Memórias, figurinos e enfrentamento: Bloco Não é Não ganha exposição em Goiânia
Com curadoria de Ottair e programação musical, exposição apresenta o Carnaval como espaço de enfrentamento à violência contra as mulheres
No próximo sábado, dia 31 de outubro, será lançada a “Exposição O que a rua conta? A história do Bloco Não é Não costurada em memórias”, às 19 horas, no Centro Cultural Martin Cererê. Com entrada gratuita, a exposição mostra que o Carnaval também é lugar de posicionamento político e transformação social.
A exposição multimídia apresenta fotografias, vídeos, figurinos, adereços e documentos de diferentes momentos do bloco, relatos de uma iniciativa que faz da arte e da ocupação dos espaços públicos instrumentos de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Mais do que revisitar os desfiles carnavalescos, a mostra revela os processos criativos, os bastidores e as pessoas que ajudaram a construir sua identidade. O percurso expositivo valoriza o trabalho das artistas, artesãs, fotógrafas, figurinistas e tantas outras mulheres cujas contribuições nem sempre ganham visibilidade.
São histórias que dão forma e sentido à presença do bloco nas ruas. Com uma proposta documental e imersiva, a mostra apresenta o Carnaval como espaço de expressão, liberdade e reivindicação de direitos. Figurinos, imagens e adereços carregam mensagens sobre igualdade, respeito aos corpos e enfrentamento à violência de gênero.
A frente do Bloco Não é Não, Cida Alves mobiliza mulheres, artistas e pessoas comprometidas com a defesa dos direitos das mulheres. A atuação do Bloco ultrapassa os dias de folia, com encontros e iniciativas que fortalecem a participação feminina e ampliam o diálogo sobre autonomia e liberdade.
Para o Bloco Não é Não, a alegria também é uma ferramenta de luta. Ocupar as ruas com música, cores, dança e irreverência é um ato político que transforma a festa em mobilização coletiva e celebração da vida.
A curadoria é assinada por Ottair, artista que transita entre a música, o teatro e a performance. Cantor, ator, Drag Queen, diretor de arte e produtor musical, é mestre em Artes da Cena e graduado em Teatro pela Universidade Federal de Goiás (UFG). Sua experiência em diferentes linguagens artísticas contribui para uma proposta expositiva que articula acervo histórico, criação artística e as experiências das mulheres que fazem o bloco acontecer.
A abertura será marcada por um momento de celebração e homenagens, seguido de uma programação musical com as DJs Gabi Matos e Iara Kavene.
A exposição conta com expografia de Ricardo Borges e produção de Vania Vieira. Além da experiência presencial, o projeto prevê uma versão virtual em 360 graus, que será disponibilizada posteriormente no site do Bloco Não é Não, permitindo que o público conheça o acervo mesmo após o encerramento da mostra.
Ao levar sua história para o espaço expositivo, o Bloco Não é Não preserva os registros de uma construção coletiva e reafirma o direito das mulheres de ocupar as ruas, celebrar suas conquistas e fazer suas vozes serem ouvidas.
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