quarta-feira, 5 de agosto de 2026
STF FICA DE FORA

Juízes poderão ter de explicar presentes, viagens e negócios; entenda a proposta

Texto apresentado por Edson Fachin prevê medidas contra conflitos de interesse, mas ainda passará por consulta antes de ser votado pelo CNJ

Bia Salespor Bia Sales em 4 de agosto de 2026 às 18:30
Juízes poderão ter de explicar presentes, viagens e negócios; entenda a proposta
(Imagem: Antônio Augusto/STF)

Presentes, viagens custeadas por terceiros, participação em empresas e relações profissionais de familiares poderão passar por novos critérios de transparência no Poder Judiciário. Uma proposta apresentada pelo ministro Edson Fachin nesta terça-feira (4) pretende instituir uma política nacional de prevenção e gestão de conflitos de interesse envolvendo juízes.

Fachin preside o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar disso, as medidas discutidas pelo Conselho não serão aplicadas aos ministros do Supremo. A Corte não é subordinada ao CNJ e discute um código de conduta próprio, que ainda não foi aprovado.

A minuta apresentada contém 23 dispositivos, mas não chegou a ser votada. O presidente do Conselho propôs a suspensão da análise por 60 dias, período em que tribunais, conselhos, entidades da magistratura e representantes dos servidores poderão encaminhar sugestões.

Somente depois dessa etapa a versão final poderá ser levada ao plenário do CNJ.

Eventos patrocinados entram na proposta

Um dos principais pontos trata da participação de juízes e conselheiros em eventos financiados por empresas ou outras entidades privadas.

Para avaliar se existe risco de conflito, deverão ser observados a identidade e o ramo de atuação do patrocinador, a finalidade do evento, o valor e a razoabilidade das despesas pagas e a possibilidade de comprometimento da independência ou da aparência de imparcialidade do magistrado.

A proposta também estabelece parâmetros para o recebimento de presentes, cortesias e hospitalidades. Cada situação deverá ser avaliada com base em princípios como transparência, prudência, proporcionalidade, impessoalidade e independência funcional.

Também entram no campo de atenção as atividades acadêmicas ou empresariais relevantes, a participação societária, os vínculos familiares e profissionais, o acesso a informações reservadas e a atuação administrativa em processos de licitação ou contratação pública.

Os tribunais poderão criar canais confidenciais para que magistrados e servidores consultem previamente se determinada situação representa risco ético. Também poderão ser implantados sistemas de declaração de interesses.

Texto não cria novas punições

Segundo Fachin, a resolução não pretende criar novas infrações disciplinares nem ampliar as hipóteses legais de impedimento ou suspeição. O modelo terá caráter preventivo e orientador, com o objetivo de identificar conflitos reais, potenciais ou aparentes antes que comprometam a confiança nas decisões judiciais.

Se o texto for aprovado, o CNJ terá 120 dias para elaborar o Guia Nacional de Prevenção e Gestão de Conflitos de Interesses. O documento deverá reunir orientações, exemplos práticos e boas práticas.

Após a publicação do guia, os tribunais terão 180 dias para adaptar normas e procedimentos internos. A aplicação das diretrizes deverá ser acompanhada periodicamente pelo Conselho Nacional de Justiça.

Com informações da Agência Brasil e do Conselho Nacional de Justiça.

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