Oposição anuncia pedidos de impeachment contra Zanin após decisão eleitoral
Aliados de Flávio Bolsonaro acusam ministro do STF de interferência na votação; prorrogação foi determinada próximo às 17h
A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin, de estender até às 19h a votação do segundo turno presidencial provocou reação de parlamentares da oposição, que anunciaram pedidos de impeachment contra o magistrado nesta segunda-feira (26). Aliados do senador e candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusaram Zanin de interferir no processo eleitoral após relatos de dificuldades no transporte público em diferentes regiões do país.
Coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN) acusou Zanin de tentar “tumultuar o processo de uma eleição que eles já perderam no voto” através de uma medida “intempestiva”.
O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também contestou a decisão. O parlamentar mineiro disse que a extensão do horário poderia beneficiar o candidato que estivesse em desvantagem. “O único que é beneficiado pela prorrogação é o time que está perdendo […] Se a gente ganha, é o natural, é o normal. Se a gente perder, pode ter certeza que essa prorrogação só ajudou um time”, declarou.
Entre os parlamentares que anunciaram medidas formais está Marcel van Hattem (Novo-RS), deputado federal e senador eleito. O parlamentar afirmou que pretende protocolar um pedido de impeachment contra Zanin e questionou a competência do ministro para determinar a mudança após as 17h.
“Protocolarei impeachment de Zanin por atuação desidiosa! Decidiu sem ter competência para tal e depois das 17h, quando o processo eleitoral já estava legalmente encerrado”, publicou na plataforma X. Van Hattem também levantou suspeitas sobre a atuação de Zanin, em razão do ministro ter sido advogado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nos processos da Operação Lava-Jato.
O senador Jorge Seif (PL-SC) disse ter orientado sua equipe a preparar outro pedido. “Já determinei a minha equipe que peça o impeachment de Cristiano Zanin, advogado de Lula. Esse advogado de Lula, às 16h32 da tarde pediu a prorrogação das eleições por mais duas horas. Não há tempo pra isso”, escreveu.
Já o deputado eleito Lucas Pavanato (PL-SP) ampliou as críticas ao Supremo e direcionou um recado ao ministro. “Não vamos tirar só o Alexandre de Moraes! Se prepara, Zanin”, declarou. Pablo Marçal também questionou o resultado eleitoral e levantou dúvidas sobre a mudança no cenário da disputa, sem apresentar evidências que sustentassem sua contestação.
Pedido da campanha de Lula
A prorrogação foi determinada após a campanha de Lula alegar que a circulação incompleta de ônibus em algumas localidades dificultava o deslocamento de eleitores até as seções eleitorais. O pedido também foi encaminhado ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, cerca de duas horas antes da decisão de Zanin.
A mudança gerou dúvidas porque parte das seções já havia encerrado a votação às 17h. Posteriormente, Zanin esclareceu que a extensão valeria apenas para os locais em que as urnas ainda não tivessem sido fechadas. Nas seções onde a votação já havia terminado, os votos deveriam ser computados normalmente.
Em comunicado, o TSE confirmou que a votação continuaria somente nas seções ainda em funcionamento e informou que a totalização seria retomada após as 19h. A campanha de Flávio também havia solicitado à Justiça Eleitoral a prorrogação de prazos em municípios de Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo e Santa Catarina. A defesa da campanha do liberal alegou que mudanças climáticas afetaram os eleitores.
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