Em Goiânia, Flávio Bolsonaro defende mudança na Constituição para “redemocratizar” o país
Candidato do PL abriu segundo turno, na capital, ao lado de Caiado, Daniel e do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, já propondo uma nova constituinte no Brasil
Bruno Goulart
O candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, escolheu Goiânia para dar a largada à campanha do segundo turno e afirmou que pretende usar a maioria de direita eleita para o Congresso Nacional para promover mudanças na Constituição. Durante evento realizado na tarde desta terça-feira (6), o senador disse que a nova composição da Câmara dos Deputados e do Senado será fundamental para um eventual governo do PL. A proposta, segundo o senador, é alterar a Constituição para “redemocratizar esse país” e fazer com que as instituições “voltem a respeitar a Constituição”.
“Uma maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, uma maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, para a gente mudar a Constituição, para a gente redemocratizar esse país, para as instituições voltarem a respeitar a Constituição”, afirmou. A fala foi feita diante de uma plateia formada por prefeitos, vereadores e lideranças políticas. Mais de 160 prefeitos goianos participaram do encontro, que também reuniu o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), o ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), a senadora eleita Gracinha Caiado (UB) e o candidato à Presidência do Congresso, senador Rogério Marinho (PL-RN).
Flávio classificou ainda o resultado eleitoral como uma demonstração da força da direita e voltou a atacar o PT e o presidente Lula da Silva. “Acabou para o PT, acabou para o Lula. Porque a gente vai ganhar essa eleição”, afirmou. Na avaliação do candidato, a nova composição do Legislativo cria condições políticas para avançar em propostas que dependem do Congresso e para promover alterações no funcionamento das instituições.
Propostas
A segurança pública foi um dos principais temas do discurso. Ao lado de Caiado, Flávio prometeu endurecer as leis contra organizações criminosas e afirmou que pretende se inspirar nas políticas adotadas em Goiás e São Paulo. Entre as propostas apresentadas está a construção de mais de meio milhão de vagas no sistema prisional e o aumento das penas para chefes de facções criminosas.
O candidato também defendeu que organizações como PCC, Comando Vermelho e milícias sejam classificadas como terroristas. Segundo Flávio, os líderes dessas organizações poderiam permanecer presos por até 80 anos. Para crimes contra mulheres, ele afirmou que pretende ampliar as punições e estabeleceu como proposta pena de até 40 anos de prisão para agressores.
Outra bandeira apresentada foi a redução da maioridade penal. Flávio afirmou que adolescentes envolvidos em crimes considerados graves devem responder como adultos. “Menor de idade que estupra, que mata, que sequestra, que trafica, tem que responder como gente grande”, disse. O senador também defendeu que pessoas com mais de 16 anos possam ter carteira de motorista, relacionando a medida ao fato de jovens dessa idade já terem direito ao voto.
Flávio também disse que vai trabalhar próximo dos municípios ao destacar que as necessidades da população está nas cidades. “É aqui que a pessoa vai buscar um médico, uma UBS. É aqui que a mulher vai buscar uma vaga na sua creche para poder deixar o seu filho em segurança, bem cuidado, bem alimentado, para poder trabalhar e levar dignidade para dentro da sua casa”, afirmou.
O evento também marcou a aproximação entre Flávio e Ronaldo Caiado, que disputou a Presidência pelo PSD no primeiro turno e terminou fora do segundo turno. O ex-governador declarou apoio ao candidato do PL e entregou a ele uma agenda com compromissos e propostas de seu plano de governo. Flávio afirmou que existe ampla convergência entre as duas plataformas. “Esse rol de critérios programáticos que ele me entregou aqui, a gente concorda em praticamente 115% do que está aqui”, afirmou o senador. Flávio ainda citou a segurança pública de Goiás como uma referência para seu eventual governo. Durante o evento, apoiadores passaram a chamar Caiado de “ministro”, em uma sinalização sobre a possibilidade de o ex-governador ocupar espaço em um eventual governo do PL.
Caiado também aproveitou o discurso para reconhecer que foi duro com Flávio durante a campanha do primeiro turno. O ex-governador afirmou que suas críticas ocorreram porque tinha o objetivo de vencer a eleição presidencial. “Eu não entro na campanha morto, eu entro na campanha duro. Eu sim, excedi nas minhas críticas, mas você sabe que eu queria ser presidente”, disse.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, também participou do ato e reforçou a defesa do legado político do ex-presidente Jair Bolsonaro. Em discurso, afirmou que Bolsonaro foi “calado”, “trancado” e “injustiçado”, mas que sua influência continua presente entre os apoiadores. “Esse movimento é imparável. E esse movimento vai mudar o Brasil”, declarou.
Ao encerrar a fala, Flávio voltou a apresentar a eleição como uma disputa entre a direita e o PT. Disse ser um “empecilho” para que o Brasil não siga o caminho da Venezuela e afirmou que sua candidatura representa uma reação ao que chamou de avanço de grupos que poderiam ameaçar o país.
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