terça-feira, 6 de outubro de 2026
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DJ Hans atravessa gerações da música eletrônica em Goiânia

Veterano das pistas relembra os tempos do vinil, as casas noturnas da capital e a experiência em grandes eventos, como a turnê Buteco

Luana Avelarpor em
DJ Hans
Foto: Gabriel Louza/ O Hoje

Antes que pen drives, softwares e controladoras digitais passassem a concentrar milhares de faixas em poucos centímetros, escolher o que tocar exigia carregar discos, conhecer capas, gravar sequências na memória e aprender a ouvir a pista. Foi nesse ambiente que DJ Hans construiu uma carreira que atravessa mais de três décadas da música eletrônica em Goiânia. Convidado do Manda Vê da última segunda-feira (5), ele relembrou a formação entre vinis, casas noturnas e programas de rádio e falou sobre as mudanças que levaram a profissão dos pequenos clubes aos grandes eventos.

 

 

O interesse pela música começou ainda na infância. Filho de uma família que mantinha festas e música presentes em casa, Hans cresceu observando os irmãos mais velhos ouvirem discos e gravarem fitas cassete. Um deles se tornaria uma de suas principais referências. Durante as férias escolares, as viagens a São Paulo ampliaram aquele repertório. Enquanto ainda era adolescente, frequentava lojas da região da rua 24 de Maio onde DJs profissionais buscavam lançamentos importados.

A experiência ajudou a formar um ouvido que depois seria levado para Goiânia, cidade frequentemente reduzida, fora de Goiás, à imagem de capital do sertanejo. Hans conta que até vendedores paulistanos estranhavam as escolhas que fazia. “‘Ué, Hans, isso toca lá na sua cidade?’”, lembra ter ouvido de um deles.

Na capital goiana, começou cedo a trabalhar em casas noturnas e passou por diferentes fases do circuito local. O primeiro espaço em que tocou profissionalmente foi no Setor Marista. Depois vieram outras residências em clubes que marcaram diferentes gerações da noite goianiense. O trabalho também o levou ao rádio, onde permaneceu por cerca de dez anos em emissoras FM da cidade. Ali, aprendeu a equilibrar repertórios. Músicas mais conhecidas precisavam conviver com faixas da cena underground que acompanhava de perto.

Essa capacidade de transitar entre públicos se tornou uma das características de sua atuação. Para Hans, a função de um DJ não está apenas em reunir músicas populares ou executar uma sequência tecnicamente correta. Um set precisa obedecer a uma espécie de dramaturgia.

“Um bom set você vai contando uma história”, afirmou durante a entrevista. A comparação usada por ele é com um filme ou um livro, com começo, meio e fim. A leitura da pista determina quando desacelerar, aumentar a energia ou preparar o público para quem toca depois.

A lógica foi especialmente importante em sua atuação como DJ residente. Hans explica que o profissional responsável pela abertura de uma casa não deve competir com a atração principal. Cabe a ele construir o chamado warm-up, preparar a pista sem antecipar o auge da noite. “O bom DJ tem que ter feeling”, afirma.

Ao longo da carreira, a técnica também precisou acompanhar transformações. Hans começou no vinil, atravessou a chegada do CD, das CDJs e do pen drive até chegar aos equipamentos digitais atuais. Embora considere os recursos tecnológicos bem-vindos, diz que a discotecagem analógica exige outra relação com a música. No disco, explica, existe uma memória visual. É possível reconhecer uma faixa pela capa, pelo selo e pela posição física do registro.

“Você pega na música”, resumiu. A mudança de suporte não alterou, para ele, a parte central do trabalho, que envolve ouvir, selecionar e compreender o público. “O jeito de tocar é o mesmo. Só mudou a forma física da música ser arquivada”, disse.

Do clube aos grandes palcos

Essa experiência também levou Hans para ambientes diferentes das pistas onde iniciou a carreira. Nos últimos anos, ele atuou como DJ e em suporte artístico na turnê Buteco, de Gusttavo Lima, experiência que o colocou diante de públicos muito maiores e de outra dinâmica musical.

Na entrevista, Hans explicou que grandes eventos exigem uma seleção mais abrangente. Quanto maior e mais heterogêneo o público, maior tende a ser a necessidade de recorrer a uma linguagem musical reconhecível. Ao citar os eventos de música sertaneja e sua experiência com Gusttavo Lima, ele afirma que a música eletrônica precisa dialogar com referências mais populares para alcançar uma plateia formada por gostos distintos.

A dimensão dos palcos mudou, mas a lógica que Hans aprendeu entre as casas noturnas de Goiânia permanece. Seja diante de uma pista pequena ou de milhares de pessoas, o trabalho continua baseado em observar o ambiente e decidir qual música deve vir depois.

Depois de décadas acompanhando mudanças de equipamentos, formatos e hábitos de consumo, Hans também voltou ao ponto de partida. O vinil, abandonado pela indústria por um período, reapareceu em festas e projetos do DJ. Em uma profissão moldada pela velocidade da tecnologia, ele mantém no formato analógico uma ligação com a época em que começou, quando cada disco precisava ser escolhido, carregado e colocado na agulha antes que a próxima história pudesse começar. A entrevista completa com DJ Hans está disponível no canal do Manda Vê no YouTube.

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Tags:
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