Juízes poderão ter de explicar presentes, viagens e negócios; entenda a proposta
Texto apresentado por Edson Fachin prevê medidas contra conflitos de interesse, mas ainda passará por consulta antes de ser votado pelo CNJ
Presentes, viagens custeadas por terceiros, participação em empresas e relações profissionais de familiares poderão passar por novos critérios de transparência no Poder Judiciário. Uma proposta apresentada pelo ministro Edson Fachin nesta terça-feira (4) pretende instituir uma política nacional de prevenção e gestão de conflitos de interesse envolvendo juízes.
Fachin preside o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar disso, as medidas discutidas pelo Conselho não serão aplicadas aos ministros do Supremo. A Corte não é subordinada ao CNJ e discute um código de conduta próprio, que ainda não foi aprovado.
A minuta apresentada contém 23 dispositivos, mas não chegou a ser votada. O presidente do Conselho propôs a suspensão da análise por 60 dias, período em que tribunais, conselhos, entidades da magistratura e representantes dos servidores poderão encaminhar sugestões.
Somente depois dessa etapa a versão final poderá ser levada ao plenário do CNJ.
Eventos patrocinados entram na proposta
Um dos principais pontos trata da participação de juízes e conselheiros em eventos financiados por empresas ou outras entidades privadas.
Para avaliar se existe risco de conflito, deverão ser observados a identidade e o ramo de atuação do patrocinador, a finalidade do evento, o valor e a razoabilidade das despesas pagas e a possibilidade de comprometimento da independência ou da aparência de imparcialidade do magistrado.
A proposta também estabelece parâmetros para o recebimento de presentes, cortesias e hospitalidades. Cada situação deverá ser avaliada com base em princípios como transparência, prudência, proporcionalidade, impessoalidade e independência funcional.
Também entram no campo de atenção as atividades acadêmicas ou empresariais relevantes, a participação societária, os vínculos familiares e profissionais, o acesso a informações reservadas e a atuação administrativa em processos de licitação ou contratação pública.
Os tribunais poderão criar canais confidenciais para que magistrados e servidores consultem previamente se determinada situação representa risco ético. Também poderão ser implantados sistemas de declaração de interesses.
Texto não cria novas punições
Segundo Fachin, a resolução não pretende criar novas infrações disciplinares nem ampliar as hipóteses legais de impedimento ou suspeição. O modelo terá caráter preventivo e orientador, com o objetivo de identificar conflitos reais, potenciais ou aparentes antes que comprometam a confiança nas decisões judiciais.
Se o texto for aprovado, o CNJ terá 120 dias para elaborar o Guia Nacional de Prevenção e Gestão de Conflitos de Interesses. O documento deverá reunir orientações, exemplos práticos e boas práticas.
Após a publicação do guia, os tribunais terão 180 dias para adaptar normas e procedimentos internos. A aplicação das diretrizes deverá ser acompanhada periodicamente pelo Conselho Nacional de Justiça.
Com informações da Agência Brasil e do Conselho Nacional de Justiça.
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