Filho do presidente

PT tenta transformar investigações sobre Lulinha em discurso de autonomia da PF

Partido avalia os impactos eleitorais dos dois inquéritos e pretende comparar a atuação da Polícia Federal nos governos Lula e Bolsonaro

Bruno Goulartpor Bruno Goulart em 1 de agosto de 2026 às 11:00
Lulinha
Partido pretende destacar que a Polícia Federal tem autonomia para investigar até mesmo pessoas próximas ao governo. Foto: Reprodução

A abertura de dois inquéritos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, levou o PT a definir uma estratégia para reduzir possíveis danos à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O partido pretende destacar que a Polícia Federal tem autonomia para investigar até mesmo pessoas próximas ao governo. Ao mesmo tempo, a corporação acionou a Advocacia-Geral da União contra determinações do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, no comando da Operação Sem Desconto, que apura fraudes bilionárias no INSS.

O primeiro inquérito apura suspeitas de corrupção e tráfico de influência em negociações para beneficiar uma empresa do setor de cannabis medicinal junto ao Ministério da Saúde. Já a segunda investigação busca esclarecer se Lulinha teria atuado junto à Dataprev para favorecer um empresário na obtenção de contratos. A defesa do filho do presidente nega irregularidades e afirma que ele não atuou no governo federal para beneficiar terceiros.

Flávio Bolsonaro

Enquanto isso, Flávio Bolsonaro e sua equipe passaram a explorar politicamente o caso, com críticas ao governo e a retomada do discurso de combate à corrupção. Em resposta, o PT pretende comparar a atual condução da Polícia Federal com a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro. O partido deve relembrar episódios que classifica como tentativas de interferência na corporação durante o governo anterior.

Por outro lado, o PT ainda avalia o tamanho do impacto das investigações na disputa eleitoral. A estratégia, enquanto os casos permanecerem no campo das suspeitas, será sustentar que Lula devolveu à Polícia Federal o papel de instituição de Estado. O presidente também declarou que o filho não terá privilégios e deverá apresentar sua defesa às autoridades.

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