PF intima Flávio Bolsonaro a entregar passaportes após decisão de Moraes
Senador afirma que medida é uma tentativa de intimidação; decisão também o impede de deixar o país após declarações do irmão, Eduardo Bolsonaro, sobre uma possível saída do Brasil
A Polícia Federal intimou o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na eleição presidencial, a entregar os passaportes comum e diplomático. A medida cumpre determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e também proíbe o parlamentar de deixar o país. Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que recebeu a intimação após visitar o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. “Nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou.
Segundo Flávio, a decisão de Moraes teve como base declarações feitas pelo irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL), em 23 de outubro. Durante entrevista ao programa Louder with Crowder, apresentado pelo comentarista americano Steven Crowder, Eduardo sugeriu que o senador deixasse o Brasil caso perdesse a eleição presidencial. Ao comentar a intimação, Flávio criticou a atuação da Polícia Federal e afirmou que foi abordado na rua, em frente à casa do pai, para receber a determinação judicial.
A intimação ocorre após a derrota de Flávio para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador. Embora tenha terminado o primeiro turno à frente do adversário, com mais de 2 milhões de votos de vantagem, Flávio não conseguiu manter a dianteira na etapa final da disputa. Após a confirmação do resultado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o senador contestou a condução do processo eleitoral e afirmou que fiscais do PL teriam sido retirados da sala-cofre. O TSE, porém, desmentiu essa declaração.
Flávio questiona processo eleitoral
Nesta segunda-feira (26), Flávio voltou a questionar a prorrogação do horário de votação no dia da eleição e afirmou que o impacto da medida precisa ser esclarecido. “O que aconteceu nesse intervalo de tempo, ninguém consegue entender e isso precisa ser esclarecido. Ninguém sabe exatamente o impacto disso”, disse. Entretanto, levantamento da Folha de S.Paulo com dados do TSE apontou que apenas 34,3 mil votos foram registrados após as 17h. A diferença entre Lula e Flávio ultrapassou 4 milhões de votos. Até o momento, o senador não reconheceu o resultado das urnas.
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