversas sinceras e decisões profissionais, mas alguns signos devem...