Mabel presta contas do segundo quadrimestre e aponta mais de R$ 600 mi em investimentos em Goiânia
Prefeito anunciou medidas para intensificar a cobrança de devedores e afirmou que busca alternativas para manter isenções e subsídios
O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (União Brasil), apresentou nesta segunda-feira (26) a prestação de contas do segundo quadrimestre de 2026, referente ao período de maio a agosto, na Câmara Municipal. A sessão reuniu números sobre arrecadação, despesas, investimentos e metas para áreas como saúde, educação e infraestrutura.
Embora o ambiente tenha sido amistoso em alguns momentos, com manifestações de apoio de vereadores à gestão, o clima também ficou mais tenso durante os questionamentos dos parlamentares, especialmente no embate entre o prefeito e a vereadora Aava Santiago (PSB), que discutiu a Taxa de Limpeza Pública (TLP).
No balanço apresentado, a Prefeitura informou ter arrecadado R$ 7,27 bilhões entre janeiro e agosto, enquanto as despesas liquidadas somaram R$ 6,88 bilhões. Mabel destacou a diferença entre receitas e despesas e comemorou o volume de investimentos realizado no período. O relatório, porém, também mostrou que a aplicação na educação ainda estava abaixo do mínimo constitucional, embora a administração tenha afirmado que pretende atingir o percentual exigido até o fim do ano de 2026.
Investimentos crescem e prefeito projeta novas obras
Um dos principais pontos destacados por Mabel com otimismo foi o investimento de R$ 663,3 milhões entre janeiro e agosto de 2026. Segundo os dados apresentados, o montante representa alta de 301,62% em relação ao mesmo período de 2025 e supera em 32,37% o total investido durante todo o ano passado, quando foram aplicados cerca de R$ 501,1 milhões. A previsão da administração é chegar a aproximadamente R$ 1 bilhão em investimentos até dezembro.
Na área de mobilidade urbana, o prefeito citou o programa de recapeamento asfáltico, com a meta de recuperar 500 quilômetros de vias em 2027 e outros 500 quilômetros em 2028. Também anunciou intervenções para melhorar o fluxo de veículos, entre elas um viaduto na Avenida Perimetral Norte, com elevado e alças laterais, além da implantação de novos corredores de ônibus e de trechos com semáforos sincronizados.
Mabel ainda mencionou obras de contenção e drenagem nos córregos Cascavel, Botafogo e Capim Puba, com a proposta de reduzir os alagamentos em diferentes regiões da capital. Durante a apresentação, também falou sobre a regularização fundiária, com a previsão de ampliar a entrega de escrituras, e sobre a ligação entre a Avenida Perimetral Norte e a GO-060. As iniciativas foram apresentadas como parte do plano de intervenções da gestão, mas nem todos os projetos tiveram cronogramas detalhados durante a sessão.
Saúde supera mínimo; educação ainda precisa alcançar índice
Na saúde, a Prefeitura informou ter aplicado 18,57% da receita de impostos e transferências, acima do mínimo constitucional de 15%. Mabel afirmou que o percentual representa cerca de R$ 400 milhões a mais do que o valor correspondente ao piso legal e anunciou a previsão de investir R$ 500 milhões na área nos próximos dois anos. Entre os projetos citados estão a construção ou reconstrução de oito Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e a implantação de 32 Unidades Básicas de Saúde (UBSs).
Na educação, o índice de aplicação ficou em 21,88%, abaixo dos 25% previstos na Constituição. O prefeito afirmou que a gestão pretende alcançar o percentual até o encerramento do exercício, como ocorreu em 2025, quando o município terminou o ano com aplicação de 25,83%. Mabel atribuiu parte dos gastos da área a investimentos em equipamentos, como tablets, lousas eletrônicas e aparelhos de ar-condicionado, além de reformas em escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (Cmeis).
O relatório também apontou resultado primário positivo de R$ 137,9 milhões, acima da meta anual de R$ 132,7 milhões. Já as despesas com pessoal comprometeram 45,58% da Receita Corrente Líquida, abaixo do limite de alerta de 48,6% previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. Apesar dos indicadores apresentados pela gestão, a diferença entre a receita arrecadada e a despesa liquidada não significa, isoladamente, que todo o valor esteja disponível em caixa, conforme ressalva da própria Secretaria Municipal da Fazenda.
Prefeitura mira recuperação de R$ 9 bi em débitos municipais
Outro tema destacado pelo prefeito foi a cobrança da dívida ativa municipal. Mabel afirmou que cerca de R$ 9 bilhões em débitos estão concentrados em apenas 100 devedores e defendeu medidas mais rigorosas para recuperar os recursos. Segundo ele, a administração trabalha para ampliar a localização de bens e tornar a cobrança mais efetiva. O prefeito também criticou a repetição de programas de renegociação fiscal, por considerar que descontos frequentes podem estimular contribuintes a adiar o pagamento dos tributos.
A discussão ganhou tom mais tenso quando a vereadora Aava Santiago questionou os critérios relacionados à Taxa de Limpeza Pública. Ao responder, Mabel defendeu a cobrança e afirmou que a Prefeitura procura estabelecer um modelo que considere a capacidade de pagamento dos contribuintes. Segundo o prefeito, mais de 201 mil casas de famílias de baixa renda recebem isenção, enquanto os subsídios podem reduzir em até 75% o custo da taxa para determinados contribuintes.
Mabel sustentou que o debate jurídico envolve os critérios de cobrança e a aplicação de benefícios, e não necessariamente a existência da taxa. Ele afirmou que a administração busca, junto à Procuradoria do Município, uma alternativa juridicamente segura que mantenha o serviço de limpeza urbana sem impor um peso desproporcional às famílias mais pobres. Aava, por sua vez, levou ao debate questionamentos sobre a legalidade do modelo e a forma como a cobrança foi estruturada.
O confronto contrastou com momentos anteriores da prestação de contas, quando vereadores elogiaram ações da gestão, especialmente nas áreas de saúde, educação e infraestrutura.
Durante a coletiva de imprensa, o presidente eleito da Câmara Municipal de Goiânia, vereador Thialu Guiotti (Avante), afirmou que a gestão do prefeito Sandro Mabel (União Brasil) precisa ampliar a articulação política após avançar na reorganização das contas públicas. O parlamentar elogiou o controle dos gastos, a recuperação financeira e os investimentos realizados pela Prefeitura, mas avaliou que o próximo passo deve ser fortalecer o diálogo com os vereadores e outros setores. “Se agora está tudo nos trilhos, agora precisa fazer política, e política com P maiúsculo”, afirmou.
O vereador Anselmo Pereira citou intervenções viárias, recuperação asfáltica e serviços urbanos. As manifestações contribuíram para um ambiente inicialmente cordial, mas os questionamentos sobre a taxa do lixo evidenciaram divergências entre o Executivo e parte dos parlamentares.
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