terça-feira, 4 de agosto de 2026
POLÍTICA

PF amplia investigações contra Lulinha e apura suposto tráfico de influência

Filho do presidente Lula é alvo de quatro investigações da Polícia Federal

Micael Mourapor Micael Moura em 4 de agosto de 2026 às 17:29
Lulinha
Foto: Reprodução

Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, tornou-se alvo de quatro investigações simultâneas da Polícia Federal (PF) que apuram suspeitas de tráfico de influência em diferentes órgãos do governo federal. Segundo informações apresentadas pelo analista de segurança pública Elijonas Maia, durante o programa Bastidores CNN, nesta terça-feira (4), as apurações tiveram origem no inquérito que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

De acordo com o analista, documentos e informações obtidos durante a investigação do INSS levaram a Polícia Federal a comunicar o Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a abertura de novos inquéritos.

“A partir do que foi encontrado dentro das investigações desse caso. A Polícia Federal pescou informações, colheu documentos e, com base nisso, se viu obrigada a comunicar o Supremo Tribunal Federal”, afirmou Elijonas Maia.

Investigações foram desmembradas

As informações coletadas pela PF resultaram em três novos pedidos de investigação, distribuídos por sorteio no STF. Dois deles ficaram sob a relatoria do ministro André Mendonça, enquanto o terceiro passou para o ministro Flávio Dino.

Segundo a apuração, cada inquérito investiga uma suposta atuação distinta de Lulinha junto a órgãos do governo federal.

Ministério da Saúde

Uma das investigações apura a suspeita de que Lulinha teria favorecido a empresa ligada ao empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, que atua no setor de produtos medicinais à base de cannabis, em negociações junto ao Ministério da Saúde para facilitar contratos com o governo federal.

Dataprev

Outro inquérito investiga uma suposta atuação para beneficiar uma empresa de tecnologia da informação em contratos com a Dataprev. Segundo a investigação, a empresa possui contratos de aproximadamente R$ 55 milhões com o governo federal.

Em nota, a Dataprev informou que todos os contratos seguem a legislação vigente e afirmou que não possui contrato com a empresa citada na investigação.

Terceiro inquérito segue sob sigilo

O terceiro procedimento, conduzido pelo ministro Flávio Dino, permanece sob sigilo. Até o momento, não foram divulgados detalhes sobre qual órgão público teria sido alvo da suposta influência.

Segundo Elijonas Maia, o que se sabe é que a investigação apura a possível atuação de um grupo que teria utilizado influência junto ao governo federal, sem que um órgão específico tenha sido identificado até agora.

Ainda de acordo com o analista, a Polícia Federal optou por dividir as apurações porque cada caso envolve suspeitas relacionadas a diferentes órgãos da administração pública.

“Em tese, a influência dele com os contratos seria para órgãos diferentes, e pedir inquéritos separados, no entendimento da PF, ajudaria no andamento da investigação”, explicou.

Defesa critica investigações

A defesa de Lulinha, representada pelo advogado Marco Aurélio Carvalho, reagiu às investigações e afirmou que a Polícia Federal estaria tentando interferir no processo eleitoral.

Segundo a defesa, os investigadores estariam buscando, de forma aleatória, elementos para incriminar o filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Até o momento, não há decisão judicial sobre o mérito das acusações, e as investigações seguem em andamento.

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