PSDB goiano precisa de “nova reconstrução” após perda de espaço
Cientistas políticos avaliam que a legenda precisa reiniciar trabalho de reestruturação após os resultados na eleição do último domingo (4)
O resultado das eleições de 2026 impôs ao PSDB de Goiás uma nova etapa de reorganização. Depois de décadas em que ocupou posição central na política estadual, o partido encerra o pleito com uma nova perda de espaço.
Pela primeira vez em 30 anos, a legenda não conquistou cadeira na Câmara dos Deputados entre as 17 disponíveis para os goianos. Na disputa pelo Governo do Estado, principal aposta da legenda, o ex-governador Marconi Perillo amargou um quarto lugar, com 8,69% dos votos.
A votação ficou distante do cenário projetado durante boa parte da campanha. Marconi aparecia nas pesquisas em disputa pela segunda colocação com o senador Wilder Morais (PL) e trabalhava com a possibilidade de avançar ao segundo turno.
O resultado também chama atenção pelo desempenho do ex-deputado Luis Cesar Bueno, que representou o PT na corrida pelo Palácio das Esmeraldas. Escolhido como candidato apenas às vésperas do início oficial da campanha, o petista terminou em terceiro na disputa, à frente de Marconi, que já estava em pré-campanha desde 2025.
Para o professor da Universidade Federal de Goiás (UFG) e doutorando em ciência política na Universidade de Brasília (UnB) Guilherme Carvalho, o desempenho expôs problemas na estratégia adotada. De acordo com o cientista político, a campanha buscou recuperar uma identidade dos governos tucanos no Estado, que não surtiu efeito em razão de não dialogar com as demandas do eleitorado.
“Marconi precisa rever o que ele quer de destino político. Ele saiu de Goiás brigado com o eleitor [em 2018]. Em certo sentido, ele precisa voltar e entender o que o eleitor quer hoje, se quiser continuar na vida pública. É a terceira derrota, mas essa é a mais acachapante”, diz Carvalho ao O HOJE. Após deixar o Governo do Estado, o tucano disputou o Senado Federal em 2018 e 2022. Nas duas ocasiões, não foi eleito.
Enfraquecimento do PSDB
O enfraquecimento do PSDB não se restringe à candidatura majoritária e à Câmara dos Deputados. A sigla também não conseguiu ampliar sua presença na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). A federação PSDB-Cidadania elegeu três deputados estaduais, uma cadeira a mais que em 2022, mas o crescimento ocorreu por conta da eleição do presidente da Câmara Municipal de Goiânia, Romário Policarpo (Cidadania). Na prática, o número de tucanos eleitos permaneceu igual ao do pleito anterior.
A composição também expôs dificuldades para preservar nomes que chegaram ao PSDB durante a janela partidária com o objetivo de buscar a reeleição. Gugu Nader e Clécio Alves, que haviam migrado para a legenda, não conseguiram renovar os mandatos na Alego.
Na avaliação do professor da PUC-GO e cientista político Pedro Pietrafesa, o resultado mostra que a legenda terá de começar um processo de reconstrução política. Pietrafesa avalia que, além da ausência de deputados federais, o PSDB perdeu capilaridade municipal. “Falta ao PSDB prefeituras, deputados federais, senadores. É preciso começar de novo a reconstruir o partido”, afirma.
Para o professor da PUC-GO, a trajetória do ex-governador também precisa ser revista. “Ele terá que rever as suas estratégias e tentar se reinventar no mundo político. Quem sabe para ele isso signifique dar um passo atrás, mas dar um passo atrás no que se refere aos mandatos que ele disputa. Ao invés do Senado ou do governo estadual, concorrer a uma vaga de deputado federal pode ser um reinício”, avalia.
Oposição ao governo
Apesar do desempenho abaixo da expectativa, a avaliação no grupo do ex-governador é que Marconi conseguiu ser oposição ao Governo do Estado. Durante a campanha, o tucano percorreu todos os 246 municípios goianos em agendas e as críticas ao grupo palaciano esteve no centro dos discursos do ex-chefe do Palácio das Esmeraldas.
Porém, para Carvalho, o resultado de 2026 reforça a posição do PL como principal força de oposição ao governador Daniel Vilela (MDB). “[Marconi] Precisa entender o tamanho que ele tem hoje, que não é o mesmo que já teve. É momento de dar um passo atrás e se reestruturar para o que vem pelo futuro, que não são poucos desafios. O PSDB não é a segunda força do Estado, é o PL”, observa.
Siga o Canal do O Hoje e receba as principais notícias do dia direto no seu WhatsApp! Canal do O Hoje.